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Festival de Vilar de Mouros esgota os passes diários do dia 23 de agosto

Este ano a música voltou de forma arrasadora fazendo com que o espírito do Festival permanecesse. Tanto o campismo como o recinto mantiveram o ambiente que todos os anos é vivido.

O Festival Vilar de Mouros, o mais antigo da Península Ibérica, voltou um ano mais para surpreender com grandes artistas nos dois palcos instalados no recinto. Esta edição, considerada uma das mais chamativas dos festivais deste ano e inclusive da sua história, trouxe uma série de concertos que devolveu anos de vida a gerações que acompanham estes momentos de música desde sempre.

Foram 3 dias de grandes emoções e aventuras para o público que gosta de apreciar boa música e guardar boas memórias. A música, o ambiente - tanto no campismo como no recinto e o famoso banho na Praia Fluvial das Azenhas - são dos principais elementos para um ótimo festival. A grande diversidade de conjuntos fez com que a essência do festival se mantivesse, visto que o segundo dia se esgotou com as grandes bandas The Offspring e Skunk Anansie.

46 mil pessoas nos três dias

Relativamente aos passes diários, no primeiro dia, a maioria dos festivaleiros tinha grande preferência pelos The Cult e Manic Street Preachers.

No entanto, uma das bandas que surpreendeu o grande público foram os Theraphy que tiveram bastante adesão devido à sua incrível energia.

O segundo dia deste festival trouxe os mais esperados por todos, os Offspring que levaram o público à loucura e Skunk Anansie que voltaram 20 anos depois abrindo o concerto com a mesma música da última vez que cá estiveram.

Por fim, após 3 dias de grande música, os Prophets of Rage e Gogol Bordello não podiam ter encerrado este Vilar de Mouros da melhor maneira. Esta edição, durante os 3 dias do festival, recebeu mais de 46 mil pessoas no recinto.

Mais qualidade logística

Não podiam passar ao lado os novos apoios que foram concedidos este ano ao campismo, nomeadamente o espaço de carregar os aparelhos electrónicos, uma máquina automática de bebida e comida e um mini bar que fornecia refrescos de toda a espécie para quem precisasse na hora.

Muitas críticas foram, feitas tanto positivas como negativas, mas as que se sobressaíram foram a boa decoração, o espaço acolhedor e mais atrativo em relação ao ano passado.

"Jam sessions"

A união entre campistas deve-se todos os anos ao convívio e bom ambiente criado pela música dos próprios festivaleiros. Foi o caso do grupo de músicos da Tuna Académica da Guarda, apelidados de Fuxacústico. Estes jovens que se conheceram na universidade apenas querem conviver, reproduzindo e improvisando temas, ao qual eles chamam de, "jam sessions". Na verdade, a sua música fez com que atraíssem bastante público ao seu redor.

Festival incomparável

É importante dizer que este festival não se compara a mais nenhum devido à sua essência e à capacidade de atrair um público de todo o tipo de idades. No entanto, nem todos os espectadores acham o mesmo. Humberto da Cruz, um festivaleiro do concelho de Caminha que já acompanha este festival há anos, diz que mesmo sendo um evento que acolhe todo o tipo de gerações, considera que ele é para festivaleiros com mais idade porque são estes que acompanham a essência do festival já há algum tempo. No entanto, diz também que parte do espírito do festival se mantém e, como espectador achou a decoração e o espaço mais atrativos.

No final do evento, ouvimos dois dos seus organizadores implantados no terreno: a Câmara Municipal de Caminha e a Junta de Freguesia de Vilar de Mouros.

"O Festival recuperou, veio para ficar e está forte"

Miguel Alves destacou a evolução do festival nesta edição, referindo que "é notório que este ano o festival cresceu muito, cresceu de forma sustentada com uma grande aposta num cartaz que foi elogiado em todo o país - e que muitos disseram que era o melhor de todos -, mas também em tudo o que é o espírito do Vilar de Mouros". Assinalou, contudo, que "não basta o espírito e não basta um bom cartaz, é a mistura de um bom espírito, a história do festival e um cartaz que lhe dá presente e futuro e com eles se faz a força de Vilar de Mouros".

Subida "portentosa" do número de espectadores

O autarca classificou como "portentosa" a subida do número de espectadores (46.000) comparativamente ao último ano, e definiu como "coroada de sucesso a caminhada destes últimos quatro anos".

Aproveitou esta entrevista para recordar que num passado não muito longínquo "houve muita gente que discordou, inclusive politicamente, da nossa opção de recuperar o Festival", mas, adiantou: "creio que hoje a opinião é generalizada - o Festival recuperou, veio para ficar e está forte".

Apesar deste ressurgimento, o presidente da Câmara não pretende quedar-se com os logros alcançados, prometendo "continuar a acompanhá-lo", insistindo nesse crescimento a fim de "recebermos bem as pessoas e investindo para que tenhamos cada vez mais um cartaz melhor".

"Era uma boa onda"

Apesar de apostar na melhoria do cartaz, considerou de muito bom o alinhamento possível nesta edição, com a apresentação da bandas que "arrastam multidões".

Miguel Alves vincou que "mesmo o dia com menos gente nesta edição, foi superior ao melhor dia de 2018", para o qual foi fundamental o cartaz, a par de ao longo dos quatro anos, "ter passado a mensagem de que se estava bem - era uma boa onda -, que o espaço estava limpo, as Azenhas estavam recuperadas, havia mais espaço para o campismo e para o estacionamento". Insistiu, contudo, que "estas estruturas têm de ser sempre melhoradas", sendo esse o "desafio". Admitiu que "nem tudo correu às mil maravilhas", salientando que "no pico das 18.500 pessoas houve dificuldades no escoamento do trânsito". Mas este crescimento não o inquieta, antes estaria "preocupado se dissessem que naquela noite não estava ninguém e que se estacionava em cima do recinto".

Vontade de renovar o acordo

O acordo estabelecido com a empresa prevê ainda a realização das duas próximas edições, mas a Câmara pretende renová-lo, conforme nos confirmou o nosso interlocutor.

Questionado sobre a opção de dois palcos (principal/EDP e secundário/MEO), o autarca caminhense justificou-a como forma de "podermos oferecer mais música", a par de evitar que exista uma "corrida" à entrada do palco que "cria dificuldades à entrada das bandas", porque tudo tem de estar preparado à hora certa e, desta forma, "conseguimos diminuir o tempo entre bandas".

Com esta inovação, "conseguimos movimento no recinto, ao colocarmos dois palcos em pontos distintos, o que beneficia todas as marcas ali representadas", destacando "o apoio novo que a MEO trouxe, a par da EDP, apoio esse que temos de considerar, porque pode vir a crescer no futuro". Miguel Alves acentuou que este palco tinha uma dimensão idêntica ao do ano passado, ao passo que o da EDP tinha crescido.

Acredita que ambos trouxeram uma nova dinâmica a acompanhar com atenção no futuro, prometeu.

Atendendo a que este Festival foi considerado sempre um cruzamento de gerações, pedimos-lhe uma opinião sobre a edição deste verão.

"São as bandas da vida das pessoas"

O autarca considerou, no entanto, que "às vezes se discutem coisas que não fazem muito sentido. Saber se o Festival é para mais novos ou para mais velhos, isso e relativamente indiferente. Pior era se o Festival fosse igual aos outros. E não é", assegurou convictamente.

Considerou que seria um erro se tentassem imitar o de Paredes de Coura, ou vice-versa, antes apostando numa "diversidade" de bandas para públicos diferentes, e que "ficou muito claro no que sucedeu este ano", frisou.

Apontou a "vertente rock pura, que nos anos 80 e 90 fizeram a sua sonoridade e que a gente da minha geração ouviu enquanto adolescente".

Acrescentou que essas gerações ou ainda mais velhas "têm capacidade financeira para regressar a Vilar de Mouros no final de verão e consumir em espaços de restauração muito cuidados, sendo nesta vertente que o Festival se enquadra".

Pormenorizou ainda que não se pretende que seja baseado na "nostalgia" das grandes bandas rock de 80 ou 90, mas, prosseguiu, "há um limite para tudo, para o público e para as bandas que vão envelhecendo", o que o leva a não descartar a possibilidade de que já no próximo Festival "haja um sinal de um novo caminho para onde queremos seguir", embora isto não esteja ainda definido, avisou.

Miguel Alves insistiu que "estamos a falar de rock, rock puro, com história, de discos que guardamos e não de música que mastigamos e expelimos", conjuntos esses que "os nossos filhos ainda recuperam como clássicos e que fizeram parte da história da música", dando garantias de que "as pessoas continuarão a vir a Vilar de Mouros".

"Programação de V. de Mouros não é como ir ao supermercado"

Dado que algumas pessoas foram de opinião de que havia um cartaz muito forte para o segundo dia e não tanto para os demais, perguntamos-lhe se não seria preferível distribuir as bandas pelos três dias.

O autarca caminhense considerou que "o cartaz era bastante equilibrado", mas alertou que um evento desta envergadura "não se organiza como se fosse uma quermesse do bairro". Recordou que "há necessidade de olhar para a disponibilidade das bandas, encontrar soluções para os tours delas e tentar encaixá-las". Disse existirem muitas bandas que "gostaríamos de ter aqui, mas entre a relação preço e a qualidade que queremos" é importante, referindo que "algumas delas já têm tudo definido para o próximo ano".

"Foi um cartaz muito homogéneo"

No entanto, é intenção de toda a organização "fazer um Festival equilibrado, com boas bandas nos três dias, para que as pessoas tenham interesse em comprar um bilhete geral".

Admitiu que, na verdade, o segundo dia tinha um conjunto de bandas, como os Sisters of Mercy, Skunk Anansie, Off Spring, que classificou do melhor que há, levando-o a classificá-lo como "o dia mais forte de todos os festivais de música" que se realizaram em Portugal, o que atrai as pessoas, garantiu. Mas, precisou, foi um "cartaz muito homogéneo".

Boa receptividade da parte das bandas contactadas

A questão financeira foi abordada pelo presidente do Município, referindo-nos que "estamos longe de ser o Festival com maior capacidade financeira", apesar de "termos muita gente com grande qualidade a contactar as bandas e uma grande receptividade da sua parte". Deu como exemplo os Skunk Anansie que quiseram muito estar em Vilar de Mouros, a ponto de alterarem a "formatação" das suas actuações deste verão, para que fosse possível abrir a sua performance com a mesma música com que o fizeram cá há 20 anos.

Banda definiu o Festival como tendo o melhor cartaz

Deu outro exemplo de qualidade dos grupos intervenientes em Vilar de Mouros/19, com a contratação dos Prophets of Rage que, no entender do autarca "possuem um dos melhores guitarristas (Tom Morello) do mundo e que disseram que "o nosso Festival possuía o melhor cartaz de todos onde tocaram", o que definiu como "fantástica" tal apreciação e que "deve encher de orgulho toda a população" do concelho de Caminha.

18 nacionalidades detectadas só no "ticket online"

Perguntando-lhe se seria importante ter uma banda espanhola neste Festival - até pela proximidade com o país vizinho e atendendo ao número de festivaleiros deste país que marcam presença anualmente -, Miguel Alves concordou que seria uma boa opção, e recordou a propósito que estiveram aqui representadas 18 nacionalidades só no ticket online, provenientes de origens tão distantes como Canadá, Brasil ou Irão".

Tem sido uma constante "encontrar uma banda espanhola que se enquadre no espírito do Festival", prosseguiu, mas "ainda não se encontrou uma solução financeira que a encaixasse num determinado dia".

O mesmo se passa com as bandas portuguesas, cujo número gostariam de aumentar, desde que se integrem na tal "onda" de que Miguel Alves gosta de assinalar. Refere que, por vezes, quatro boas bandas estrangeiras saem pelo preço de uma das melhores portuguesas, e "tudo isto tem de ser ponderado".

"É totalmente diferente a forma como olham para o Festival"

Acredita que o sucesso crescente do Vilar de Mouros tem dado melhor imagem, o que permitirá uma progressão financeira dos patrocinadores, em contraste com o "penar" dos primeiros anos, "em que era preciso bater à porta para arranjar pequenos apoios", recordou.

Apontou ainda a importância das notícias positivas que têm saído sobre o Festival, como forma de conseguir "estrutura" para que as marcas se interessem sobre "a forma de entrar", sucedendo já que os próprios agentes do mundo da música "nos contactam para que entremos no circuito internacional", dentro das datas estabelecidas.

Parceria é para renovar

Desta forma, "já estamos a trabalhar para o próximo ano", cujo evento realizar-se-á entre 27 e 29 de Agosto, havendo já bandas contactadas, além de existirem conversações com a Junta de Freguesia e os produtores com a intenção de renovar esta parceria para os próximos anos.

Sem esquecer o Festival do próximo ano, os olhos já se concentram no de 2021, data em que passam 50 anos do mítico Woodstock português.

Junta contente com resultado de trabalho acumulado

O presidente da Junta de Freguesia, Carlos Alves, não podia estar mais satisfeito com o aumento de público este ano, dizendo que "é resultado de muito trabalho acumulado que vem desde 1996, em que eu já comecei a participar ativamente, e é o resultado de quem sempre acreditou no Vilar de Mouros e um mau resultado para os detractores de Vilar de Mouros. E que mesmo sendo só uma vez por ano que esta aldeia se enche com milhares de pessoas, nunca perde a essência, por ser conhecida como a aldeia do Festival de Vilar de Mouros."

"António Barge criou o Festival para promover a região"

Carlos Alves defendeu que Vilar de Mouros "não é uma aldeia qualquer" e só por isso é que o "visionário" e criador do Festival, o falecido Dr. Barge acreditou no Festival. A sua paisagem, a ponte e toda a envolvência da freguesia criaram condições para que este evento tivesse surgido, como forma de "promoção desta terra", como referia constantemente António Barge, recordou Carlos Alves, precisando ainda que o médico dos vilarmourenses elogiava as belezas desta região e dizia que o Algarve ou Lisboa não se comparavam a ela.

Bom cartaz, melhores condições, nome de Vilar de Mouros

Questionado sobre as razões do êxito da edição deste ano, o presidente da Junta de Freguesia não hesitou em apontar em primeiro lugar a qualidade do cartaz, associado ao "nome de Vilar de Mouros e às condições que temos vindo a criar ao longo dos anos", referindo-se muito concretamente à aquisição aos privados por parte da Junta, dos terrenos do antigo Largo de Chouzas, entretanto baptizado de António Barge em 2002.

A melhoria de condições verificadas em vários domínios, nomeadamente no campismo (o espaço reservado às caravanas, registou cerca de 200 viaturas), deveu-se à apreciação que a Junta e os organizadores realizaram das necessidades futuras de um evento em crescendo, assim como às críticas e sugestões das pessoas, referiu-nos o autarca vilarmourense.

"Festival vai crescer naturalmente"

É dentro deste processo de revitalização do Festival que a organização vai adaptando as estruturas, frisou Carlos Alves, desde o alargamento dos parques de campismo e de estacionamento e outros espaços, correspondendo desta forma "à adesão em massa de todo este público".

Carlos Alves acredita que o Festival "vai crescer naturalmente", independentemente da vontade que a organização tenha, porque, justifica, "já constatamos que há cada vez mais pessoas que vêm cá independentemente do cartaz", atendendo a que "gostam de Vilar de Mouros, do sítio e das condições que aqui temos".

"Encontrei aqui pessoas que vêm a este Festival, ininterruptamente, desde 1971 e 1996", prosseguiu o autarca, atribuindo esta adesão à própria "mística" que o evento e a aldeia encerram.

População adere

A aceitação da população vilarmourense mantém-se, assegura Carlos Alves, embora tivessem surgido algumas dificuldades em 1996, "devido aos problemas sociais complicados de 1982 (que durou 9 dias, recordou)" relacionados com droga, fome, roubos de fruta e espigas e nudismo. Situações estas que "desagradaram à população", obrigando a "muita determinação e até aventureirismo da própria Junta de Freguesia" junto dos vilarmourenses de modo a convencê-los a "aceitar o ressurgimento do Festival". Esse desagrado de parte da população "foi sendo ultrapassado ao longo do tempo", verificando-se presentemente que "participa e assiste aos concertos".

"Um Festival diferente"

Este autarca envolvido há muitos anos nestes eventos, analisando o comportamento do público, define-o como "diferente, mais maduro, em que vêm os avós, pais e filhos".

É esta diferença que distingue Vilar de Mouros, ao não pretender "concorrer com mais nenhum", o que "nos orgulha e envaidece", conclui.

Estando na calha a que poderá ser uma edição mítica em 2021, quando se completarem 50 Anos da aventura "hyppie" de 1971, perguntamos a Carlos Alves se gostaria, por exemplo, de voltar a ver o vocalista dos U2 a trepar por uma das colunas do palco histórico, como sucedeu em 1982 no Largo do Casal. Rindo-se, respondeu-nos que "gostaria de ver esse e muitos mais". Embora reconhecendo que "também sou um pouco visionário, não sou tanto como o era o dr. Barge".

"Crescimento sustentado"

Colocada a questão do futuro do Festival, dentro de um horizonte de 10 anos, Carlos Alves acredita que continuará a expandir-se, "embora ache que o deverá fazer de uma forma sustentada e não abruptamente porque arrastaria outros problemas, mas o importante é ter mostrado que não só conseguiu reerguer-se, como se fixou, independentemente dos executivos que venham a constituir a Junta e Câmara", porque a própria população o exigirá, está convisto.

Refira-se que foi também com a ajuda da Câmara Municipal de Caminha e da freguesia de Vilar de Mouros que houve oportunidade de criar novos parques de estacionamento, aumento da zona de campismo (ampliados no segundo dia, face à previsão de enchente na Sexta-feira), e a aposta num palco de DJ's que dinamizaram ainda mais o festival.

Será que a edição do próximo ano vai superar o número de espectadores do dia 23 de agosto 2019? Fica aqui a pergunta.

Ada Ferreira



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