"A Serra (d'Arga) é nossa, não é do Governo, nem do secretário de Estado que nem deve saber onde fica", disparou Maria da Conceição Paínhas, uma das moradoras que intervieram na reunião camarária descentralizada que decorreu na sede da Junta de Freguesia no final de Outubro.
Esta vilense manifestou perante o Executivo a sua preocupação face à eventual prospecção e exploração de lítio na Serra d'Arga e nas imediações da sua freguesia, depois de ter assistido a uma sessão de esclarecimento promovida pela Corema em Vile.
Maria da Conceição Paínhas frisou que "a água é o bem mais precioso" que temos e teme pela sua qualidade nas minas, nascentes e rios, apontando como exemplo a evitar o que se passou em Montalegre.
"Já demos três pareceres"
"Isto não é novo", admitiu Guilherme Lagido, vereador com o pelouro do Ambiente na Câmara Municipal de Caminha, em referência aos vários pedidos de pareceres para exploração de lítio solicitados aos Executivos anteriores.
Contudo, mais pedidos surgiram já no tempo deste Executivo, mais concretamente três, voltou a esclarecer o edil, insistindo que "os nossos argumentos são os mesmos", perante o receio de um impacto negativo nas três bacias dos rios Minho, Âncora e Coura. A propósito da Serra d'Arga, aconselhou os presentes a consultarem o site WWW.SERRADARGA .pt.
Guilherme Lagido admitiu que "qualquer exploração afecta" o território e apontou quatro sítios com interesse comunitário que poderão servir como impedimento à exploração de lítio, no quais, aliás, os sucessivos governos já deveriam ter avançado com a criação de um conselho de gestão, acentuou. São os sítios da Serra d'Arga (todo o seu maciço, incluindo o sopé) e que vai até à ponte de Abadim, no rio Âncora, o sapal do rio Coura, o Rio Minho e o Litoral Norte que no caso do município de Caminha vai desde Âncora até à foz do rio Minho. Precisou que no dia 30 de Outubro teria lugar uma reunião a fim de "avançar para um plano de importância regional, incluindo o sopé da Serra d'Arga", reforçou.
Vereador pediu cautela para as zonas de prospecção já autorizadas
Foi mais além, ao dizer que "já pressionamos o Governo" e tendo conseguido obter uma garantia de que não haveria exploração de lítio nestes quatro espaços. Lagido divulgou ainda que a Câmara de Caminha tinha pedido igualmente que explorações de lítio eventualmente a conceder fora desses sítios protegidos não os venham a afectar directa ou indirectamente. Nesse sentido, considerou ser "importante, estarmos alerta para as prospecções já autorizadas".
"Lógica e com argumentos"
Perante este cenário, o vice-presidente camarário acredita que será difícil ao Governo "justificar" perante a Comunidade Europeia uma eventual aprovação da mineração. Deu como exemplo os problemas com as autorizações da barragem do Sabor, ou no Tâmega, em que o empreendimento não foi avante devido à existência de uma única espécie protegida e rara.
Por último, considerou ser relevante que a opinião pública contrária à mineração em zonas sensíveis seja "lógica e com argumentos.
"Sensibilização"
A sessão de esclarecimento levada cabo pela Junta de Freguesia mereceu um elogio da parte do vereador da oposição Paulo Pereira, tendo aproveitado a oportunidade para convidar outras autarquias a fazer o mesmo e manifestando a sua preocupação pelo facto de surgirem juntas a defender o lítio porque "não estão esclarecidas", admitiu. Como tal, deverão ser "sensibilizadas", completou.
"Concelho é um todo"
José Lima, presidente da Junta de Freguesia, mostrou-se também contrário à exploração do lítio no concelho que "é um todo", recordou, e que pode vir a ser afectado no seu conjunto pelas eventuais prospecções e explorações em alguns dos pontos do seu território, e que viu a Câmara responder à sua inquietação sobre as medidas que esta autarquia tomou ou tomará tendentes a evitar esta indústria, conforme já foi referido.