Alunos de uma turma do 10º Ano da Escola Preparatória e Secundária de Caminha compareceram na primeira reunião camarária deste mês e desafiaram o Executivo Camarário a apresentar ideias e projectos para que seja eliminada a proliferação de plásticos à volta da sua escola e, essencialmente, no Largo da Feira de Caminha.
E para que não ficassem à espera de soluções, eles próprios, no âmbito das aulas de Cidadania e do projecto do Parlamento Jovem, apresentaram propostas, depois de terem filmado e fotografado o aspecto do recinto feiral ao fim da tarde de uma qualquer Quarta-feira, conforme revelou o professor Luís Quartéu, que enquadrou esta visita da turma ao Salão Nobre dos Paços do Concelho.
"Não queremos que caia no esquecimento"
Três alunas (Clara Magalhães, Ana Porto e Cândida Matos) leram algumas sugestões que o Executivo poderia aproveitar para terminar com o espectáculo degradante de um final da feira semanal, a par de muito desse plástico, arrastado pelo vento, ir parar ao rio Minho, com as consequências nefastas reconhecidas por todos.
Os jovens procederam previamente a uma recolha de informações junto dos feirantes, tentando saber por que se acumulava tanto lixo (plástico e cartão, essencialmente), resultando que a falta de recipientes onde o colocar e uma certa "fatalidade" desta situação, obstam a que se resolva o problema.
E como ninguém quer que este assunto "caia no esquecimento", as jovens apresentaram hipóteses de eliminar ou minimizar esta poluição, resultante de "falta de civismo, de fiscalização e de recipientes para recolha" do material descartável, como frisou Clara Magalhães.
Proibição de venda (utilização) de plásticos (sacos, essencialmente), colocação de sacos para a sua recolha e ecopontos selectivos, e existência de trabalhadores a tempo inteiro para apanhar os sacos e outros produtos biodegradáveis, como sinalizou Ana Porto, ou acções de formação para uma "correcta colocação dos resíduos", conforme assinalou Cândida Matos, uma aluna que insistiu na colocação de recipientes para depósito de plásticos.
"Um problema da nossa sociedade"
Esta iniciativa foi relevada por Guilherme Lagido, presidente em exercício perante o período de férias que Miguel Alves goza, considerando, contudo, que se tratava de "um problema da nossa sociedade".
Destacou a iniciativa dos jovens através do Parlamento Jovem e considerou ser "bom contaminar" (em termos figurativos) os mais velhos e mesmo os que ainda são jovens para a causa de defesa do ambiente.
Considerou, contudo, que "isto não vai resolver o problema", em referência à aplicação de medidas de fiscalização ou repressão, antes advogando uma atitude positiva dos consumidores, recusando a utilização de sacos de plástico, mas, teme que "ainda estejamos muito longe desse tempo".
"Alcança quem não cansa"
Concluiu, insistindo que "a vossa consciência será mais mobilizadora do que a repressão", embora tivesse prometido que iria "tomar nota das vossas sugestões" e incentivou-os a "continuar com o vosso trabalho".
O edil decidiu recorrer à filosofia grega, no intuito de encorajar a juventude a lutar contra a poluição, afirmando que "alcança quem não cansa".
Jovens querem que Câmara faça algo
Alguma passividade por parte do autarca, perante as sugestões de actuação imediata, levou uma das jovens a recordar que eram os feirantes a preparar os plásticos que os clientes levam, pedindo, por isso, que a Câmara faça algo.
Esta resposta levou Lagido a admitir que ele próprio não quer o plástico, mas não ser fácil acabar com estas práticas, prometendo, no entanto, "tomar medidas".
Esta debate permitiu ao vereador Rui Lages sugerir uma "acção de sensibilização" conjunta, na feira, por parte da Câmara e da própria escola.
"Não desanimeis"
Esta luta dos jovens contra a poluição mereceu uma apreciação positiva da parte do vereador Manuel Marques (ex-professor da Escola do Concelho de Caminha), incentivando-os a não desanimar.
Apontou como exemplo de falta de civismo, a má utilização de ecopontos existentes na Baralha, em Vila Praia de Âncora, os quais acabaram por ter de ser retirados.