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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor

FESTIVALAR POR AÍ - PORTO E NORTE

Há mais de uma dezena de festivais no Minho e Douro Litoral durante os meses de Julho e Agosto. Vilar de Mouros, Paredes de Coura, Ponte da Barca, , Viana do Castelo, Braga, Amarante, Terras de Bouro, , Moledo, Caminha, Porto e Vila Nova de Gaia, são alguns pontos de chegada. Para amantes de música e artes, com muita música à mistura.

Desde os anos 1960 que Vilar de Mouros, não deixa dormir os minhotos no Verão. Obviamente que os contornos do evento de 2019 diferem muito dos que animavam as gentes do século passado, mas este ano , a celebração do 50º. Aniversário, manda caprichar: Os MANIC STREET PREACHERS, fazem parte do chamariz e a festa entre 22 e 24 de Agosto promete. Se não for a sua onda, não desperdice a viagem. Dê um salto à Foz do Minho e no caso o tempo o permita, disfrute do Mar do Norte. Se a meteorologia lhe trocar as voltas, vá a Caminha. Chegará ao ponto de observação por excelência deste canto de Portugal: a paisagem estende-se por todo o estuário e pela costa espanhola adjacente; uma visão vertiginosa que fará valer os quilómetros percorridos. Claro que a proximidade da fronteira com a Galiza poderá fazê-lo ponderar galgar fronteiras, mas, se ficar por terras lusas, não perde. HÁ MAIS PARA DESCOBRIR NO NORTE. Se anda a contar os dias para ver os norte-americanos THE NATIONAL, o mais provável é que já tenha reservado os dias 14 a 17 de Agosto, para estar em Paredes de Coura. O Festival decorre junto à praia fluvial do TABUÃO, mas nada obsta que vá a banhos num sítio mais calmo e neste aspecto a Região não desilude: há muitos espaços por onde escolher. Aliás, se estiver por lá uns dias mais cedo, ainda vai a tempo de apanhar o SONIBLAST em Moledo, de 8 a 10 de Agosto. As bandas tocam em dois palcos e os participantes podem disfrutar não só do campismo habitual neste tipo de eventos, como também de uma piscina e de uma praia a uns cinco minutos a pé do recinto. Para fugir à confusão, lembre-se que está a menos de meia hora dde VIANA DO CASTELO, onde poderá ter algum descanso, pelo menos até 7 de Agosto, altura em que começam os QUATRO DIAS DO ELECTRÓNICO NEOPOP. Beba um copo de vinho verde, tinto ou branco, numa das esplanadas à beira-rio, enquanto pensa no que fará a seguir e aproveite para apreciar a ponte, perto da marina, projectada por Gustave Eiffel em 1878 ( com a linda idade de 141 anos), à espera de receber o combóio INTERCIDADES, VIANA DO CASTELO-LISBOA-SANTA APOLÓNIA, previsto para este mês.

Caso tenha a rota traçada para o ECOS DO LIMA, em Ponte da Barca, o Gerês ROCK FEST, em Terras do Bouro, o RODELLUS OU O DANCE FLOOR, em Braga, o MIMO PORTUGAL, em Amarante ou o ELÉCTRICO FESTIVAL, no Porto, terá de rumar ao NORTE logo neste mês ( OS FESTIVAIS DECORREM ENTRE OS DIAS 12 28). Farto de barulho? Então fuja para o ALTO DOURO VINHATEIRO e visite Foz Coa. Claro que o cartaz recheado do MEO MARÉS VIVAS, que decorre em Gaia de 19 a 21 deste mês, lhe pode pôr um travão. Nesse caso, dê um salto à MUI DIGNA INVICTA CIDADE DO PORTO e perca-se em SERRALVES.

Caro leitor. Depois desta viagem, que mais dizer sobre o PORTO E NORTE DE PORTUGAL, os Festivais de Verão, as sua praias, as suas montanhas, a sua gastronomia, a sua gente, a arte de bem receber. Ainda pensa passar as suas férias no ALGARVE? NA PNP, REGIÃO , " abençoada por Deus e pela Natureza", tudo é genuíno, tudo é belo. A PORTO E NORTE DE PORTUGAL, ESPERAM POR SI. LA PORTO E NORTE DE PORTUGAL, VOUS ATTENDS. THE PORTO E NORTE DE PORTUGAL IS WAITTING FOR YOU.

NI- Parte deste artigo foi escrito por Alda Mota, da revista PROTESTE.

Antero Sampaio



À LAIA DE CONFIDÊNCIA

Acabei de assistir na TV a um apontamento de reportagem sobre a manifestação em Lisboa do Orgulho gay. Da minha roda de convívio fazem parte alguns que não são heterossexuais e orgulho-me muito de os ter como amigos. A amizade não tem cor nem sexo e não abraço com menos ternura uma amiga ou amigo por ser homossexual. Retraio-me sim se perceber que não são tão leais como eu imaginava.

Não percebo, por isso, qual a necessidade de se vir para a rua afirmar a orientação sexual de cada um quando ela só diz respeito à própria pessoa. Nunca vi ninguém em manifestações públicas a afirmar " eu sou homem, eu sou mulher, eu sou negro, eu sou cigano, eu sou gordo". A quem interessa saber? Interessa sim saber se me preocupo com o OUTRO, com a solidão que o mata, com o desamor com que o mimam e não é preciso alardear nas avenidas como sou " boazinha " porque até me preocupo com isso.

Diziam alguns entrevistados que era uma maneira de lutarem contra o preconceito, contra a ostracismo de algumas franjas da sociedade que os olham de lado como se fossem doentes altamente contagiosos. Pois continuo a afirmar que nada têm que justificar e também não será com exibições deste género que se furtam à censura de alguns elementos da sociedade. Já vai longe o tempo em que leprosos tinham que agitar uma campainha para avisarem que iam passar e podiam contagiar os que com eles se cruzassem. Não consigo ficar indiferente aos comentários, aos risinhos de quem os vê em exibição como se de um corso circense se tratasse. Incomodam-me sobremaneira os apontamentos de revista que mostram os actores a macaquear os gays. Não gosto, pronto.

Gays do meu país parem de se justificar! O Amor não vos merece isso!

Zita Leal



Linhagens do Porvir

Ao longo do período da História da Humanidade, as gerações sucedem-se, normalmente, e cada uma tem os seus princípios, valores e sentimentos, em algumas delas, idênticos aos que lhes foram transmitidos pela família, pela Igreja, pela escola, pela empresa, pela sociedade e, em outras gerações, a formação axiológico-sentimental obedece a agentes socializadores não-tradicionais, eventualmente, marginais à própria cultura autóctone.

Vive-se a era das Tecnologias da Informação e da Comunicação. Hoje, 2019, pode-se afirmar que se torna praticamente impossível viver sem estas tecnologias e são, precisamente, as novas gerações que dominam este novo, fantástico e audacioso mundo. A privacidade vai sendo posta em causa, os excessos cometem-se com uma frequência impressionante, designadamente através das denominadas redes sociais.

Indiscutivelmente que a internet se tem revelado um instrumento de comunicação, de investigação, de divulgação de descobertas científicas, de localização de pessoas, lugares e espaços físicos em qualquer parte do universo, enfim, um mundo de possibilidades para a informação circular e chegar praticamente a toda a gente, em tempo real.

As novas gerações, quer no presente, quer num futuro muito próximo, como que invadem o mundo, estando presentes em qualquer canto do globo, conversando, enviando e recebendo informação, atualizando-se a propósito de qualquer assunto, acedendo a matérias que em muitos casos ainda não chegaram ao conhecimento de todas as pessoas. A informação é tanta, tão diversificada, e sempre em crescendo que se torna praticamente impossível estar razoavelmente atualizado, mesmo em domínios em que possamos ser especialistas.

Interessa, portanto, analisar até que ponto este mundo fantástico das tecnologias da informação e da comunicação, tem impactos positivos para a reconstrução de um futuro melhor para a humanidade, nesta se incluindo, obviamente, todas as gerações, cabendo aqui enfatizar as que se preparam para conduzir a sociedade, num futuro muito próximo, aos mais elevados níveis de bem-estar, no respeito pelos seus antepassados e pela cultura herdada.

Evidentemente que, como tudo na vida, sempre haverá aspetos positivos e negativos nestas tecnologias, que cada vez são mais utilizadas, por todas as gerações, naturalmente com mais habilidade e eficácia pelas mais novas, que dominam na perfeição todas as funções, e rentabilizam ao máximo as inúmeras potencialidades, com resultados espetaculares.

Acontece que as novas gerações ao deixarem-se assoberbar tão intensamente pelas tecnologias, por vezes, esquecem outras atividades, compromissos, princípios, valores e sentimentos, tão necessários numa sociedade complexa, que vive em permanente conflito, com diversos problemas que, para a maioria, as agruras da vida vêm colocando e que os computadores, por si sós, não resolvem e quando solucionam alguma situação, é necessário que lhes sejam fornecidos, corretamente, todos os elementos, com sentido e perspetivas humanas.

Portanto, não basta a estas novas gerações, dominarem, na perfeição, as tecnologias modernas e do futuro, se não forem preparadas numa cultura axiológica ao serviço da dignidade das pessoas; é insuficiente modernizarem equipamentos, infraestruturas, metodologias e outros recursos se não estiverem sensibilizadas para detetar, compreender e resolver os verdadeiros problemas das pessoas: é inadequada qualquer preocupação de natureza quantitativa, no tocante a alcançar objetivos, se não houver uma predisposição para motivar colaboradores, para avaliar correta e justamente, sabendo distinguir quem é merecedor de prémio e quem não o é, numa determinada atividade, ou num contexto específico.

As gerações mais novas, que atualmente já ocupam lugares importantes de chefia, direção, administração e outros altos cargos, não podem ignorar os testemunhos do passado, não devem rejeitar as sugestões, as boas-práticas de quem já exerceu idênticas funções, porque será no caldeamento de conhecimentos, experiências e novos instrumentos de trabalho, conjugadamente com diferentes conceitos e objetivos, que se alcançam melhores resultados.

Pelo facto de alguém ter conhecimentos, experiências, bons resultados numa dada função, cargo, departamento ou instituição, isso não pode ser utilizado como uma espécie de "arma de arremesso de superioridade profissional", bem pelo contrário, quem estiver em tais condições, o que deve fazer é, com toda a humildade, ensinar quem não sabe, (jamais perseguir, reprimir, castigar) de forma pedagógica, humana, sem humilhar ou magoar a sensibilidade de quem sendo mais limitado, ainda assim, deseja e esforça-se por aprender.

É fundamental acreditar-se nas potencialidades, na generosidade e no voluntarismo das novas gerações mas, por sua vez, estas também devem respeitar a ancestralidade, porque é no passado que vamos beber tudo o que é necessário, para vivermos um presente efémero e construir um futuro, este sim, com menos erros dos que foram cometidos no pretérito, até porque, por mais avançadas que a ciência, a técnica e a tecnologia estejam, sempre vai haver um desconhecido, algo para se descobrir e/ou redescobrir, adaptar e/ou readaptar.

Justifica-se que as novas gerações se preocupem com um certo dinamismo intelectual, com uma determinada personalidade, sempre em evolução, para o bem, se se preferir, a flexibilização de análises, de decisões, de comportamentos, no sentido de se resolverem, adequada, com justiça e humanismo, exatamente, os problemas que afetam as pessoas e não, como por vezes acontece, agravar situações, conflituar por mera obstinação, apenas e tão só para demonstrar o poder de subjugar, humilhar e destruir os seus semelhantes.

A sociedade, extremamente complexa, em que estas novas gerações vão desenvolver as suas atividades: familiares, académicas, profissionais, políticas, religiosas, sociais, associativas, enfim, grupais, entre outras possíveis, certamente que lhes vai exigir muito mais do que recebera das gerações anteriores, aliás, nem de outro modo poderia ser, considerando que o que mais se deseja é o desenvolvimento sustentável, justo, harmonioso, em que os valores da solidariedade, da amizade, da lealdade, da liberdade, da igualdade e da segurança, entre outros, se tornem efetivos, estáveis e em permanente aplicação.

A coesão entre gerações poderá ser o segredo para se constituir uma sociedade mais justa, mais dinâmica, também mais evoluída no sentido do desenvolvimento sustentável, embora sempre em progressão positiva. Ninguém tem nada a perder com a união das gerações, pelo contrário, isso permitirá reforçar os laços de solidariedade, de amizade, de respeito, consideração e tolerância, até porque os mais idosos têm um débito para com os seus antepassados, assim como, e por razões semelhantes, as gerações do futuro terão muito para agradecer a quem lhes possibilitou, por exemplo, ocuparem posições de relevo na sociedade.

Naturalmente que também se pode constatar e, em algumas circunstâncias, com muita razão, diversas situações a que nos conduziram algumas gerações que precederam as atuais, por erros cometidos, por estratégias desajustadas, por objetivos nem sempre alcançados, enfim, por dificuldades que, atualmente, se fazem sentir em diversos setores da sociedade em geral, e mesmo ao nível individual.

Novos paradigmas societários estarão, porventura, na inteligência, generosidade e determinação das gerações futuras, porque elas saberão o que será melhor, quer para elas mesmas, quer para os seus progenitores, e não será facilmente crível que desejem uma vida indigna para os seus pais, avós, parentes, amigos e colegas, sabendo-se, também, que em parte, a postura das gerações que hoje se preparam para comandar o mundo, dependerá muito dos princípios, valores e sentimentos que, no presente, lhes forem sendo transmitidos pelas mais diversas instituições: família, Igreja, escola, empresa, comunidade.

É verdade que nas últimas décadas o regime democrático tem apostado muito na educação, na formação, na valorização pessoal e profissional, contudo, talvez, não tanto como deveria, por isso o reforço nas políticas educativas e de formação profissional, ao longo da vida, seja o rumo certo a seguir, para que um dia as gerações que agora se aproximam do "final da linha da vida", possam usufruir de um pouco mais de conforto, de segurança, de tranquilidade, a todos os níveis.

Por tudo quanto aqui fica refletido, poder-se-á considerar crime lesa-dignidade, da pessoa humana, quaisquer medidas, normas, regulamentos, leis que coerciva e desumanamente retirem direitos adquiridos com tanto esforço, sacrifício e, inclusive, despesa. As gerações do futuro deverão ter tudo isto em atenção, para que um dia não lhes venha a acontecer o mesmo, o que certamente, não iriam gostar.

Diamantino Bártolo


Edições C@2000
Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento
Apoiado pela Fundação EDP

Da Monarquia à República no Concelho de Caminha
Crónica Política (1906 - 1913)

Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


O Estado Novo e outros sonetos políticos satíricos do poeta caminhense Júlio Baptista (1882 - 1961)

Organização e estudo biográfico do autor por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora

Autor: Joaquim Vasconcelos
Edição: C@2000


Memórias da Serra d'Arga
Autor: Domingos Cerejeira
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