A Associação de Pescadores Profissionais do Rio Minho e Mar completa no dia 11 de Novembro 30 anos de existência e gaba-se de ser "a mais antiga do país".
A fim de assinalar a data, a direcção pretende homenagear os pescadores/sócios falecidos, com a celebração de uma missa nesse dia, seguida de uma jantar-convívio para o qual serão convidadas a participar as viúvas, segundo anunciou Augusto Porto, presidente da actual direcção que completa quatro anos de mandato em Setembro.
"Isto é muito cansativo"
Nessa altura, espera-se uma participação elevada no decorrer do acto eleitoral que se realizará então, assim o espera Augusto Porto. Seria desejável que aparecessem alternativas, porque "não é meu interesse continuar", advertindo, contudo, que a associação "não pode cair no vazio", tendo apelado aos sócios reunidos em assembleia geral (AG) para que "pensem muito nisto".
Este pescador insistiu na importância da associação para a classe piscatória, numa altura em que "olham para nós de uma maneira positiva, ouvem-nos e convidam-nos" para diversas iniciativas e cerimónias, precisou perante os seus camaradas que compareceram na AG que decorreu na sua sede. Acentuou que agora, "falamos a uma só voz" porque "estamos unidos", tendo conseguido um cais novo e um desassoreamento, mas, vincou, "o trabalho não acaba aqui".
Pesca à cana com um único tripulante proibida
A sessão serviu para prestar uma série de informações relacionadas com a actividade piscatória, sendo referido que a partir de agora a pesca à cana, com um único pescador por barco vai ser proibida na zona da foz do rio Minho, incluído os pescadores desportivos.
Descontos bem superiores a jusante
A diferença registada nos descontos para a lota entre a pesca no interior do rio e na zona do estuário é deveras significativa. Augusto Porto revelou que os 40 barcos de pesca profissional que actuam a jusante do rio movimentam 400.00€/ano em descontos, em contraste com o que sucede para montante, em que as 100 embarcações apenas atingem os 110.000€. Embora considere tal diferença insustentável, frisou que os maiores descontos decorrentes da faina na zona estuarina permite aos pescadores pescar mais no mar.
Armadores optam pela Associação do Rio Minho e Mar
A pujança desta associação de pescadores levou a que um armador de Vila Praia de Âncora tivesse inscrito nela, três das suas empresas, pagando uma quota de 600€/mês, no intuito de concorrer a mais quotas de pesca do espadarte. Esta adesão satisfez Augusto Porto, além de permitir dotar a associação com o maior número de quotas do país.
Guincho ainda sem utilização
Perspectivando o futuro, pretendem proceder a alguns reajustamentos no cais, através da entrada em funcionamento do guincho e colocação de toros de madeira para facilitar o deslize dos barcos. Considerou complicado resolver o problema do guincho, o qual se encontra sob a alçada da Docapesca, cuja concessão ainda se mantém. A associação pretende adquirir uma máquina de lavar as embarcações de pesca.
Novo mercado beneficiaria pescadores
Um novo mercado municipal e uma lota a funcionar nas devidas condições, serão essenciais para o desenvolvimento da pesca, adiantou o presidente da associação de pescadores, que se tem reunido com um arquitecto camarário a fim de definir uma zona de aprestos no Largo da Cabreira, incluindo a construção de casas de banho.
O espaço envolvente do estaleiro de Esteiró deverá ser objecto de uma limpeza, decorrendo um processo negocial com os herdeiros do proprietário a fim de que seja possível a utilização dos carris para reparações dos barcos.
Dia do Pescador com maior envolvência
Dar mais relevo às comemorações do Dia do Pescador será um propósito a curto prazo, adiantou Augusto Porto, desejando "envolver toda a comunidade", talvez em parceria com a comissão de festas da Senhora da Agonia, e evitar que se torne simplesmente numa jornada gastronómica.
O apoio administrativo prestado (a cobrar) pela associação de Esposende deverá ser substituído pela colaboração com a Junta de Freguesia de Caminha/Vilarelho, através do estabelecimento de um protocolo. No entender dos responsáveis por esta associação, não se justifica o que pagam actualmente.
Lapas proibidas
O facto de estar a ser interditada a apanha de lapas intriga muito os pescadores. Se já entendiam a proibição dos bivalves, entre os que se destaca o mexilhão, não conseguem entender o que se passa com os lamparões.
Esta reunião permitiu aprovar as contas de 2018, em que as despesas com o Dia do Pescador foram as que mais se destacaram (cerca de mil euros) e as receitas tiveram na cobrança de quotas através da Docapesca a sua maior expressão e elevaram-se a 3.800€. O saldo de exploração de 2018 foi de 323€, transitando um total de 10.000€ para 2019.