"Precisamos de muito mais", assumiu José Cunha, presidente da Junta de Freguesia de Gondar/Orbacém, após pedir ao presidente da Câmara de Caminha na última reunião camarária descentralizada realizada no Centro Cultural de Orbacém, a concretização de uma série de projectos para esta freguesia.
O reforço de água a Orbacém e a substituição da rede de distribuição em Gondar, são duas apostas que a Junta gostaria de ver resolvidas com urgência, tendo em conta os constrangimentos verificados no último Verão.
Segundo referiu Guilherme Lagido, vereador caminhense, embora seja "preocupante" a situação da falta de água no período de verão, admitiu ser complicada e cara a criação de um sistema de qualidade por não haver abastecimento público, atendendo a que nesta freguesia a água provém de minas, como é o caso de Orbacém, abastecida por uma nascente das faldas na Serra d'Arga (S. Lourenço da Montaria).
Assinalou que o rebentamento da conduta da mina que fornece de líquido Orbacém se tornou num problema no Verão de 2018, obrigando à intervenção dos camiões-cisterna dos Bombeiros, até que fosse reparada a ligação.
Classificou como de "caríssima" a instalação de uma rede em alta por intermédio da empresa Águas do Norte, ou mesmo aproveitar mais captações.
Apesar dos entraves financeiros que a empresa de águas apresenta para criar uma rede de abastecimento, como acontece noutras freguesias, Guilherme Lagido prometeu "continuar a batalhar por isso", porque o aumento da população nas férias, a isso obriga. Entretanto, garantiu que irão limpar a mina.
Este problema foi igualmente reconhecido por Miguel Alves, ao assegurar que a prioridade era a água.
Esta afirmação surgiu no contexto de uma série de reivindicações apresentadas pela autarquia e moradores nesta sessão.
Mais intervenção na limpeza da floresta
José Cunha pediu ainda à Câmara que desceu até à sua freguesia, que disponibilizasse mais verbas para a limpeza da floresta, a qual considera ser insuficiente em zonas que classifica de "perigosas". A reparação - ou aquisição - de uma cisterna, depende essencialmente da disponibilização de dinheiro, relembrou o autarca, no intuito de poder combater mais eficazmente focos de incêndio.
Este segundo pedido mereceu um comentário de Guilherme Lagido, pensando na intervenção dos Sapadores Florestais do Conselho Directivo dos Baldios de Riba d'Âncora - com quem a Câmara estabeleceu um acordo, precisou o edil -, nomeadamente nos locais referenciados como eventualmente "mais complicados".
Freguesia quer fibra óptica
A exemplo do que sucede noutras freguesias, Gondar e Orbacém pretendem que a fibra óptica chegue até elas. Miguel Alves é conhecedor de que esta é uma das reivindicações da generalidade do concelho, assinalando que 75% do seu território já é coberto com esta rede, a qual depende do investimento privado e em que a Câmara "é chamada a comparticipar".
Aproveitou para referir que a empresa não reconhece interesse comercial na expansão da rede a certas freguesias, mas, "isto, já ouvimos em relação a Argela e Vilar de Mouros", e, com o apoio das juntas de freguesia, a rede chegou até elas. A cobertura total do concelho ascenderá a um milhão de euros, competindo à Câmara contribuir com 200.000€, o que insistiu ser uma "matéria longínqua" de concretizar, embora não descartada.
Projectos do Orçamento Participativo a avançar
O avanço que os projectos aprovados no âmbito dos orçamentos participativos para esta freguesia estão a ter ultimamente, dão esperanças à Junta de Freguesia, conforme voltou a registar José Cunha, depois de já o ter feito na Assembleia de Freguesia da semana anterior.
Trata-se da repavimentação e alargamento do Caminho da Aldeia, em Orbacém, e da aprovação do serviço de apoio domiciliário sob a alçada do Centro Cultural de Gondar.
Relativamente ao primeiro projecto, a moradora Tânia Aldeia disse ter sido "bem recebida a boa nova" que contentou toda a freguesia.
Contudo, a obra resultante do Orçamento Participativo "é difícil", sublinhou o presidente da Câmara, porque apesar de o Município ter disponibilizado 60.000€, esta importância é equivalente, sensivelmente, a metade da verba necessária. A Junta já decidira que irá tentar associar-se financeiramente a esta empreitada, que "foi mal avaliada" pelos serviços camarários em termos orçamentais, o que poderá implicar que apenas avance em duas fases distintas.
No que se refere ao apoio domiciliário, Miguel Alves admitiu encontrarem-se num "processo burocrático avançado", mostrando-se optimista, depois de ter sido obtido um "parecer condicionado da Unidade de Saúde Pública". Alertou, no entanto, que os projectos a apresentar à votação dos OP não podem estar dependentes de aprovações exteriores, como sucede neste caso.
Esta situação levou o vereador da oposição Paulo Pereira a colocar algumas interrogações sobre a sua viabilidade, atendendo a que lhe parecia que a Segurança Social não estaria muito disposta a conceder a o seu aval.
Pedidos trilhos pedestres
As inúmeras iniciativas do Rancho Folclórico das Lavradeiras de Orbacém nos últimos cinco anos, com o apoio da Câmara e Junta, mereceram um elogio da moradora Tânia Aldeia, mas pediu mais actividades, designadamente, a organização de "passeios pedestres", de modo a "divulgar e preservar o património" da freguesia e, simultaneamente, promover o "desporto de lazer".
Neste domínio, também Judite Cunha sugeriu a criação de uma ecopista até Vila Praia de Âncora, junto ao rio Âncora, incluindo S. Lourenço da Montaria, de modo a evitar que os ciclistas corram riscos, ao percorrerem a estrada "cheia de curvas", como se verifica na N302.
Esta moradora pediu ainda a instalação de um WC junto ao rio Âncora, nas imediações do parque de lazer de Cancelas, o qual poderia ser amovível numa fase inicial, mas sem descurar a possibilidade de ser construído um equipamento de raiz.
Custos obstam a concretização imediata
A organização de mais trilhos poderiam constituir "uma boa forma de divulgar o território", concordou Guilherme Lagido, mas, advertiu, o que sai caro é a sua sinalização, limpeza e manutenção. O vereador reconhece a grande aposta e oferta turística, que a Câmara tem vindo a incentivar, e adianta mesmo que uma ecovia até à foz do rio Âncora seria o ideal, mas os custos seriam elevados.
Complementando as palavras do seu vice-presidente, Miguel Alves percebe a importância dos caminhos pedestres para o conhecimento do interior do nosso território - o qual ainda é pouco procurado -, mas pediu "calma e serenidade", porque serão necessárias verbas relevantes. Deu como exemplo o passeio pedestre entre Caminha e Vilar de Mouros que deverá orçar num milhão de euros, numa orla fluvial que é "fácil", comparativamente à do rio Âncora. A propósito, deu conta que no dia seguinte iria participar na apresentação de um projecto para Serra d'Arga, em conjunto com os municípios de Viana do Castelo e Ponte de Lima.
Correspondendo a outro pedido da moradora, Miguel Alves disse ser possível instalar, no verão, um WC amovível perto do parque de lazer, desde que a Junta assegure a sua limpeza e manutenção, sem descartar a possibilidade de construir um edifício de raiz num futuro próximo.
Gabinete de Apoio ao Emigrante funciona
A forma como o Gabinete de Apoio ao Emigrante funciona, levou um munícipe (Paulo Fernandes) a pedir explicações sobre o seu eventual encerramento.
O presidente da Câmara negou que este gabinete tivesse sido desactivado, situação que se verificava quando chegou à Câmara em 2013, obrigando a que o tivesse reactivado. Recordou que existe um funcionário adstrito ao Gabinete de Apoio ao Emigrante e que um secretário de Estado da Emigração tinha estado presente no acto. Admitiu, no entanto, que este serviço possa necessitar de uma divulgação suplementar.
310.000€ para Gondar/Orbacém em cinco anos
Após destacar a grande "actividade" da freguesia de Gondar/Orbacém, Miguel Alves concluiu a reunião a acentuar o "grande esforço" que têm vindo a realizar no apoio às juntas de freguesia, dando como exemplo esta aldeia do Vale do Âncora, com os 310.000€ transferidos em cinco anos, realçando que representavam mais 65.000€, comparativamente a igual período de tempo do período final da era do PSD. Reforçando o seu ponto de vista, Miguel Alves destacou ainda que 2018 tinha sido o ano em que mais dinheiro tinha sido encaminhado para as juntas.