O Ministro Pedro Matos Fernandes e o secretário de Estado do Ambiente João Galamba (sobre quem recai a responsabilidade de aprovar ou não os pedidos de prospecção e exploração de lítio) estiveram esta tarde na Comissão de Economia da Assembleia da República e anunciaram que a zona da Serra d'Arga abrangida pela Rede Natura 2000, de 2017, será excluída da área de pesquisa e produção de lítio.
De fora desta área ficam ainda freguesias como Covas, Cerquido e Cabração, Dem e parte das nossas três Argas, pelo que a luta contra esta indústria promete ainda prosseguir.
"Há muitos mais sítios do concelho envolvidos"
Contactado o vereador socialista Guilherme Lagido, responsável pelo Ambiente no município de Caminha e pela coordenação do projecto de criação de uma área protegida para a Serra d'Arga, embora valorizando esta medida, realça a necessidade de preservar os demais sítios de interesse comunitário (Bacias hidrográficas do Âncora, Coura e Litoral caminhense), bem como toda a Serra d'Arga.
Refere que de nada valerá preservar esses sítios classificados, se a montante existirem intervenções que os venham a pôr em causa, dando como exemplo explorações em Paredes de Coura ou Covas que afectem o rio Coura, ou noutras freguesias que intercedam negativamente no rio Âncora, por exemplo.
Contudo, Guilherme Lagido crê que "se conseguirá isso (preservar o ambiente, paisagem e património)", voltando a realçar o que afirmou em Arga de S. João há 10 dias: "É mais importante a diplomacia do que a guerra".
"Já valeu a pena"
A deputada Liliana Silva, uma das políticas mais empenhadas na defesa da Serra d'Arga, dos espaços classificados e com interesse turístico do concelho, confirmou-nos as declarações do ministro na Assembleia da República, após todas as câmaras envolvidas nesta polémica se mostrarem contrárias à indústria desse minério num espaço tão sensível como o seu.
A deputada social-democrata admitiu que "já valeu a pena" todo o esforço desenvolvido, embora ainda haja muito trabalho a desenvolver, porque as áreas não abrangidas pela Rede Natura 2000 ainda se mantêm como hipótese de exploração.
Deu como exemplo os compromissos deixados pelo secretário de Estado na reunião da comissão da AR, de que estavam a preparar a concessão de royalties (compensações financeiras) às câmaras municipais em cujo território venham a ser autorizadas escavações e remoção de pedras, assim como eventuais promessas de criação de emprego através de indústrias extractoras e de tratamento dos minérios.
Assinalou ainda que não se podem comparar as áreas em causa nos últimos pedidos de pesquisa e exploração de minério, substancialmente maiores das que foram pedidas antes de 2014.