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Análise dos impactes ambientais originados pela exploração do lítio

PREVENÇÃO E CONTROLO

1 - INTRODUÇÃO

Considero que os responsáveis neste País são "avessos" à prevenção de obras; em 2000, resolveram realizar obras, denominadas "portinho de Vila Praia de Âncora".

Fizeram um estudo de "ANÁLISE DE IMPACTE AMBIENTAL" o qual nada não foi respeitado, mesmo sendo alertados por técnicos quer nacionais como estrangeiros, dando origem, a um pequeno porto de mar que todos os anos tem de ser dragado para ser viável..

Veja-se um extracto de um semanário local "Terra e Mar", como se referiram a um técnico que os alertava para o disparate que fizeram conjuntamente com uma Associação ambiental reconhecida nacional e internacionalmente.

Os mesmos intelectuais e "clubes políticos da altura" parecem querer avançar com a exploração de lítio, na serra de Arga embora se desconheça se existe algum "ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL"; no entanto sabe-se que uma área considerável está integrada na REDE NATURA 2000 "SITIO SERRA DE ARGA", QUE SE ESTENDE POR TODA A REDE HIDROGRÁFICA DO RIO ANCORA.

Por isso, pareceu-me importante, mais uma vez, dar a conhecer aos portugueses uma realidade, expondo o que de facto poderá suceder a toda essa área e quais as consequências que poderão acontecer, caso esse projecto possa ser realizado na área em questão.

2 - PESQUIZA DOS DISPARATES QUE SE CONHECEM - E O QUE SUCEDERÁ CASO AVANCEM

1 - João Branco da QUERCUS referiu que as reservas de lítio dos outros países, se extraem de lagos, um sal que contém aquele elemento. e que o impacto da mineração depende da sua concentração

2 - No caso de Portugal o mineral onde se encontra o lítio chama-se espodumena. Para retirar o lítio desse silicato de lítio e alumínio, a rocha extraída das minas tem de ser aquecida, pulverizada com areia fina, que depois é submetida a reagentes como o ácido sulfúrico. A nova mistura será aquecida, filtrada e concentrada pelo método de evaporação. Daí resultando o carbonato de lítio.

3 - Também alerto que as reservas de lítio estudadas em Portugal estão todas localizadas na rocha, o contrário de outros países, o que vai originar necessidade de se fazerem explosões.

4- Se for pouco concentrado, terá que ser extraída e escavada mais rocha, o que poderá produzir uma quantidade considerável de escória, sujeitas a processos de lavagem, que produzem muitos poluentes.

5 - As grandes quantidades de água e os químicos tóxicos utilizados, dão origem à destruição da paisagem, zonas agrícolas e florestais, com toda a sua fauna e flora, são os maiores custos da exploração de lítio a partir da rocha. Valerá a pena? Ou estamos a trocar as energias fósseis por energias que só parecem limpas?

6 - Toda a rede viária irá ser ampliada, e a industrialização irá dar origem a todo o tipo de poluição.

Tendo em atenção, os dados geológicos do terreno em causa "Serra de Arga", a situação agrava-se porque, como referem os especialistas a :
- indústria extractiva, a céu aberto da extracção da rocha onde se encontra esse mineral é granítico, além disso essas explorações obrigam a grandes escavações e aterros e a um equipamento pesado, para todo o tipo de infra-estruturas, (estradas, barragens, etc.);

Destas actividades resulta frequentemente a alteração drástica da topografia original, perturbação da estabilidade física e mecânica das formações geológicas, desequilíbrios nos sistemas naturais e criação de paisagens de baixo valor estético. Esta breve abordagem tem por objectivo delinear os principais factores a ter em conta na elaboração de uma metodologia para o estudo de impactes ambientais de pedreiras.

1 - IMPACTOS FACTUAIS QUE OS TÉCNICOS BOLIVIANOS REFEREM
- Tendo em consideração a descrição de técnicos boliviano sobre os resultados da extracção do lítio nesse país, torna-se preocupante, pois eles referem que essas áreas deixaram de ser um recanto exclusivo para ecologistas, mas adiantam que de acordo com as mudanças, a exploração trouxe, a destruição desses locais, tornando-se o de acordo com eles, UMA MONTANHAS DE LODO"

Além disso, as pesquizas realizadas pelo Centro de Estudos de Desenvolvimento Laboral e Agrário (CEDLA)- "Bolivia" advertiu sobre a preocupação gerada pelos impactos ambientais esperados do projecto de Uyuni conforme declarações do chefe da GNRE, o Centro de Estudos reafirmou sobre o perigo de contaminação maciça, incluindo a calcinação dos solos,

2. IMPACTES AMBIENTAIS DE ESCAVAÇÕES DA ROCHA PARA EXTRACÇÃO DO LITIO

2.1. IMPACTES na qualidade do ar
- Sendo o lítio um dos mais leves minerais, a concentração das poeiras poderá originar uma poluição dos locais mais próximos, como terrenos do Vale do Coura e até do Vale do Lima (não é por acaso que colocaram as Eólicas), o que qualquer ser humano normal percebe que mexerem na serra de Arga originará uma elevada poluição de poeiras, fumos e gases.
- Irão causar graves danos na saúde pública (ocupacionais e em áreas residenciais limítrofes);
- Também não devemos esquecer os efeitos sobre a vegetação e em explorações agro-pecuárias: redução da fotossíntese, queda prematura das folhas, perdas; menor imunidade a doenças e pragas futuras.

2.2. RUÍDO
- De acordo com o que é referido pelos técnicos, sabemos que qualquer exploração na serra de Arga, só poderá ser feita em terreno rochoso, através de explosões o que irão criar ruídos excessivos, danos na saúde pública originando,). Perturbação do sono, interferências no discurso (aulas, etc.);

2.3. IMPACTES NO SOLO
- Perda de solo arável
- Remoção e mistura em escombreira com outros solos e rochas; compactação por sobrecargas e passagem de equipamentos pesados;
- Redução das áreas agrícolas e florestais; erosão acelerada das áreas limítrofes.
- Contaminação por substâncias tóxicas
- Descarga directa de efluentes (óleos, etc.) e depósito ou enterramento de resíduos industriais.

2.4. Impactes na qualidade da água e nos cursos de água

A descarga de efluentes carregados de sólidos em suspensão
- Redução da infiltração dos cursos de água: redução da penetração da luz, diminuição de fotossíntese, redução da produtividade de organismos planctónicos e bentônicos, redução da quantidade de nutrientes, afectação da cadeia alimentares; perda de valor estético;
- Abrasão: danos em animais e plantas;
- Alteração da drenagem superficial.
- Aumento dos riscos da erosão e inundação; prejuízos nas actividades agrícolas e florestais.

2.5 - Interferência no regime hidrogeológico
- Ao alterar todo o regime higrológico vai alterar todo o circuito de produção alimentar serrano e um esgotamento de todos os ecossistemas locais.
- Contaminação de águas superficiais e subterrâneas.

2.6. PROCESSOS E RISCOS GEOLÓGICOS
- Instabilidade de taludes de escavação e de aterros
- Riscos de acidentes com operários e equipamentos no interior dessas pedreiras; o Erosão, transportes e sedimentação
- Arrasto de sólidos para linhas de água (Ter em atenção o areamento do portinho de Vila Praia de Âncora).
- Danos na saúde pública (ocupacional e em áreas residenciais limítrofes).

2.7. Impactes na flora e fauna

A partir do já referido temos de ter em conta a destruição do coberto vegetal
- Eliminação de coberto arbustivo e arbóreo; danos em árvores (corte de raizes, etc.);
- Destruição de habitats e perturbação de áreas limítrofes;
- Empobrecimento da riqueza florística e faunística local.

2.8. Impacte visual

Degradação da paisagem
- Introdução de elementos (maquinaria, etc.); dando origem a panorâmicas de valor estético negativo.

2.9 Impactes no património natural, construído e infra-estruturas
- Destruição (escavações e aterros e criação de zona industriais), delapidação de todo um património natural, arqueológico e geológico.

A Incidência de todos estes impacte, vão colocar em duvida a própria existência da praia de Vila Praia de Âncora, ou de outras dependendo da área que possam vir a Explorar.

DE ACORDO COM O REFERIDO ACIMA.

A EXPLORAÇÃO CONTÍNUA DO LITIO, IRÁ AGRAVAR E DESTRUIR O AMBIENTE CONTINUAMENTE, AGRAVANDO TODOS OS IMPACTOS AMBIENTAIS.

DEVIDO A ISSO CONSIDERAMOS QUE SERÁ UMA ATITUDE DE UMA IGNORÂNCIA EXTREMA, PERMITIR A EXPLORAÇÃO DE LITIO NA SERRA DE ARGA, PORQUE COMO PODEMOS CONCLUIR SE ISSO SUCEDER IRÃO DESTRUIR E POLUIR DIVERSAS CADEIAS ALIMENTARES QUE EXISTEM NA SERRA, QUE INTEGRAM O CIRCUITO ALIMENTAR HUMANO, COMO O CASO, DO GADO OVINO, BOVINO, CAVALAR ETC.

ALÉM DISSO, E DENTRO DO MESMO ASSUNTO EXISTEM OS CIRCUITOS HISTÓRICOS DESSES PERCURSOS QUE SERÃO DESTRUÍDOS.

TAMBÉM REDUZIRÃO A ÁREA REFERENTE DOS PROJECTOS:

QUER O REFERENTE AO DO "LOBO IBÉRICO", COMO AO PROJECTO " HIGRO QUE SE DESENVOLVE EM TRÊS SÍTIOS DE IMPORTÂNCIA COMUNITÁRIA TENDO O DA SERRA DE ARGA O NOME DE (PTCON0039)".

CONCLUSÃO

Concluimos este trabalho com uma fotografia do Portinho de Vila Praia de Âncora, para relembrar uma obra que originou a destruição daquele e para não esquecerem que não podemos ser geridos por parolos, fiquemos por aqui….

17-7-2019 - J. Vasconcelos - Lic. em Engª Civil - Bach. em Civil e Minas

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Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
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Da Monarquia à República no Concelho de Caminha
Crónica Política (1906 - 1913)

Autor: Paulo Torres Bento
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O Estado Novo e outros sonetos políticos satíricos do poeta caminhense Júlio Baptista (1882 - 1961)

Organização e estudo biográfico do autor por Paulo Torres Bento
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