O Executivo camarário anunciou no decorrer da reunião descentralizada que teve lugar no início da semana na sede da extinta Junta de Freguesia de Azevedo, que o saneamento deverá chegar a esta aldeia em 2020, se for aprovado um financiamento com dinheiros comunitários até ao próximo mês de Agosto, data em que a respectiva unidade de gestão decidirá sobre a candidatura.
Caminha dispunha de dois milhões de euros para "novas expansões da rede de saneamento e água", dentro de um projecto que envolve todas as câmaras municipais que aderiram ao novo sistema de águas, explicou Miguel Alves, presidente do Executivo camarário.
Se tal verba for consignada pela unidade de gestão que gere este programa operacional, o Executivo caminhense pretende investir numa zona de Moledo que ainda não dispõe de água canalizada nem de saneamento, em Laboradas (Âncora) e, posteriormente em Azevedo, cujo projecto, num valor estimado em 816.000€, foi mostrado aos escassos moradores presentes.
Rua do Regueiro poderá beneficiar
Miguel Alves prometeu que logo que for aprovada a candidatura será aberto o respectivo concurso da obra. É intenção da Câmara associar a instalação da rede de saneamento ao alargamento e pavimentação da Rua do Regueiro, um projecto ansiado pelos azevedenses há muitos anos.
O autarca lembrou que é "complicado" desenvolver estes projectos da rede de águas, pelos incómodos causados às populações, dando como exemplo o sucedido em Argela e Vilar de Mouros (freguesia que ainda aguarda pela repavimentação de diversos caminhos e ruas), mas "no final, é bom para todos". Definiu estas empreitadas como "obras pesadas".
Guilherme Lagido, vereador com o pelouro nesta área, destacou que estas verbas só foram possíveis devido à constituição da nova empresa de águas.
Acentuou ainda que cerca de metade desta verba (2 milhões) será aplicada em Azevedo.
Reconfirmou que aguardam pela "hierarquização" dos projectos por parte da unidade de gestão, mas avisou que "teremos obra para os próximos três anos", o que causará naturalmente complicações, alertou.
Rua do Regueiro à espera da obra do saneamento
A decisão de aguardar pela aprovação das verbas comunitárias a fim concretizar o saneamento em Azevedo e parte de Venade e então intervir na Rua do Regueiro, foi bem acolhida por Luís Ribeiro, um morador que tinha solicitado informações sobre o saneamento em Azevedo. Sobre este processo, António Amorim, presidente da Junta, divulgou que possuía um orçamento de 38.000€, do ano de 2017, para repavimentar o caminho, mas "não temos dinheiro" para levar diante a obra nesta artéria de Azevedo, lamentou, além de ser impossível fazê-la "aos troços", concluiu.
Este autarca tinha interpelado logo de início o Executivo sobre a instalação da rede de saneamento, após revelar que "chegará ao Poço, no lugar de Coruche", em Venade, e denunciar a existência de uma fossa sob uma casa na Rua das Fornas e a situação grave na Rua do Couto.
EDP também não escapa em Venade/Azevedo
A falta de atenção por parte da EDP às reclamações das autarquias ficou mais uma vez patente nesta sessão, após António Amorim ter apontado uma série de situações anómalas, particularmente na Rua do Pinheiro Manso, uma " situação crítica", reconheceu.
Miguel Alves revelou que já tinham pago à EDP parte das situações anómalas na rede pública, e que iria interpelar o responsável por esta empresa numa reunião que tinha agendada para o dia seguinte, particularmente sobre o fenómeno existente num caminho de Azevedo, em que a luz pública se desliga apenas partir da meia-noite dos domingos até de madrugada (!), situação caricata revelada por uma moradora, a qual voltou a insistir junto de António Amorim para que lhe limpem a vegetação nesse caminho onde mora.
Proposta de revisão da Lei das Freguesias não vai mudar nada
Freguesias como Azevedo ou Cristelo não vão beneficiar com a proposta de lei elaborada pelo Governo para apreciação na Assembleia da República.
Será difícil que Venade e Azevedo voltem a separar-se
Instado a pronunciar-se sobre este assunto por parte de António Amorim, o presidente da Câmara admitiu que tal como a proposta de lei se encontra redigida, será impossível a Venade e Azevedo separarem-se, porque isso apenas é permitido às freguesias com mais de mil eleitores. Miguel Alves admitiu a possibilidade remota de que este figurino mude na próxima legislatura, mas tem dúvidas de que isto mude nos próximos dez anos.
Como resultado da fusão decretada no tempo do ministro Relvas ("Ervas", como lhe chamavam em Azevedo), a sede da Junta de Freguesia de Azevedo encontra-se praticamente encerrada. Apenas vem até esta freguesia, uma manhã, uma vez por semana, o funcionário da Junta de Venade/Azevedo, acrescentou António Amorim, o qual se interroga sobre o destino a dar ao material informático adquirido pouco tempo antes de o Governo PPD/CDS ter decidido agregar unilateralmente as freguesias, temendo que de deteriore, tal como sucederá inexoravelmente com o próprio edifício.