A Associação Ambientalista Corema continua empenhada em colocar as populações dos concelhos do Alto Minho onde se perspectiva prospecção e exploração de lítio a discutir esta mineração.
A Junta de Freguesia de Vile proporcionou esta semana aos vilenses a oportunidade de debater o tema.
Embora não se preveja qualquer intervenção mineira nesta freguesia, mesmo no limite do seu território "há três pedidos de exploração", indicou a professora universitária Teresa Fontão, apostada na elucidação das populações sobre as consequências desta indústria extractiva e que vem participando nas sessões de esclarecimento proporcionadas pela Corema.
José Lima, presidente da Junta de Freguesia de Vile, referiu que tinha convidado os partidos e a Câmara de Caminha a marcarem presença nesta sessão, mas vincou que o Município caminhense tinha informado que não estaria presente.
O autarca vilense manifestou a sua preocupação pelas consequências dessa prospecção e exploração mineira nas nascentes e minas que abastecem a sua freguesia.
PSD e CDU fizeram-se representar, e a ainda deputada social-democrata Liliana Silva fez questão de assinalar que nas 10 sessões já realizadas "nunca falamos de partido, mas apenas de política", porque as decisões que vierem a ser tomadas serão necessariamente "políticas".
"É transformar Portugal num verdadeiro queijo suíço"
A deputada e vereadora caminhense voltou a resumir este surto de interesse pelo lítio, alertando os presentes para a autorização que poderá ser concedida às empresas exploradoras para que elas próprias possam exigir expropriações de terrenos com áreas superiores às das minas, incluindo a apropriação da água necessária à mineração.
Liliana Silva criticou a existência de um programa específico do Governo anterior (PS) para a exploração maciça de lítio em vários pontos do país e foi deveras crítica com a actuação do até agora secretário de Estado da Energia João Galamba que "quer tudo", incluindo "as baterias de lítio em final de vida… quando ninguém as quer".
Esta política disse ainda que há não desculpas para o que possa suceder, porque "ninguém pode dizer que não sabia", apelando à união de todos os que pretendem defender os seus territórios.
Há turismo e turismo
Presença habitual nestes debates é Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, tendo aproveitado esta iniciativa para se centrar nas consequências da exploração de lítio nesta freguesia e no rio Âncora.
O autarca ancorense comparou as diferenças de atitude do poder político na defesa do turismo, consoante as regiões em causa. No Algarve, a prospecção de petróleo nas suas costas foi de imediato posta de lado logo que as entidades locais ligadas ao sector turístico começaram a contestar essa pretensão. Contudo, noutros pontos do país, com menor peso turístico, o poder do lítio sobrepõe-se.
Esta sessão permitiu denunciar as práticas fraudulentas praticadas em Covas do Barroso, Trás-os-Montes, enganando as autarquias e comissões de baldios, ou nem sequer falando com os representantes das comunidades locais.
"Defender o país, o ambiente e o interesse público"
Celestino Ribeiro, deputado municipal da CDU, suscitou alguma controvérsia na sessão, ao assumir que "temos de mudar a nossa forma de vida", como se fosse necessário abdicar de alguns princípios ambientalistas para que a pegada de carbono, por exemplo, diminuísse, podendo ser o recurso ao lítio uma das vias.
Contudo, este eleito local mostrou satisfação pelo alargamento da área de paisagem protegida da Serra d'Arga ("acho bom que se faça isto") a fim de "travar as coisas más".
Desviar um rio para limpar o lítio
Dois dos membros da Corema presentes na sede da Junta de Freguesia, Miguel Pereira e João Nunes, apresentaram vídeos com imagens de explorações extensas de lítio noutros pontos do globo, bem como das consequências das prospecções em Montalegre, acentuando que toda esta febre pode estar ultrapassada dentro de alguns anos e "ficar fora de moda", mas com consequências irreversíveis para o território.
Deu como exemplo o projecto de desviar um rio no Barroso a fim de o aproximar da exploração. Segundo revelaram, são necessários dois milhões de litros de água para limpar 1.000 litros de lítio.
Por tudo isto, os ambientalistas já apelidam o ministro do Ambiente de "Sinistro do Ambiente".