As alterações introduzidas ao trânsito na Sandia/Vista Alegre como resultado das obras de beneficiação levadas a cabo nos últimos meses, suscitaram críticas na última Assembleia de Freguesia (AF), com repercussão na reunião camarária do passado dia 1.
Manuel Luís, delegado socialista à AF, perguntou à Junta de Freguesia se "nada mais se poderia fazer" a fim de corrigir a situação, e o seu colega Rui Amorim, após lamentar que os Bombeiros não tivessem sido ouvidos sobre a proposta de modificação da postura de trânsito aprovada em reunião camarária ("fizemos o que a Junta de Freguesia pediu", esclareceu Miguel Alves, presidente do Município, no plenário camarário realizado uma semana depois desta AF), referiu que o trânsito se encontrava condicionado nesta zona norte da vila. O delegado socialista pediu que fosse introduzida uma alternativa na Trav. 5 de Outubro, com a finalidade de facilitar a mobilidade dos Bombeiros, a par de a situação se poder tornar "grave" às quintas-feiras (dia de feira) na Rua de Gontinhães. Este delegado, simultaneamente bombeiro e director da corporação ancorense, sugeriu a mudança de local da feira semanal.
"Todos erram"
Após Tiago Castro, delegado social-democrata, se ter referido igualmente à situação na Sandia/Vista Alegre, Carlos Castro, presidente da Junta, evidenciou contentamento pelo esforço desenvolvido pelos Bombeiros a fim de corrigir o trânsito, garantindo que um arquitecto camarário iria estudar a circulação neste ponto. "Vou ser franco", abriu-se Carlos Castro, "todos erram", admitiu, ao criar-se um único sentido na Vista Alegre, estando a prever uma alteração que contemple as reclamações dos ancorenses.
AF sem conhecimento
Este assunto motivou ainda um reparo por parte do social-democrata José Vieira, porque a AF não tinha tido conhecimento das alterações introduzidas e que "vão criar dificuldades ao trânsito". No entender deste delegado que já integrou há anos o elenco da junta, "somos marginalizados pelas câmaras socialistas e só com as do PSD é que se respeitou Vila Praia de Âncora". "Só fazem festa nesta terra", disse. Perante este cenário, o delegado José Vieira anunciou que vai pensar sobre a sua continuidade na Assembleia de Freguesia, hipótese que o presidente deste órgão autárquico, Manuel Marques, pretende evitar.
"Foi a maior vergonha de todos os tempos"
Uma moradora, Idalina Torres, presente nesta sessão da AF, considerou as alterações introduzidas no trânsito "a maior vergonha de todos os tempos", em que nem sequer os Bombeiros e GNR foram ouvidos, denunciou.
Disse que discordava da nova postura do trânsito que "obriga a dar mais de um quilómetro à volta". "Está na hora de se unirem e deixarem a política", insistiu por diversas vezes, dando como exemplo a problemática agravada na Rua de Gontinhães, por motivo do mercado/feira, sugerindo que as barracas passassem "para cima", resolvendo-se dessa forma o constrangimento no trânsito.
"Estão a brincar?"
Esta moradora manifestou ainda a sua insatisfação pelo preço da água de consumo, tendo pago 200€ este mês, levando-a a interrogar-se se "estavam a brincar".
A falta de luz pública junto dos comércios da Rua 5 de Outubro e a falta de estacionamento para deficientes junto à CGD foram igualmente objecto de apreciações depreciativas por parte desta moradora e de outra comerciante, a qual disse ter medo de estar sozinha no seu estabelecimento, associando-se ainda à crítica à alteração ao trânsito que a faz "dar uma volta enorme", lamentou Irene Oliveira.
Postura de trânsito será alterada
Perante a contestação às modificações ao trânsito verificadas em Vila Praia de Âncora, a vereadora Liliana Silva trouxe o assunto à reunião camarária de início deste mês, no intuito eliminar os "constrangimentos" criados e pedindo dois sentidos. A edil adiantou que se tinha deslocado a essa zona e reconheceu logo que tinha errado quando aprovara a modificação do trânsito. A pedido de uma cidadã, frisou, vai haver uma reunião no dia 15 com os moradores, a fim de debater a sinalética alterada, situação que o presidente camarário desconhecia, tal como o vice-presidente Guilherme Lagido e, vincou este, tanto quanto sabia, "ainda sou o responsável pelo trânsito".
Perante esta proposta, Miguel Alves recordou que a proposta de alteração sugerida pela Junta de Freguesia tinha sido aprovada por unanimidade, mas estava disponível para alterá-la.
Mas não só do trânsito se falou na AF ancorense.
Passadiços
"O passadiço em mau estado está em Âncora, mas afecta Vila Praia de Âncora", vincou o delegado Manuel Luís na Assembleia de Freguesia da vila, temendo que a responsabilidade da sua reabilitação não seja de ninguém, adiantando a possibilidade de criação de um grupo de voluntários para "pregar umas tábuas". A falta de limpeza na Rua da Cegonha foi objecto de reparo, acrescentou ainda o delegado socialista. A Junta já tem avisado da situação da R. da Cegonha/N305, por inúmeras vezes, mas quanto ao primeiro caso, é da competência da Polis, assegurou.
Manuel Luís desafiou a Junta de Freguesia a convocar uma AF a fim de definir qual será a data do Dia da Comunidade Ancorense e manifestou o seu contentamento pela organização de um arraial que a Câmara de Caminha está a preparar para o dia 31 de Julho nesta vila, bem como pela assinatura de um contrato para um investimento do Ministério da Educação no montante de 1,8 milhões de euros para a construção da EB 1.
Bombeiros preparados para combater fogos
Em plena época de fogos florestais, o delegado Rui Amorim aproveitou este fórum de debate e decisão sobre assuntos da terra, a fim de garantir que os Bombeiros ancorenses "estão preparados para combater os incêndios", possuindo duas equipas de 12 homens e um plano de actividades definido.
"Com esse dinheiro ficavam com todo o património da Ancorensis"
Manuel Marques, após se regozijar com os galardões conquistados para a praia, ("mas porque houve um trabalho precedente", assinalou), teceu algumas considerações sobre o projecto de construção da EB1 de Vila Praia de Âncora, referindo que a verba (1,8 milhões de euros) a aplicar era proveniente de uma candidatura "e do nosso dinheiro", mas, segundo este delegado, teria sido preferível ficar com todo o património da Ancorensis.
O caso do encerramento da Ancorensis foi ainda glosado por Tiago Castro, referindo que diziam que a EBS do Vale do Âncora tinha capacidade para todos os anos, mas, agora, pretendem fazer uma escola nova. Aproveitou ainda para pedir mais cursos secundários na escola ancorense.
"A EB1 é muito bem-vinda", reconheceu Carlos Castro antes de agradecer ao Governo a decisão, fruto da pressão que foi feita, precisou, mas comprovando-se agora que a EBS do Vale do Âncora não tinha capacidade para acolher toda a população estudantil, obrigando à construção de um edifício novo.
Tanto o caso da Ancorensis, como dos passadiços, suscitaram forte discussão entre o delegado Manuel Luís e Carlos Castro.
Transferência de competências rejeitada
A transferência de competências para a Junta de Freguesia foi rejeitada pela AF, indo ao encontro da proposta apresentada nesse sentido pelo Executivo local.
Esta proposta foi aprovada por unanimidade, reconhecendo o delegado Manuel Luís Martins que sem libertação de recursos financeiros será difícil aceitá-las.