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Vile

Reunião pública descentralizada

"Temos bastantes mais psicólogos do que calceteiros", Miguel Alves

"Câmara só tem um calceteiro", José Lima

A Junta de Freguesia de Vile pretende "negociar muito" com a Câmara Municipal de Caminha a fim de encontrar pontos de apoio que contribuam para promover obras na freguesia e auxiliem a limpeza pública.

José Lima, presidente da Junta de Freguesia, usando da palavra a abrir a reunião camarária descentralizada realizada no dia 28 de Outubro, focou a necessidade de incrementar a colaboração entre a sua autarquia e o Executivo camarário, permitindo concretizar mais obras e melhorar a limpeza pública.

Contratação de empresa privada sai cara

O autarca vilense aceitou a dificuldade camarária em colaborar com as juntas de freguesia, a que não é alheio a falta de trabalhadores no serviço de obras - como o próprio presidente Miguel Alves reconheceu -, mas pediu mais colaboração no sector das limpezas urbanas, porque, precisou, o recurso à contratação, embora que esporádica, de uma empresa para efectuar determinadas intervenções "sai caro", alertou.

Nesse sentido, João Oliveira, tesoureiro da Junta, sugeriu que a Câmara assumisse algumas limpezas, porque o dinheiro que recebiam destinado a limpeza de valetas "só dá para metade".

Contudo, pese embora as "dificuldades financeiras", José Lima enumerou uma série de iniciativas materializadas durante este ano: colocação de dois mostruários informativos na freguesia, colocação de gradeamento, com o apoio da Câmara Municipal, junto a uma linha de água no caminho em direcção a S. Pedro de Varais (em cujo parque de merendas foram instaladas mais quatro mesas e arranjados o armazém de lenha e gás), colocação do piso da Rua de Gontinhal (em touvenant, obra feita a meias com um empresário da terra).

José Lima anunciou que o bar do Centro Cultural reabriria portas no início deste mês.

"É uma dificuldade tremenda"

Em resposta a alguns desafios da Junta, Miguel Alves, presidente da Câmara, admitiu não possuírem recursos financeiros suficientes para disponibilizar às juntas, e que tal situação era "uma dificuldade tremenda" para a Câmara. Assumiu a dificuldade em gerir as equipas sediadas em Vila Praia de Âncora, sendo forçados a deslocar as do Vale do Coura a fim de suprir carências.

O autarca caminhense admitiu que "temos bastantes mais psicólogos do que calceteiros" e, além do mais, era complicado colocar pessoas a trabalhar em coisas que não sabem.

Referiu, contudo, a aposta camarária na dotação de funcionários nas escolas, decorrente inclusivamente da descentralização de competências na área do ensino.

Luz pública também é preocupação em Vile

Depois de uma moradora (Vitalina Lima) ter denunciado que uma lâmpada da iluminação pública se encontrava tapada por vegetação, Miguel Alves aproveitou para reconhecer que, "de facto, há muitas queixas" em toda a parte, como resultado, nos últimos tempos, da mudança da empresa sub-contratada pela EDP, o que "piorou a situação", gerando-se "um protesto generalizado".

Após a Junta de Freguesia ter referido que essa empresa lhe tinha respondido incorrectamente (chegaram a mudar uma lâmpada que funcionava, em lugar de substituírem a que estava fundida, recordaram), Miguel Alves acompanhou o desabafo, por considerar "ser comum" tal atitude de falhas na reparação da iluminação pública, aconselhando, portanto, os autarcas vilenses a contactarem directamente o director do Norte da EDP, através de e-mail dirigido à Câmara que o reenviaria para o destino certo, prometeu.

Pedida utilização da escola e da sala de ordenha

O movimento associativo de Vile necessita de mais apoio, e a Associação Cultural de Vile "é das que mais trabalha", assegurou Marina Coelho, porque há colectividades que "não fazem nada" e recebem dinheiro camarário, protestou.

Os apoios às associações suscitaram algumas trocas de palavras entre Miguel Alves e a directora da associação vilense que recordou o apoio camarário a eventos particulares, quando o trail organizado em Vile envolvendo 300 pessoas, não possui chuveiros nem casas de banho. Por tal motivo, insistiu na necessidade de dar uma solução à antiga escola primária e à sala de ordenha.

As lamentações da activista associativa não recolheram concordância da parte do presidente do Executivo, recordando este o apoio concedido à Via Sacra, através do fornecimento do som (2.000€, precisou) e ao Trail com suporte logístico e alimentar.

Esta dirigente associativa pediu ainda a recuperação da calçada romana, porque seria uma "mais-valia" para a freguesia.

Projecto de recuperação da escola até final do ano

A questão da adaptação da escola primária foi explicada pelo vice-presidente Guilherme Lagido, face ao pedido da Junta e Associação Cultural de Vile já há mais de dois anos. Divulgou a existência de duas versões para a recuperação do imóvel, referiu as reuniões realizadas ou frustradas, pretendendo agora reunir com a arquitecta. Perante este impasse, Miguel Alves desafiou os intervenientes a definirem o projecto "até final do ano" a fim de conseguir a reabilitação do edifício.

"Os nossos subsídios são os vossos impostos"

A manutenção das florestas e a limpeza da rede viária foram temas trazidos à discussão por João Codeço, baseado no sucedido com os incêndios em anos anteriores. Pretendeu ser informado sobre os valores orçamentados para 2020 com destino à limpeza das zonas florestais e sugeriu a oferta de um Kit de primeiro combate aos incêndios para a sua freguesia.

Perante esta intervenção, Miguel Alves destacou que "somos dos que damos mais dinheiro para a limpeza da floresta", apontando para 500.000€ anuais, mais 150.000€ de comparticipação nos salários e kits das duas equipas de intervenção permanente e do grupo de sapadores florestais. O autarca prometeu colaborar dentro das possibilidades camarárias possíveis, sublinhando, contudo, que "os nossos subsídios são os vossos impostos".

"Não há muitos municípios a fazer tanto como Caminha"

O tema da floresta mereceu igualmente diversos comentários por parte do vereador com responsabilidade nesta área.

Guilherme Lagido relevou a dificuldade em coordenar limpezas num território "com espaços florestais pequenos", devido à divisão da propriedade. Referiu o que tinha sido realizado na defesa dos núcleos urbanos de Vile e freguesias vizinhas, destacando as zonas de Bulhente e S. Pedro de Varais, falou da pintura (sinalização) do tanque de água de Vile, após o que insistiu nas dificuldades que se deparam hoje em dia em coordenar os fogos controlados.

A exemplo do que tinha assinalado o presidente do Executivo, Guilherme Lagido afiançou que "não há muitos municípios a fazer tanto como Caminha".


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