Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, entrou pela primeira vez no renovado Cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, a fim de participar na cerimónia comemorativa do 30º Aniversário da Academia de Música Fernandes Fão (AMFF) que teve lugar ao fim da tarde do passado dia 3.
O ministro da Educação, chegado a Vila Praia de Âncora após uma reunião urgente do Conselho de Ministros devido à "crise" com origem numa eventual demissão do Governo por causa da contagem do tempo de serviço dos professores, não quis referir-se a este episódio quando abordado pela imprensa à entrada do cineteatro.
Do seu discurso nada transpareceu sobre a efervescência política desse dia, tendo-se centrado no aniversário da AMFF e no ensino profissional artístico.
Veio reconhecer perante os assistentes que a "AMFF tem vindo a cumprir um verdadeiro serviço nacional de educação" ao longo dos 30 anos de existência, tal como "nós cumprimos com o Portugal democrático e europeu", enfatizou o ministro na sua intervenção carregada de emoções devido à sua estreita ligação ao concelho de Caminha, desde bem jovem.
A propósito, recordou que "esta não é uma terra que me é estranha", na qual vinha pescar nos quatro meses de férias e no tempo em que dizia à mãe que ia passear até "ao paredão" - pensando ela que se referia ao de Moledo -, mas ia mais longe, até Vila Praia de Âncora, assistir aos concertos que aqui decorriam, alguns deles organizados pela AMFF.
"Celebrar 30 longos anos cheios de glória"
Tiago Rodrigues elogiou as câmaras municipais de Caminha, Ponte de Lima e Vila Nova de Cerveira e as direcções dos agrupamentos escolares destes concelhos - cujas sedes foram alvo de requalificações, assinalou -, que vêm contribuindo para que esta academia tenha atingido um patamar invejável, a par de todos aqueles que "abdicam dos momentos de ócio" a fim de se dedicarem a estas iniciativas.
Aproveitou para recordar que a música tinha sido o primeiro dossiê que "tive em mãos" ao chegar ao Ministério da Educação, porque "este ensino especializado esteve paralisado em 2015".
Anotou que Portugal apenas possuía quatro conservatórios de música e só agora tinha sido constituído mais um, em Loulé.
Recordou as obras que o seu ministério vai apoiar na sede do Agrupamento de Escolas de Caminha, bem como as da nova Escola Básica de Vila Praia de Âncora, na qual será inserida a sede da AMFF, mostrando-se "confiante" que esta academia "seja ainda mais forte dentro de 30 anos", concluindo que "sou um ministro feliz por estar aqui neste aniversário".
"Projecto nacional"
A acumulação de experiências enriquecedoras para a formação de alunos foi enaltecida, por Joaquim Celestino Ribeiro, director desta escola "implementada no seu berço, Vila Praia de Âncora, e distrito", frisou, levando-o a reconhecer perante a plateia que encheu o cineteatro ancorense que este aniversário se tornava num "momento muito especial para nós e para todos".
Ao usar da palavra a abrir o programa das celebrações, Celestino Ribeiro fez finca-pé na relevância do ensino artístico no Alto Minho, levando-o a admitir que estavam perante um "projecto nacional" que veio corporizar uma "necessidade real da música" na região.
Ao elencar as actividades desenvolvidas paralelamente pela AMFF, citou o seu pioneirismo na organização de "grandes concertos", apontando o exemplo do "AMF in Concert" envolvendo 200 músicos - e que já foi levado à Galiza, reforçou -, anunciando ainda que prepara algo especial para o Festival de Vilar de Mouros deste ano.
Apontou ainda como um pormenor interessante desenvolvido por esta escola, o acompanhamento de sessões de cinema mudo "com música ao vivo", tudo graças à "dedicação de professores e alunos".
Homenagear a família Fernandes Fão
Em resumo destes 30 anos, este dirigente assinalou que nestes três decénios procuraram que "os alunos se expressassem artisticamente", a par de terem contribuído para homenagear a grande família de músicos Fernandes Fão.
Esta cerimónia serviu para "distinguir" os méritos associativos, culturais e académicos no apoio à AMFF, sendo distribuídos lembranças aos municípios, escolas, à Ensemble, ao primeiro director pedagógico (António de Sousa Araújo), a Maria Helena Araújo, João Elias Franco, associações culturais e patrimoniais de Vila Praia de Âncora, e ao próprio ministro Tiago Brandão Rodrigues pelo seu empenho na "resolução de problemas que se arrastavam", o que permitiu "valorizar a aprendizagem artística", referiu Celestino Ribeiro ao serem entregues os troféus de mérito.
"Um longo percurso de 30 anos"
Na intervenção de Fernando Segadães, presidente da direcção da Academia de Música Fernandes Fão, não foi esquecido o papel do actual ministro da Educação - "o único que cumpre a contratualização e paga a horas" -, depois de ter lido a primeira acta da criação desta escola de música, em conjugação com o Centro Social e Cultural e Orfeão de Vila Praia de Âncora.
O presidente da AMFF disse ainda que tinham tido muita sorte com os autarcas dos três concelhos que a vêm apoiando, permitindo que haja 1.345 alunos distribuídos por eles, sem esquecer que tinha sido "a primeira a dar formação aos professores sobre escola inclusiva", tudo "em prol dos alunos", incidiu.
Ponte de Lima sublinhou "visão estratégica"
Vítor Mendes, presidente do Município de Ponte de Lima, não deixou por mãos alheias os elogios à parceria estabelecida com a AMFF em 2008, considerando-a uma "boa visão estratégica" trazer uma instituição de fora do concelho para ministrar música no seu concelho, disponibilizando instalações "ao serviço dos nossos jovens concidadãos", apesar das dificuldades que atravessaram.
Por tal motivo, Vítor Mendes evidenciou "reconhecimento e gratidão" aos que colaboraram com a AMFF, nomeadamente o actual ministro da Educação que "deu apoio às escolas de música quando passaram por dificuldades".
"AMFF in Progres"
"Não nos dá só música!". "Dá-nos muita energia!". Assim terminou as suas palavras Miguel Alves, presidente do Município caminhense, ao profetizar para os próximos 30 anos uma "AMFF in Progres".
O autarca caminhense, ao iniciar o seu discurso, saudou todos os actuais alunos e "os que por aqui passaram", os trabalhadores e professores da academia que "nos ajudaram a aprender melhor o fenómeno cultural", num momento em que "é tão fácil atacar quem está à frente das instituições.
Patenteando "orgulho" pela trajectória da AMFF, Miguel Alves garantiu que "estamos no caminho certo", preparando "projectos para o futuro", de modo a que não volte a suceder o mesmo que em Fevereiro de 2015, em que a escola foi obrigada a suspender a actividade porque tinha salários de seis meses em atraso, mas "não desistiram", embora os professores e funcionários nem sequer tivessem dinheiro para as despesas das suas casas. Contudo, com a mudança de Governo e do ministro da Educação, tudo se foi resolvendo, realçou.
AMFF merece uma sede
Recordou o empenho do ministro da concretização das obras no estádio Ilídio Clídio Couto, em Lanhelas e as obras de remodelação do pavilhão do Ancorense, bem como a criação do Centro de Formação Desportiva de Remo do Agrupamento de Escolas do Concelho de Caminha, e ainda os projectos da nova escola da sede do Agrupamento e da Escola Básica do Vale do Âncora, na qual se inserirá a própria sede da AMFF e um auditório.
Referindo-se a esta última aposta, Miguel Alves admitiu que havia já 30 anos que esta academia merecia um espaço próprio, encontrando-se o projecto "relativamente definido" e com obra prevista para o ano, voltou a anunciar.
Após estas intervenções, alunos e professores actuaram com sucesso no palco do cineteatro, demonstrando a qualidade do ensino da música aqui praticado, tendo sido aproveitada a oportunidade para apresentar o hino da AMFF, cuja letra reproduzimos.
Seguiu-se o corte de um bolo de aniversário e um jantar de confraternização numa unidade hoteleira local.