"Há idosos que pagam mais de água do que de electricidade", espantou-se uma empresária, Rute Augusto, instalada há quatro anos na Rua das Faias, no lugar de Coura, a abrir a reunião da Assembleia de Freguesia de Seixas, no período destinado ao público.
Rute Augusto, proprietária de uma oficina de pneumáticos, centrou uma parte considerável do seu discurso no preço da água no concelho de Caminha, acentuando que "pago o triplo de água aqui do que no Alentejo", facto que considerou anormal, atendendo aos caudais existentes nas duas regiões. "Como é possível?". "Choca-me!". "Isto é irreversível?", questionou esta municípe o presidente da Junta de Freguesia, quando desafiou a autarquia a esclarecer se tinha realizado alguma diligência para obstar a esta situação.
Este tema levou igualmente outro morador e natural desta freguesia, Fernando Catarina, a perguntar à Junta se poderia fazer algo que pudesse reverter o tarifário da água, porque, sublinhou, "choca-me o aumento" da água.
Após referir que o aumento da água não tinha triplicado como se afirmara, Rui Ramalhosa, presidente da Junta, admitiu que também lhe custava pagar a água cara, a qual era a "mais barata do distrito, afirmou, e que não havia outra forma de "resolver o problema da dívida" do Município.
"Qualquer dia nem Câmara temos"
Rui Ramalhosa insistiu que "nada mais poderemos fazer", avisando que "qualquer dia nem Câmara temos", a manter-se "um milhão de dívida anual".
O autarca seixense recordou ainda que a água deixou de ser paga já em 2009, no tempo de uma câmara social-democrata, o que contribuiu para a acumulação da dívida, a par de nunca terem procedido à actualização gradual da tarifa, o que teria atenuado este impacto tremendo a que a Câmara actual foi obrigada a recorrer. Referiu ainda a existência de uma parceria pública privada (construção das piscinas) que agravou as contas camarárias, não restando, portanto, outra alternativa, juntamente com o aumento do IMI e do IRS.
"A população que cresce é a do cemitério"
A necessidade de fixar população em Seixas, foi outro caso trazido à baila pela industrial, apontando para a importância de atrair investidores e captar investimento de qualidade no campo do turismo, tendo lamentado que uma firma se tenha deslocado para Gondarém (por não conseguir um espaço maior para se expandir) e que um resort turístico tenha abortado.
"Sentimo-nos desprotegidos", lamentou Rute Augusto, preocupada com a situação, apesar de assegurar que "gosto de viver cá" e de ter quatro famílias dependentes da sua oficina que pretende manter em actividade.
"A população que cresce é a do cemitério", atirou esta moradora, entristecida com "os jovens que se vão", pedindo, por conseguinte, "diálogo" para inverter a situação, porque, assegurou mais adiante, "temos tanto para oferecer".
Inscrições para o ensino básico já abertas
A redução da natalidade e da população é problema comum às "nossas freguesias", admitiu Rui Ramalhosa no decorrer do diálogo mantido com esta interlocutora, embora "aqui (em Seixas), nem tanto", pormenorizou, porque "só perdemos 40 pessoas em 4 anos". Para que este fatalismo concelhio da diminuição demográfica não se tivesse acentuado significativamente nesta freguesia da beira Minho, Rui Ramalhosa apontou a política seguida pela sua autarquia para que "a escola primária não feche". A propósito, alertou os encarregados de educação de que as inscrições para o próximo ano lectivo já se encontravam abertas.
Na realidade, assumiu o autarca seixense, "quem vai para a Universidade não volta", dando como exemplo o caso dos seus filhos, frisando que os licenciados não encontram aqui emprego (opinião não corroborada por Rute Augusto, assinalando com o seu próprio exemplo), porque "não se trabalhou para haver indústria". Após dizer que tinha tentado tudo para que esse industrial da área da cortiça não tivesse abandonado a freguesia e "estudado vários terrenos, contudo, sem sucesso", lamentou, Rui Ramalhosa.
Ecoresort rejeitado por "todos"
Em resposta ao chumbo de um eco-resort, o presidente da Junta recordou que tinha sido a oposição a rejeitá-lo, facto que lastimava, no que foi contrariado por um dos munícipes presentes e na altura ex-delegado da oposição, Ilídio Pita, frisando que o parecer negativo tinha obtido a unanimidade da AF.
O estado de abandono da Casa Ventura Terra mereceu também uma apreciação negativa de Rute Augusto, levando Rui Ramalhosa a reconhecer que é necessário sinalizá-la, mas recusando que o nome desse vulto da arte e cultura seixense da I República (ver livro "República em Tumulto", de Paulo Torres Bento, editado pelo C@2000) esteja esquecido. Apontou que existe um nome de uma rua dedicada a Ventura Terra, na qual existe uma placa assinalando este filho da terra. Aduziu que a Associação Ventura Terra se propusera recuperar e adaptar este edifício, mas sem sucesso até ao presente, devido à falta de apoios financeiros.
Cravos no 25 de Abril
Esta empresária pediu que o 25 de Abril fosse assinalado autonomamente na freguesia de Seixas, levando a que Rui Ramalhosa a elucidasse que, todos os anos, a Junta procede à distribuição de cravos logo pela manhã do Dia da Liberdade, no Largo de S. Bento e no Centro de Bem Estar Social de Seixas.
Após sugerir que fosse criado um miradouro na parte alta da freguesia - a exemplo do que sucede em muitas terras -, Rute Augusto pediu explicações sobre os pagamentos nos painéis/out-doors na Senhora da Ajuda, de modo a que constituam um rendimento para a freguesia.
Luz pública continua a merecer reparos
Neste longo período concedido à assistência, Fernando Catarina pediu à Junta que intercedesse junto da EDP para que colocasse uma lâmpada num poste na Rua do Fijogo, porque os moradores se encontram indignados com a insensibilidade dessa empresa que "ignora a Junta", completou esse morador.
E em matéria de luz pública, outra moradora, Maria São Bento, perguntou se tinha havido esquecimento na Rua dos Soeiros, onde se mantém a escuridão nocturna, ao invés do que sucede noutros pontos centrais da freguesia, temendo, em consequência, ataques de cães.
Este tema da falta de luz pública nas freguesias é recorrente, sendo geralmente assacadas culpas à EDP privatizada. Rui Ramalhosa admitiu ser mais fácil que essa empresa substitua um conjunto de luzes tradicionais por led, do que resolver problemas individualizados, mas prometeu ir insistir junto dos responsáveis pela empresa eléctrica, tal como os moradores poderão protestar a título pessoal através das plataformas disponibilizadas pela EDP.
Água desperdiçada...ou não
O desperdício de água, resultando de cortes ou apodrecimento das condutas, mereceram igualmente alguma discussão, depois de Fernando Catarina ter apontado dois pontos: na Marginal ("há mais de dois anos", vincou), e junto a duas casas, onde existe já num deles um buraco perigoso para o trânsito rodoviário.
Esta denúncias não recolheram aprovação da parte da Junta. O presidente da autarquia negou que a água da Marginal tenha algo a ver com a rede de águas, porque, o abastecimento se encontra cortado. Afiançou que se trata de águas de nascente, provenientes do monte. Sobre as águas provenientes de casas particulares que escorrem pelos pavimentos, pediu ao morador que se dirigisse à sede da Junta a fim de clarificar as denúncias.
A realização de um encontro de Escuteiros neste Domingo, que reunirá cerca de 1000 membros do Movimento Escutista nacional, levou Fernando Catarina a agradecer o apoio da Junta às comemorações dos 40 Anos dos Escuteiros de Seixas, assumindo Rui Ramalhosa que a sua autarquia tem grande apreço por este grupo.
Gente de noite no cemitério
A melhor forma de controlar o acesso de pessoas ao cemitério nos períodos nocturnos, levou a assembleia e junta a centrarem esforços para resolverem este problema, após João Gonçalves, presidente da AF ter perguntado se há quem vá "pernoitar" para lá de noite.
A presença de pessoas neste espaço, à noite, parece ser frequente e causa apreensões na freguesia. Encontrar uma forma de encerrar o cemitério ao fim do dia e reabri-lo logo de manhã não parece coisa fácil, a avaliar pelo debate gerado, prometendo Rui Ramalhosa promover uma discussão, mas não entendendo o que vão para lá fazer de noite, em reposta ao seu colega de partido.
Bar do Cais de S. Sebastião em obras
A situação do Bar do Cais de S. Sebastião mereceu um pedido de explicação por parte de outro morador. De acordo com o esclarecimento prestado pelo presidente da Junta, há uma empresa que vai explorá-lo, após proceder a obras de melhoramento, prevendo-se que esteja aberto no próximo Verão.
Após este longo período de intervenções do público, os delegados da AF colocaram mais questões à Junta de Freguesia, como foi o caso de Anabela São Bento: falta de ecopontos no interior da freguesia; um cruzeiro derrubado junto à N13; quais as vantagens para os moradores com a redução do preço dos bilhetes nos transportes públicos; crítica à subida do IMI.
Estes foram alguns dos casos trazidos à colação pela oposição. Mas José Carlos Sousa, Nuno Cardal e António Rodrigues avançaram com muitos mais.
"Oposição sempre a repetir as mesmas coisas"
Rui Ramalhosa, a exemplo do que já referira em reuniões anteriores, acusou a oposição de andar sempre a "repetir as mesmas coisas", o que originou troca de palavras com António Rodrigues (eleito pelo PSD).
A degradação da Escola de Coura, luzes públicas ligadas de noite em loteamentos que só existem no papel, largo e rua da Costa sem arranjo, o encerramento de todos os cafés à noite ("não temos nada"), foram algumas das questões levantadas pelo delegado António Rodrigues.
Semáforos no Alto da Veiga contestados
As bichas de trânsito na EN13, devido aos semáforos do Alto da Veiga nas épocas de maior movimento rodoviário, suscitaram um debate sobre a melhor forma de solucionar de vez este problema, após Nuno Cardal ter abordado o tema, a par de pedir uma ligação futura da ecovia até Caminha. Este delegado da oposição mostra-se disposto a ir à Câmara Municipal levar estes e outros problemas. Pretende que sejam criados um polo do Politécnico e uma zona industrial a norte do concelho, e que os out-doors sejam gratuitos para as empresas de Seixas.
Rui Ramalhosa respondeu às interpelações, e justificou a subida do IMI e derrama, a fim regularizar as dívidas camarárias provenientes do passado, depois de o Executivo ter baixado estes impostos no início do primeiro mandato socialista.
A utilização de herbicidas à basa de glifosato por parte da Junta, levou Nuno Cardal a sugerir ao Executivo que encontre uma alternativa, porque este produto "vai ser proibido", assegurou.
Rui Ramalhosa criticou a forma de intervir dos delegados do PSD, nomeadamente a da delegada Anabela São Bento. Rejeitou que se diga que a antiga escola de Coura "está a cair" ("está cheia de humidade", completou António Rodrigues) e prometeu a sua recuperação logo que venha a ter uma utilização. O presidente da Junta divulgou que tinham disponibilizado o edifício à Associação de Reformados e ao Grupo Motard.
Assumiu que também gostaria de terminar com o uso do glifosato, o problema, justificou, é que "não há substituto".
Acerca do prolongamento da ecovia para sul, referiu que deseja recuperar a ponte rodoviária e a EN13, e permitir que a passagem pedonal prossiga até Vilar de Mouros, estando incluída a criação de um observatório de aves junto ao sapal do rio Coura.
Respondendo a outra interpelação da oposição, Rui Ramalhosa esclareceu que tem dificuldades financeiras para manter em condições o parque de lazer da Senhora da Ajuda.
Festa do Rio com ideias novas
A Festa do Rio a realizar este ano a 14 e 15 de Agosto deverá incluir algumas novidades, após uma reunião entre a AF e a Junta.
Rui Ramalhosa adiantou alguns pormenores passíveis de concretizar, apontando a realização de um concurso de sobremesa (eventualmente dedicado ao arroz-doce), colocação de um balão de ar fixo, lançamento de lanternas ao rio Minho durante a noite, revertendo o apuro para uma das colectividades de Seixas. Vão reunir proximamente a fim de ultimar o programa, apenas estando já garantidos os grupos que irão actuar na festa.
Nuno Cardal sugeriu que os homenageados no Dia da Comunidade Seixense do último ano produzam uma encenação relacionada com o Foral de Seixas, envolvendo a crianças da freguesia.
Pescadores inquietos com vandalismo
Alguns actos vandálicos ocorridos em barcos ancorados na marginal de Seixas, levaram Ilídio Pita, em nome dos pescadores, a pedir câmaras de vigilância, a exemplo do que sucede na marina de Cerveira.
Segundo referiu Rui Ramalhosa, há divisão de opiniões entre os pescadores nesta matéria, até porque as vandalizações não ocorreram apenas nesta freguesia. Falou de novas leis sobre protecção de dados pessoais, e adiantou que já falou deste assunto com a Câmara Municipal e Capitania, pedindo algum realismo sobre este tema.
Contas aprovadas
As contas da gerência se 2018 foram aprovadas pela maioria socialista, justificando a oposição a sua abstenção pelo facto de os documentos terem sido enviados na véspera da Páscoa, motivo que os impediu de os analisarem em conjunto. Pediu entregas futuras com mais antecedência, mas Rui Ramalhosa justificou as datas de entrega pelo facto de a funcionária da Junta ter estado de baixa.