Na primeira reunião camarária de Setembro - após um interregno de um mês devido às férias de Agosto e à falta de propostas a merecer apreciação pela vereação nesse período, conforme justificou Miguel Alves na sessão de início de Agosto -, surgiu um munícipe, Manuel Chevarria Glória a pedir explicações sobre uma série de situações.
Ecovia Seixas-Lanhelas sem solução
O morador começou por pedir uma resposta para o impasse na ligação da ecovia entre Seixas e Lanhelas pela beirada do rio, cujo acesso, inclusivamente, se encontra cortado.
Segundo Miguel Alves, presidente do Município, "não temos por onde passar a ecovia", porque o terreno previsto no projecto "é privado". Perante a insistência do morador, inconformado com o poderio do dono do terreno, e chamando a atenção para o sucedido com as expropriações levadas a efeito pelo Estado para a passagem da então IC1 e agora A/28, o autarca frisou que não existe qualquer processo de expropriação, porque seria dispendioso para os cofres da autarquia, além de não terem dinheiro para pagar a eventual expropriação, caso ela fosse determinada pelo tribunal.
Passadiços do Camarido degradados
Manuel Chevarria Glória abordou também o estado calamitoso dos passadiços do Camarido, quer o de Cristelo, em direcção ao mar, quer o que estabelece a ligação até à praia da foz do Rio Minho.
"Os passadiços apodrecem rapidamente", justificou Miguel Alves a situação. Só haverá duas alternativas; substituí-los ou reparando-os, "como o temos feito", precisou. O autarca lamenta que roubem tábuas e estacionem em cima deles, como sucede junto ao pontão de embarque da foz.
WC da praia de Moledo fechado
Outro caso trazido a esta sessão pública pelo munícipe, prendeu-se com o facto de existir uma casa de banho nos baixos da obra de prolongamento para sul do paredão de Moledo que se encontra encerrada.
Segundo esclareceu o presidente da Câmara, tinha sido a Junta de Freguesia a pedir a construção de um WC neste local - uma vez que este apoio à praia não estava contemplado no projecto -, mas a competência de "o manter seguro e limpo" pertenceria à autarquia moledense, afirmando, por isso, que a Câmara não iria intervir no seu funcionamento.
O morador insistiu na necessidade de que a casa de banho, ao menos, estivesse aberta nos três meses de verão e escandalizou-se com a existência de "muitos chefes e poucos índios" na Câmara Municipal, interrogando-se sobre a razão de "haver tanta gente a fazer nada".
Guincho do cais da Rua sem utilização
Aproveitou ainda a oportunidade para manifestar a sua discordância em relação à obra do cais de Caminha e criticou a inoperacionalidade do guincho instalado para puxar as embarcações de pesca, bem como a situação na doca de Vila Praia de Âncora.
A discussão entre ambos prolongou-se durante algum tempo, com Miguel Alves a recordar-lhe que iria ter oportunidade de se pronunciar nas próximas eleições autárquicas, atendendo a que considerava que estava tudo mal feito, e com o munícipe a pedir que "olhem por Caminha".