Muitas vezes, aquele meio de transporte para me deslocar a Espanha, a construção de uma ponte seria a melhor solução, porque iria acabar, de vez, Com as constantes avarias no ferryboat que liga Caminha à povoação espanhola da Guarda, com o desinteresse do governo espanhol em contribuir para o desassoreamento do leito do Rio Minho, que prejudica e de que maneira, o funcionamento diário do" cacilheiro ibérico", no meu modesto entendimento, penso que seria vantajoso para ambas as partes, pensar-se na construção de uma ponte internacional a ligar as duas margens.
Como pessoa interessada na resolução deste problema, já que, nas férias, utilizo com os eternos problemas da dragagem do rio.
Quer Portugal, quer a Espanha pertencem à Comunidade Europeia e, por conseguinte, poderão, creio eu, desbloquear verbas suficientes para a construção da referida ponte.
Assim como está, com a ameaça de, durante o ano, "cacilheiro", interromper o seu serviço, quem sai prejudicado são, primeiro, os trabalhadores das empresas que exploram a travessia Caminha-Guarda; depois são as populações, o comércio, as feiras semanais e agora também mensais, no primeiro domingo de cada mês e, por último, o turismo de lazer, já que, nesta época do ano muitos dos nossos "hermanos", frequentam, com assiduidade, as praias do Alto Minho, desde Viana do Castelo até Caminha, movimentando restaurantes, pensões e hotéis.
Caro leitor, aqui fica, mais uma vez, a minha contribuição para que as novas autoridades caminhenses e as autoridades guardenses se sentem à mesma mesa e discutam se vale a pena continuar com os problemas do" cacilheiro" ou então, caminhar, de uma vez por todas, para a construção de uma nova ponte internacional sobre o Rio Minho. Caso contrário, Caminha e a Guarda dificilmente acordarão dum sono que impede o seu desenvolvimento e que, contribuirá, mais tarde ou mais cedo, para o encerramento do comércio tradicional, o que quer dizer, aumento do desemprego. Mais desemprego e, por conseguinte, mais emigração dos jovens caminhenses que, não encontram na sua terra natal, os meios de subsistência para criar raízes, constituir família, serem úteis ao seu País. A ideia está lançada. Falta concretizá-la.Voltarei a este assunto, sempre que seja oportuno. É que, como diz o Bom Povo, " água mole, em pedra dura, tanto dá, até que fura". Talvez o novo Presidente da Câmara de Caminha, tenha "arte e engenho", para convencer os políticos, que nos governam, de que Caminha também é Portugal.Talvez o novo Edil, tenha mais "influência", junto do Poder, Central, para realizar esse velho sonho dos caminhenses e não só. Uma nova ponte internacional em Caminha. Não há dúvida que, com esta classe política, é preciso saber lutar e lutar com todas as forças, para conseguir que deixem de pensar, uma vez por todas, de que "Portugal é só Lisboa e o resto é paisagem".
Muitas são as expressões que atualmente se utilizam para significar, afinal, que hoje ninguém está formado para o resto da vida, independentemente da idade que tiver, mas é, seguramente, no período da vida ativa que mais se exige uma permanente aquisição de conhecimentos: "Dado que a aprendizagem ao longo da vida é uma necessidade, os gestores têm a responsabilidade de desenvolver os seus colaboradores, enquanto indivíduos, com o dever de erguer a sua voz, expressar os seus interesses e participar ativamente nesses programas." (JUERGUEN BROKATZY, in: CUNHA, et. al., 2010:381).
O ser humano é um todo, complexo, único, indivisível, inimitável e irrepetível. Cada pessoa é verdadeiramente, singular, dotada de características biopsíquicas e espirituais infalsificáveis, portanto, deve ser pensada como tal, merecer uma atenção muito especial e, jamais, poderá ser "coisificada". As múltiplas dimensões da pessoa humana postulam, por conseguinte, diferentes intervenções, contudo, mantendo a integralidade e unicidade, próprias da sua condição superior.
Quando se abordam a educação, a formação e a cultura da pessoa humana, pretende-se melhorar e defender, justamente, não só aquelas como as demais dimensões, ou seja: uma preparação integral para que ela se insira e vença num mundo altamente competitivo, onde reinam os mais sofisticados processos de concorrência, de captação de clientes, fornecedores, colaboradores, equipamentos e toda uma panóplia de recursos que facilitam o sucesso, infelizmente, nem sempre obtido pelos procedimentos mais corretos, justos, legítimos e legais.
A disponibilidade para aprender e a vontade indomável de acrescentar mais conhecimentos, são duas excelentes qualidades da pessoa que deseja continuar a valorizar-se, a melhorar a sua autoestima, mas é preciso ter alguma prudência porque: "O volume de informações que muitas vezes é passado às pessoas de uma maneira didática deixa a ilusão de que o aprendizado está acontecendo. Porém, quando se busca o resultado, ou aplicação prática do ensino, o resultado causa frustração." (ROMÃO, 2000:92-93).
A competitividade de uma empresa também passa, necessariamente, pelo maior, ou menor, nível de escolaridade e formação dos seus colaboradores. Hoje, por si só, o Saber-fazer, sendo muito importante e imprescindível, não é o único que se deseja, numa formação integral, que contempla várias dimensões do conhecimento, como os: Saber-ser, Saber-estar e o Saber-conviver-com-os-outros, porque o ser humano não é uma máquina que, a partir de um comando eletrónico, funciona de acordo com um determinado programa, previamente introduzido pelo homem.
Atualmente, a legislação laboral portuguesa já prevê que as instituições sejam obrigadas a ministrar formação profissional, normalmente, em áreas específicas, relacionadas com as respetivas funções dos colaboradores, mas também em domínios ético-culturais, relacionamento interpessoal, gestão do tempo, motivação e liderança, entre outros porque, justamente, a pessoa humana tem princípios, valores, sentimentos, emoções, projetos profissionais, familiares e até sociais, enfim, objetivos de vida que deseja alcançar.
Facilmente se comprova o nível de competitividade, através da produtividade, rigor, inovação para procedimentos e produtos diferentes, com detalhes singulares bem identificados para o cliente, que são do agrado dos consumidores e é por isso que a formação deve abranger todo um conjunto de saberes. O investimento na formação de todos os colaboradores da instituição, abrangendo administradores, diretores e demais chefias, proporciona elevados retornos, incluindo o prestígio, credibilização e a expansão da instituição.
Sem relutância aceita-se que: "A formação pode ser definida como o conjunto de experiências de aprendizagem, planeadas por uma organização, com o objetivo de induzir uma mudança nas capacidades, conhecimentos, atitudes e comportamentos dos empregados no trabalho." (CABRERA, 2006:168, in: CUNHA, et. al., 2010:381).
Genericamente, como conceito geral, considera-se que: "(…) a formação permite aprender a saber, a fazer e a ser. No extremo das suas possibilidades, permite também aprender a aprender e esse é porventura o seu mais elevado desígnio, na medida em que assegura a prossecução dos restantes domínios da aprendizagem." (CUNHA, et. al., 2010:384).
A valorização profissional, de qualquer trabalhador, é um dos fatores que o leva a sentir-se realizado na organização onde exerce a sua atividade. É claro que estar integrado numa instituição, que lhe permite progredir num sistema hierárquico vertical, com todo um conjunto de benefícios: remuneração, complementos, estatuto, poder e reconhecimento, são outras tantas razões para que um tal trabalhador se automotive para atingir a categoria máxima.
Na linha de pensamento que se vem desenvolvendo, também não se pode ignorar que: "O outro fator essencial em termos de crescimento, é o aperfeiçoamento profissional, um ponto que vem se tornando cada vez mais valorizado hoje em dia entre os funcionários de uma empresa. As pessoas prestam atenção crescente, no mercado de trabalho competitivo em que vivemos, à sua própria qualificação como profissionais." (BERNARDI, 2003:36).
Atualmente, e ao contrário do que muitos "dirigentes" e trabalhadores pensam, é fundamental que as instituições, qualquer que seja a sua natureza e de todas as áreas de atividade, elaborem, executem e consolidem um Plano de Formação Profissional Contínua, que avaliem, objetivamente, os resultados alcançados, introduzindo, periódica e sistematicamente, todas as atualizações que se mostrem necessárias, em ordem a competirem com qualidade, inovação, diferenciação em tempo útil, porque: "A formação é um dos métodos mais eficazes de melhorar a produtividade dos indivíduos e de comunicar os objetivos organizacionais aos novos colaboradores." (ARTHUR, et. al., 2003:234, in: CUNHA, et, al., 2010:392).
Entre outros, igualmente importantes e indispensáveis, o investimento que se deve fazer na melhoria dos recursos humanos, globalmente considerados necessários numa organização, também a própria pessoa, enquanto colaboradora de uma instituição, se deve preocupar com o seu exclusivo esmero e evolução, porque: "O ser humano que não se consegue desenvolver plenamente é vítima de um modelo educacional que renunciou aos fundamentos básicos da formação do cidadão, do profissional e da sua sensibilidade humana, tornando-se alguém capacitado apenas para a produção e o lucro. Formar o cidadão é dar-lhe a dimensão dos seus direitos e deveres em relação à sua família, ao seu trabalho, à sua comunidade e ao seu país." (CARVALHO, 2007:104).
Quando se ignora a conveniência de fornecer ao trabalhador a formação profissional ajustada ao perfil das suas funções, também não se pode esquecer que: antes, durante e depois do trabalhador, existe sempre um Ser Humano, um cidadão com deveres e direitos, por isso é muito importante que os planos de Formação contemplem as dimensões: cívica, ética, moral, religiosa, interpessoal e tantas outras, para que o colaborador se sinta cada vez mais realizado, como pessoa, cidadão e funcionário, ou seja: integralmente formado.
Presentemente, e cada vez mais no futuro, a sociedade movimenta-se com uma velocidade estonteante, quando se confronta com a ciência, a tecnologia, a execução sempre evoluindo para o rigor e perfeição do saber-fazer, porque nada é estático, um dinamismo acelerado toma conta das pessoas e das organizações e, ainda, na medida em que: "A mudança é uma constante na vida (…). Uma das formas de lidar com a mesma é a educação e a formação. Para quem entra no mundo do trabalho, os desafios são inúmeros. (…) É por isso relevante que beneficie, por meios formais e informais, de processos de formação, que o capacitam para ser um membro verdadeiramente útil da organização." (CUNHA, et. al., 2010:392).
Educação e formação são, portanto, dois carris muito importantes na vida de uma pessoa. Claro que há mais "linhas", que vão conduzir a um mesmo destino que é a evolução, a satisfação, o bem-estar e a felicidade do ser humano (felicidade, aqui tomada no conceito que cada pessoa entender, desde que lhe confira tranquilidade pessoal, nas diferentes dimensões: física, psicológica, intelectual, princípios, valores, sentimentos e lhe proporcione os aspetos materiais necessários à vida confortável).
Esta preparação, afinal, é para se viver a vida serenamente, com tudo de bom que ela nos pode dar, porque: "Não temos de nos preocupar em viver longos anos, mas em vive-los satisfatoriamente; porque viver longo tempo depende do destino, viver satisfatoriamente depende da tua alma. A vida é longa quando é plena; e se faz plena quando a alma recuperou a posse do seu próprio bem e transferiu para si o domínio de si mesma." (SÉNECA, 4 a.C. a 65, in: CARVALHO, 2007:102).
Bibliografia
BERNARDI, Maria Amália, (2003). A Melhor Empresa. Como as Organizações de Sucesso atraem e mantêm quem faz a diferença. Rio de Janeiro: Elsevier.
CARVALHO, Maria do Carmo Nacif de, (2007). Gestão de Pessoas. 2ª Reimpressão. Rio de Janeiro: SENAC Nacional
CUNHA, Miguel Pina, et. al., (2010). Manual de Gestão de Pessoas e do Capital Humano. 2ª Edição. Lisboa: Edições Sílabo, Ldª.
ROMÃO, Cesar, (2000). Fábrica de Gente. Lições de vida e administração com capital humano. São Paulo: Mandarim.