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Riba d'Âncora

Dia da Comunidade com programação repleta

Padre Manuel Joaquim celebrou Bodas de Prata Sacerdotais

Escola do Comendador devolvida à freguesia

Edifício da Junta renovado no interior

Riba d'Âncora decidiu instaurar recentemente o Dia da Comunidade Ribancorense, fazendo-a coincidir com o Dia da Padroeira, Nossa Senhora da Assunção, celebrada a 15 de Agosto.

Um programa recheado completou as comemorações deste ano, com início pela manhã, na Igreja Paroquial, através da celebração de um acto religioso assinalando a Missa Nova do Pároco de Riba d'Âncora, Manuel Joaquim Oliveira, que teve lugar há meio século em Merufe, sua terra natal, após ter sido ordenado sacerdote.

Lembranças

O padre Manuel Joaquim Oliveira pastoreia há 16 anos em Riba d'Âncora e com pleno agrado dos paroquianos que o presentearam com inúmeras ofertas/lembranças, após ter sido lida a sua biografia no decorrer da celebração eucarística.

Legião de Maria, Paróquia, Junta de Freguesia de Riba d'Âncora e Gondar/Orbacém (aqui foi pároco três anos), Catequistas e Coro da Igreja foram algumas das instituições que não quiseram deixar em claro a efeméride religiosa.

"Um dia muito grande para o Padre Manuel Joaquim"

A celebração eucarística foi co-celebrada pelo próprio pároco aniversariante e pelo Vigário-Geral da Diocese, Monsenhor Sebastião Ferreira, natural desta freguesia.

Este, não quis deixar passar em claro o momento, que definiu como "um dia muito grande para o Padre Manuel Joaquim", um sacerdote que possui "um dom especial para o humor", o que permite que "ponha toda a gente bem disposta à sua volta".

Completando a biografia lida por Arlete Sales, referiu que o padre Manuel Joaquim tinha sido director do Seminário de S. Teotónio, em Monção, presidente dos Amigos da Liga do Seminário e presidente da Pastoral Litúrgica, concluindo que "ele se sente feliz no sacerdócio". Por conseguinte, "por tudo isto o felicito".

Padre Manuel Joaquim comparado a S. Bartolomeu dos Mártires

Sendo S. Bartolomeu dos Mártires uma referência obrigatória em Riba d'Âncora, o Vigário-Geral da Diocese de Viana do Castelo comparou a postura do pároco Manuel Joaquim à do santo, porque, justificou, "está com o povo", dando como exemplo a sua "persistência" para que o novo Centro Paroquial e Social seja uma realidade.

Aproveitando a presença de inúmeros paroquianos na Igreja de Riba d'Âncora, Monsenhor Sebastião Ferreira pediu-lhes que "ajudem as crianças a irem para o Seminário", atendendo a que considerou ser necessário haver "vocações".

Antes de terminar a celebração, o padre Manuel Joaquim agradeceu a presença de familiares seus que não quiseram deixar de estar presentes, assim como a dos paroquianos que encheram o templo.

No final, após ter sido realizada uma procissão até ao cruzeiro, teve lugar um pequeno convívio, com um bolo de aniversário destas Bodas de Prata Sacerdotais.

Terrenos da Stº Amaro doados à freguesia

A parte da tarde foi preenchida com diversos actos da sociedade civil que decorreram em frente da sede da Junta de Freguesia.

A par da distribuição de certificados de formação de um curso de artes plásticas, dado durante um ano por Rego Meira, um artista fingidor de Vila Nova de Anha, procedeu-se à entrega à freguesia dos terrenos ao redor da Capela de Santo Amaro, por parte de Gabriela Oliveira, conforme vontade de João Gabriel.

Esta oferta mereceu um agradecimento público da parte de Paulo Alvarenga, presidente da Junta, que pediu uma salva de palmas para este acto altruísta que permitirá abrir uma estrada até esse templo, conforme desejo antigo da freguesia.

Câmara interferiu na devolução da antiga escola primária

Procedeu-se seguidamente à entrega simbólica da chave da antiga Escola do Comendador Ramos Pereira à Junta de Freguesia, um ribancorense que doara este edifício onde funcionou a Escola Primária de Riba de Âncora à freguesia, mas que por artes da burocracia deste país foi parar à posse do Ministério das Finanças.

Agora, por interferência da Câmara Municipal, este "símbolo" de Riba d'Âncora, como o apelidou Miguel Alves, regressou ao seu verdadeiro proprietário, frisando ainda o autarca que a autarquia caminhense "apenas tinha sido um veículo para que se fizesse justiça" a partir desta data.

"Estamos agradecidos"

Paulo Alvarenga, presidente da Junta de Freguesia, agradeceu ao presidente da Câmara o ter "cumprido com a sua palavra", recordando que "todos andamos nessa escola e temos boas recordações dela", vincou.

Rego Meira elogiado

A Junta de Freguesia procedeu à reabilitação do edifício da autarquia ribancorense, tornando-a num centro de arte, em que predominou a mão do artista Rego Meira, acompanhado de "mais 21 colaboradores".

"Obra super-boa"

Em declarações ao C@2000, Paulo Alvarenga considerou a intervenção dentro da sede da junta de freguesia uma obra "virada para o futuro, para que seja possível ter um arquivo digno daquilo que é uma Junta de Freguesia, uma sala de atendimento para que as pessoas se posam sentir bem ao vir a esta casa e ainda uma sala de reuniões com outra dignidade".

Simultaneamente, optaram por dar um toque artístico a esta sede de junta, tendo convidado o mestre Rego Meira para "fazer a técnica dos fingidos, prática esta que está praticamente extinta".

Paulo Alvarenga conseguiu ainda a colaboração de dois estucadores, "o sr. Tomé de Freixieiro de Soutelo e Domingos Fontainha de Afife, a fim de trabalharem o gesso no tecto e nos quadros", contou-nos.

Todos estes mestres de artes em vias de extinção "já andam na casa dos 70 anos", o que levou a Junta de Riba d'Âncora a precipitar-se (no bom sentido) no intuito de conseguir reunir este naipe de artistas, e, desta forma, "criar um Centro Interpretativo de Artes Decorativas da Construção".

Vincou que os quadros colocados ao redor das paredes "são fingidos a vinagre e terras e, outros, a óleo, técnicas com mais de um século de existência que estão praticamente extintas no nosso país e não só", lamentou.

Roda-pés e portas encontram-se "fingidas a vinagre e óleo", sendo de realçar que os primeiros assemelham-se a mármore e as segundas a madeira.

O autarca ribancorense admite que "a obra ultrapassou todas as expectativas que a Junta de Freguesia tinha, porque estávamos a pensar em fazer uma obra boa, mas tornou-se super-boa", não hesitou em defini-la dessa forma.

"É o culminar de décadas"

Rego Meira teve oportunidade de se exprimir no decorrer desta cerimónia, frisando que "Riba d'Âncora é como se fosse a minha terra", na qual teve a oportunidade de "culminar décadas dedicadas a estes ofícios".

"Hoje somos todos verdadeiramente irmãos"

O arcipreste de Caminha e pároco de Riba d'Âncora, Manuel Joaquim Oliveira, usando da palavra nessa tarde, elogiou a opção da freguesia pela escolha do 15 de Agosto para Dia da Comunidade Ribancorense, considerando-a "digna", não só para a própria freguesia, como para o próprio concelho de Caminha, o que deveria orgulhar todos os ribancorenses.

Valorizou as concretizações importantes que aconteceram nessa jornada, como foi o caso da cedência de terrenos em Stº Amaro e o regresso da Escola do Comendador Ramos Pereira à posse dos ribancorenses, concluindo que "a freguesia ficou mais enriquecida com este património", ao que se juntou o "restauro" da sede da Junta.

Manuel Joaquim não esqueceu, naturalmente, que este 15 de Agosto representara igualmente "um dia de festa para mim", acrescentando que "hoje, somos todos verdadeiramente irmãos".

O pároco desta freguesia elogiou ainda todos os que se dedicam a esta comunidade, o mestre Rego Meira e a D. Lélinha (a pessoa que cedeu os terrenos de Stº Amaro à freguesia).

Pároco ofertado com uma camisola do seu clube

O momento foi aproveitado pela Câmara Municipal e Junta de Freguesia para se associarem aos 50 Anos das suas Bodas Sacerdotais, tendo o apresentador do programa dessa tarde, João Pinto, pedido ao padre Manuel Joaquim que aguardasse mais uns momentos.

Pároco ofertado com uma camisola do seu clube

Para sua surpresa, foi presenteado pelas duas autarquias com uma camisola do Sporting Club de Portugal (seu clube predilecto) assinada por todos os jogadores da equipa de futebol que faziam parte do plantel nessa altura.

Com humor desportivo, Miguel Alves falou do "sofrimento" dos sportinguistas, ao que correspondeu o pároco com a sua determinação (fé) nas cores do clube - pese embora esse sofrimento a que já estão habituados -, gerando-se um ambiente distendido e de confraternização clubística.

"Não devemos ter guerras uns com os outros"

"Não vou pedir nada ao presidente da Câmara Municipal de Caminha porque, os dois sabemos, aquilo que queremos para Riba d'Âncora e é para cumprir" até final do actual mandato, sentenciou Paulo Alvarenga, após proceder a uma série de agradecimentos a todos os que intervieram na recuperação da Escola do Comendador (em particular a Domingos Velho e ao presidente da Câmara) e à benemérita (doutora Gabriela Oliveira) que cedeu os terrenos em Stº Amaro, a par de Rego Meira e os dois estucadores de Afife (que fizerem "um grande esforço" para concluir os seus trabalhos no interior da sede da autarquia), Iniciarte e Conselho Directivo dos Baldios, o qual doou 10.000€.

O autarca ribancorense evidenciou perante os presentes que "estou muito feliz por estarmos todos do mesmo lado", porque "devemos fazer obrinhas e não guerrinhas", aproveitando para voltar a elogiar o presidente da Câmara "porque tem cumprido" o que o levará a ser-lhe "leal" e a estar incondicionalmente a seu lado, prometeu.

"A valia da palavra comunidade"

Encerrando as comemorações do Dia da Comunidade Ribancorense, Miguel Alves, presidente do Município Caminhense, destacou "a valia da palavra comunidade", numa conjunção da "dádiva individual" com a "procura da coisa colectiva".

Definiu como uma "festa feliz" a que acabara de participar, onde sobressaiu "a generosidade dos que se despojam dos seus bens pessoais (caso de Stº Amaro)", o regresso da escola ao seio da comunidade da qual nunca deveria ter saído, o aniversário dos 50 Anos da ordenação do padre Manuel Joaquim e as obras no edifício da Junta.

O autarca caminhense fez questão de sublinhar que "acredito mais na comunidade do que na individualidade", dando como exemplo o trabalho "colectivo"da Junta de Freguesia que "trabalha e não fomenta guerras".

"Temos pontos de convergência com a Junta"

Após elogiar o papel do presidente da Junta em todo este processo, insistiu que "a Câmara de Caminha tenta encontrar soluções, tendo traçado um plano para o mandato e acredito que vamos cumprir", atirou.

Assegurou que "temos pontos de convergência com a Junta" e destacou os trabalhos executados dentro do edifício-sede que iriam visitar seguidamente.

Aproveitou a oportunidade para recordar que se cumpriam em 2019 os 30 anos em que o presidente de Câmara Pita Guerreiro tinha vindo inaugurar a sede da Junta, a qual, acrescentou, "dá agora mais um salto em frente".

Miguel Alves destacaria ainda "os 50 anos de grande dedicação ao outro", em referência ao pároco de Riba d'Âncora, "na procura da paz interior de muitos" paroquianos.



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