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Caminha

124 Anos dos Bombeiros Voluntários

Baptizado novo Veículo Florestal de Combate a Incêndios

Embora com os olhos já postos nos 125 anos de existência da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caminha que se celebrarão no próximo ano, o aniversário deste ano (4/Agosto) teve como ponto alto o baptismo de uma nova viatura Mercedes para combate aos fogos florestais, adquirida por 40.000€, comparticipada com 34.500€ pela Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, atendendo a que vem substituir um "velhinho" veículo de marca Renault, assinalou Casimiro Lages, presidente da direcção, no decorrer de um acto protocolar.

"Made in Caminha"

Contudo, a mera aquisição do Unimog 5000 não significou que o carro estivesse preparado de imediato para ser utilizado nas funções para as quais estava destinado. Teve de ser "transformado e adaptado" ao combate aos incêndios florestais, frisou o presidente.

Para esse efeito, muito contribuiu a "dedicação" do Comandante Vítor Silva que "perdeu muitas horas do seu tempo de lazer e de sono" para que a viatura estivesse funcional no dia do aniversário, precisou Casimiro Lages, contando com a colaboração de outros bombeiros, tando elencado os nomes de Carlos Rei, Mário Alberto, Erikson, Justino e muitos outros, sem esquecer a "incansável" e prestimosa disponibilidade e apoio das empresas "Metalocaminha" (nomeadamente aos senhores Meira, Avelino, Igor e Ricardo e "Auto Gandres (senhor Aníbal).

O desvelo patenteado pelo Comandante do Corpo Activo na adaptação da viatura (um apaixonado pela mecânica), levou a direcção da AHBVCaminha a baptizá-la com o seu nome.

O presidente da direcção, a propósito da funcionalidade deste veículo, não se cansou de "reconhecer o notável trabalho" que tem vindo a ser desenvolvido pelo "nosso Comandante Engenheiro Vítor Silva".

Outra aposta da actual direcção já destacada em anos anteriores, prende-se com a mudança da secretaria para o rés-do-chão do quartel-sede, o que facilitaria o acesso a pessoas com mobilidade reduzida, justificou.

"Poupar bastante dinheiro à associação"

Interpelamos o Comandante Vítor Lima sobre os elogios prestados ao seu contributo na adaptação da viatura, reconhecendo o seu esforço, "a par da ajuda preciosa de alguns elementos desta corporação", completou.

Explicou que foi possível substituir o chassie (carroçaria), mas "faltava o melhor", em referência ao carroçamento do veículo para que essa transformação o tornasse operacional.

Face às dificuldades financeiras sentidas pela associação, "o que impedia que esse trabalho fosse adjudicado a empresas especializadas, fizemos uso dos nossos próprios recursos e com a ajuda de algumas empresas do concelho conseguimos levar a cabo essa transformação, como hoje é visível".

Esta coordenação de trabalhos permitiu "poupar bastante dinheiro à associação", impossibilitada que estava de adquirir uma viatura totalmente nova.

Adiantou que este veículo foi submetido à carga operacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil e à apreciação da transformação ao IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes), contando utilizá-lo ainda nesta época de fogos florestais, referindo que possui um depósito com capacidade para 4.000 litros de água e "com boa capacidade para transpor terrenos difíceis e facilitar o combate às chamas na zona de floresta".

Analisando o número de bombeiros que compõem actualmente o corpo activo, Vítor Silva não hesitou em admitir "com humildade, que face às nossas solicitações, esse número nunca é suficiente". "Contudo", frisou que "a associação está viva, mas apelamos à sociedade para que nos traga mais gente", frisando ainda que "é um orgulho receber esses novos elementos".

Pronunciando-se sobre o parque de viaturas, referiu existir uma "carência na parte urbana". Recordou que o antigo Serviço Nacional de Bombeiros "dava algum suporte nesse âmbito", mas, prosseguiu, "infelizmente, atendendo ao que se tem passado no país, o olhar da parte política tem-se virado mais para a floresta - o que é necessário também -, mas a intervenção urbana, em que Caminha tem um centro histórico importante", será necessário não descuidar, incluindo o apetrechamento com equipamentos de protecção individual, "o que "é muito caro", clarificou.

Este momento foi ainda aproveitado para benzer duas ambulâncias novas de transporte de doentes, de modo a "suprir necessidades" que vinham sentindo, assim foi justificada a sua aquisição, bem como foi dado um banho de mangueira (espécie de baptismo) a três novos bombeiros de 3ª classe acabados de concluir a formação e o estágio.

Diferenciação salarial desagrada

A diferenciação salarial existente entre os elementos de apoio aos serviços de saúde (urgências e transporte de doentes) e os que integram a as Equipas de Intervenção Permanente (criadas para intervenções imediatas, designadamente no combate aos incêndios florestais, embora só funcionem à semana, entre as 8 e as 17 horas), mereceu uma chamada de atenção de Casimiro Lages. O principal responsável pela condução dos destinos da associação vincou que "gostaríamos que todos os bombeiros assalariados tivessem um salário igual para idêntica função", mas duvida dessa possibilidade porque, justificou, "se até a actual Equipa de Intervenção Permanente (EIP) tem dois equipamentos, a nós se deve, pois nem a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil nem a Câmara Municipal, parceiras no financiamento daquela equipa, tiveram essa preocupação", lamentou.

Apesar de temer que esta igualdade salarial e melhor apetrechamento das equipas não seja resolvida a curto prazo, Casimiro Lages assegurou nesta sessão solene que "continuaremos a pugnar junto da ANPC, juntas de freguesia (não dão mais apoio devido à escassez de recursos financeiros, pormenorizou) e CMC para que a ajuda possa vir um dia".

"Orgulho, gratidão e confiança"

Nesta data, foram ainda agraciados diversos bombeiros com distintas medalhas, no decorrer da sessão solene que decorreu no salão nobre da associação, presidida por Luís Carlos Rodrigues, presidente da assembleia geral, o qual agradeceu a presença de todos, "o que só enriquece a nossa cerimónia e dignifica a nossa instituição", precisou.

Luís Carlos Rodrigues utilizou três palavras com que definiu o momento: "orgulho" pelos 124 anos de vida da instituição, "gratidão" em referência a todas as pessoas que ao longo destes anos a dignificaram e "confiança" em relação a todos aqueles que "todos os dias dão o seu melhor" pela associação, dignificando dessa forma o "nosso passado".

"Total confiança"

O Comandante Vítor Silva, após elogiar a disponibilidade dos seus homens e "depositar total confiança" neles, e agradecer a colaboração de todo o Corpo Activo na adaptação do novo carro, pediu ao representante da Liga e ao vice-presidente da Câmara que contribuíssem para o reequipamento dos bombeiros na componente urbana.

Vítor Silva agradeceu à população e às juntas de freguesia em cujo território intervêm, o apoio demonstrado.

"Associações absolutamente necessárias"

A celebração de 124 anos significa que estas "associações são absolutamente necessárias", vincou Guilherme Lagido, representante da Câmara Municipal de Caminha nestas cerimónias (juntamente com Luís Mourão, presidente da Assembleia Municipal), quando usou da palavra.

O vice-presidente camarário, perante os novos bombeiros investidos nesse primeiro domingo de Agosto e face às "décadas e décadas" de serviço à população, concluiu que a AHBVCaminha "tem futuro", porque, prosseguiu, "há aqui gente empenhada e que quer continuar a dar o seu contributo".

O autarca caminhense enalteceu também a prestação de homens e mulheres que durante 365 dias e as 24 horas diárias se encontram disponíveis para intervir em qualquer circunstância.

Enquanto responsável pela Protecção Civil concelhia, Guilherme Lagido referiu que quando se desloca a um teatro de operações, não ouve críticas, mas tão só gente empenhada no trabalho que desenvolvem, e "sempre ao nosso lado" e "a quem nós devemos muito", recordou.

Referiu que após estes seis anos de experiência autárquica, tinha resultado a alteração introduzida nos apoios às duas corporações concelhias. Em vez de darem contributos "aos bochechos", optaram por celebrar protocolos, participando nos serviços prestados e na formação dos bombeiros.

Lagido optou ainda por particularizar um dos serviços prestados pelos bombeiros no período de seca, e que se prende com o abastecimento de água, sempre que esta escasseia em algumas freguesias, restando como única alternativa o recurso aos soldados da paz.

Esta vertente do apoio dos voluntários mereceu palavras elogiosas do orador, porque, justificou, "tanto na saúde, como na protecção civil, só não as valorizamos quando não as temos", mas para que estes serviços existam, "é porque há alguém que trabalha para isso", concluiu.

Referindo-se às EIPs, considerou-as uma "mais-valia", embora num concelho com duas corporações, elas são a dobrar.

Por último, destacou a oportunidade dos bombeiros nas épocas de calor como as que se vivem nos meses de verão/outono, mostrando confiança nos bombeiros concelhios, seguro que está na sua resposta pronta.

Os representantes da Liga dos Bombeiros, Federação e Protecção Civil distrital também teceram alguns comentários sobre o momento actual dos Bombeiros, dando resposta a pedidos de apoio ouvidos nesta sessão.

Este aniversário incluiu ainda uma romagem ao cemitério de Caminha, onde foi depositada uma coroa de flores junto ao monumento de homenagem aos Bombeitos, e um convívio no Quartel-sede no final de todos actos oficiais e protocolares, em que não faltou o bolo com as velas do 124º Aniversário da Associação Caminhense.


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