Numa das quartas-feiras do último mês de Agosto, sucederam coisas "terríveis" no centro da vila de Caminha, admitiu Miguel Gonçalves, presidente da Junta da Junta de Freguesia de Caminha/Vilarelho, após o delegado da oposição Vítor Couchinho lhe ter pedido que fizesse o ponto da situação sobre a forma como tinha decorrido esta época de verão, no decorrer de mais uma Assembleia de Freguesia.
O presidente da Junta acrescentou que na última semana de Agosto a Câmara teve de contratar segurança, com receio de distúrbios já habituais em anos anteriores e no seguimento de outras situações complicadas verificadas nesse mês, decisão elogiada pelo delegado José Brito.
No entanto, Miguel Gonçalves discorda que recaia sobre a Câmara Municipal o ónus de pagar esse policiamento, entendendo que "todos (bares) devem comparticipar".
O autarca disse estar "cheio" de ouvir as queixas dos moradores devido à falta de segurança e ruídos na rua, estando disposto a equacionar a hipótese de instalar um sistema de vídeo-vigilância no Centro Histórico.
"Uma boa notícia para Caminha"
Mas nem tudo são problemas na vila, precisou o autarca, porque o fluxo turístico no Verão foi elevado, encontrando-se a hotelaria "cheia" e a restauração e comércio com procura crescente, "o que é uma boa notícia para Caminha".
A par desta constatação positiva, Miguel Gonçalves relevou igualmente as obras que decorrem na Rua Direita e no Largo do Hospital.
Iluminação continua a falhar
As falhas na iluminação pública persistem nesta e noutras freguesias do concelho de Caminha.
Voltou a ser tema de debate nesta AF e Miguel Gonçalves a manifestar descontentamento pela forma como a EDP actua, deixando as juntas de freguesia a falar para máquinas quando apresentam reclamações.
O autarca está farto de contabilizar candeeiros desligados em Caminha e Vilarelho, "o que não é admissível", sublinhou, mostrando-se disposto a terminar com tal situação, porque "isto não pode continuar", insistiu.
Passadiço da Foz do Minho sem dimensão adequada
O acesso à Foz do Rio Minho por estrada e através do passadiço são preocupação.
Pedro Vila Pouca, delegado socialista, precisou que um dos problemas do passadiço em madeira é não ter dimensões adequadas ao espaço em que foi inserido, opinando ainda que devia ter sido mais bem executado.
Segundo revelou o presidente da Junta, "as bases do passadiço estão podres" porque "o material não era adequado", reforçou, sugerindo que fosse feita uma análise a esta situação e ao que motivou a escolha dessa madeira. Recordou que chegam a pôr pregos num dia, e no seguinte já estão soltos. Advogou ainda a interdição à circulação de bicicletas.
Todavia, a oposição social-democrata não comunga desta opinião, devendo antes proceder-se a uma manutenção mais aturada, contrapôs Vítor Couchinho.
O delegado socialista Pedro Vila Pouca assinalou ainda o 25º aniversário do Centro Social e Paroquial de Vilarelho, durante o qual seria prestada homenagem aos fundadores e aos padres que estiveram envolvidos na sua criação e gestão ao longo destes anos.
Novo tractor
A autarquia da sede do concelho de Caminha será obrigada a alterar o seu Plano Plurianual de Investimentos, no intuito de adquirir ainda este ano um tractor, informou Miguel Gonçalves nesta sessão, em que o problema da limpeza suscitou debate.
"Quem suja deve limpar"
Utilizar glifosato ou não "é a pergunta que eu faço à Assembleia", frisou Miguel Gonçalves perante a realização de uma limpeza mecânica por parte da empresa contratada pela Câmara.
O autarca assegurou que tem acompanhado diariamente as limpezas, mostrando-se contente com a receptividade patenteada pela empresa, nomeadamente durante o período de verão.
Miguel Gonçalves precisou, todavia, que "quem suja deve limpar", em referência ao recinto da feira e às esplanadas, apelando, por isso, à "consciência pública" dos intervenientes, tendo pedido inclusivamente a realização de uma campanha por parte da comunidade escolar.
Vítor Couchinho não comunga destes sintomas de melhoria da limpeza, considerando ser necessário melhorar muito, porque "ainda estamos muito atrasados" nesta área, frisou.
Feira Medieval com salto de qualidade
Nesta matéria, José Brito, delegado do PS, após saudar a mudança operada na estrutura organizativa da Feira Medieval, sugeriu a colocação de mais caixotes do lixo e chamou a atenção para a sujidade existente no verão na esquina da Quelha do Repuxo com a Rua da Corredoura.
O estacionamento "abusivo" na Rua da Corredoura e no Terreiro mereceu uma referência negativa por parte deste eleito socialista, o qual pediu ainda informações ao Executivo local sobre o estabelecimento de um protocolo com o Município, relativo à gestão do Cemitério Municipal.
"A Feira Medieval é muito importante para a nossa vila", admitiu Miguel Gonçalves, evento este que "é passível de melhorar", reforçou, incluindo o processo de limpeza e a colocação de papeleiras. O autarca saudou o envolvimento do Agrupamento de Escolas do Concelho de Caminha na definição temática da Feira Medieval, processo que "tem de continuar", prosseguiu, porque se trata de "um marco para a nossa vila".
"Cemitério está a ficar no limite"
Comentando o processo de transferência de competências do Cemitério Municipal de Caminha para a Junta de Freguesia, este autarca explicou que o protocolo se encontra em fase de "implementação", mas a limpeza já se encontra sob a alçada da junta.
O autarca alertou, contudo, que o cemitério "está a ficar no seu limite", contribuindo para isso o envelhecimento da população, pelo que "deverá ser acautelado o futuro" deste espaço, pretendendo perspectivar o que será oportuno concretizar, para que não surjam surpresas desagradáveis.
Estacionamento alternativo às quartas-feiras
O estacionamento no verão é uma preocupação, e agrava-se às quartas-feiras, denunciou o delegado social-democrata Vítor Couchinho.
O recurso ao estacionamento junto ao cais do ferry-boat e a utilização de um parque encerrado na R. S. João de Deus poderão se contributos para minorar este problema, precisou Miguel Gonçalves, indicando ainda o espaço junto à C+S de Caminha e a Rua de Acesso ao Miradouro.
Um projecto que a Junta gostaria de implementar na zona do "Quintas", à entrada do Camarido, seria a criação de um espaço para os apetrechos de pesca dos profissionais de pesca e de um pequeno estaleiro de reparação de barcos.
O PSD pediu explicações sobre as contas e a contabilista da Junta de Freguesia prestou esclarecimentos pertinentes, informando ainda que alguns dados só poderão ser apresentados no final do ano.