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Moledo/Cristelo

Reunião camarária descentralizada

EB1 e JInfância com boa frequência

Moradora preocupada com preço da água

Baixa participação de moradores mereceu reflexão

A ausência de qualquer inscrição de moradores para usarem da palavra no decorrer da quarta reunião camarária descentralizada que se realizou no passado dia 25 na freguesia de Moledo/Cristelo, levou Joaquim Guardão, presidente da Junta, a retirar duas conclusões: "Ou as pessoas acreditam em nós e estão confiantes no trabalho que está a ser desenvolvido pela Junta em sintonia com a Câmara; Ou, na pior das hipóteses, a população, está cada vez mais distanciada das questões que dizem respeito à freguesia, deixando unicamente, o ónus da resolução dos problemas sobre os ombros dos eleitos, o que, na minha opinião, nos deve deixar a todos bastante preocupados".

Perante a ausência de inscrições, o presidente da Câmara, Miguel Alves, incentivou os presentes a intervir, oportunidade aproveitada por uma cristelense, Sílvia Veiga, que pediu explicações sobre quem tinha responsabilidades pela limpeza do Camarido e das ruas da freguesia, bem como quis saber as razões que conduziram ao aumento da água, embora tivesse reconhecido que no seu caso a factura não fora assim tão elevada, mas conhecia outras situações em que os utentes se queixaram bastante.

ICNF não deixa limpar parques de merendas

O presidente do Executivo reconheceu dificuldades nos contactos com os responsáveis pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, atendendo a que "eles têm outros conceitos de limpeza" sobre o Camarido, mas considerou haver "coisas incompreensíveis", como seja o caso de terem autorizado parques públicos de lazer e, "agora, não fazem, nem deixam fazer", depois de a própria Junta de Freguesia - quem mais tem dialogado com eles - se ter proposto pagar e a realizar a limpeza. A propósito, a tesoureira da Junta, Goreti Verde, recordou que em determinada ocasião, um dos responsáveis pelo ICNF "veio cá dizer como se devia fazer!".

No caso da limpeza das ruas, Miguel Alves esclareceu que em Cristelo era a Junta que o fazia, referindo a moradora que existem "ruas desprezadas", além de deitarem herbicidas de madrugada.

"Momento difícil"

O caso da água - numa freguesia que possui "uma mãe de água", acentuou Sílvia Veiga -, levou Miguel Alves a esgrimir os habituais argumentos que suportaram as actualizações das tarifas, fazendo finca-pé em que "a água tem um valor correspondente a uma bem essencial" e que não poderiam continuar a "acumular mais dívida. Admitiu ser "um momento difícil", mas anotou que sete municípios do Alto Minho se encontravam agregados num projecto comum, de modo a solucionar um problema crónico.

"Pouco a pouco(…)temos vindo a solucionar alguns problemas"

Como é já rotina nestas sessões descentralizadas, os presidentes de junta abrem as intervenções, como voltou a suceder em Moledo/Cristelo, com Joaquim Guardão a debruçar-se sobre a ausência de intervenções da parte da população, como já referimos, mas também a analisar o que tem sido feito "nestes quase seis anos" de gestão socialista em ambas a autarquias, elencando uma série de exemplos que realçam a "parceria" existente entre a Câmara e a Junta: "Reparações de pavimentos de arruamentos em calçada; limpeza de caminhos, bermas, valetas e espaços públicos; ampliação da rede iluminação pública; colocação de iluminação pública com led's, em grande parte da freguesia; limpeza do areal da praia e zonas adjacentes; colocação de novo palco e pavimento no anfiteatro António Pedro; limpeza dos lavadouros e presas de água de rega; limpeza e melhoria dos nossos cemitérios; reforço da Freguesia com mais contentores de lixo e mais Ecopontos".

Freguesia deve continuar a ser um local aprazível

Contudo, a Junta de Freguesia aspira a mais, porque Moledo e Cristelo devem continuar a merecer a escolha dos turistas nacionais e estrangeiros, com residência aqui ou que optam por elas nas suas férias.

Assim, Joaquim Guardão citou uma série de necessidades urgentes ou que deverão merecer atenção camarária a prazo ou de custos reduzidos, e, por conseguinte, mais fáceis de colmatar:

"- execução da rede de saneamento nas ruas de Felo, Rubial, agua de Infroi, Reças e Paracoba;

- execução da rede de água domiciliária na rua do Rubial;

- ligação à rede principal (e.n. 13) da rede de saneamento da rua da Costa;

- repavimentação do caminho de Rouxico;

- colocação da totalidade de iluminação publica em sistema led´s em toda a freguesia;

- pugnar pela conclusão da ecovia do Camarido;

- limpeza e consolidação de alguns caminhos do monte (Prevenção de Incêndios);

Há outras obras, que são necessárias, mas que sabemos ser impossível a sua execução num curto espaço de tempo, atendendo aos custos.

- repavimentação da av.ª de Santana;

- repavimentação da rua de Paracoba;

- repavimentação da rua das Andoreiras;

- pavimentação a solo-cimento do caminho do Montanhão.

Outras há, de menor valor mas muito importantes e que na oportunidade informei e solicitei ao senhor Vereador Rui Lages que tem o Pelouro das Freguesias, da necessidade de se proceder às seguintes intervenções, antes da época balnear:

Pintura das passadeiras de peões;

Pintura do Estacionamento na Av.ª de Santana;

Substituição de alguma sinalética;

Criação de mais dois lugares de estacionamento para deficientes na zona norte do Paredão;

Criação de mais locais de estacionamento;

Reordenamento do trânsito na parte baixa da freguesia;

Pintura dos Mastros das Bandeiras e Postes de Iluminação Pública do Paredão".

Escolas vão bem

Após ter existido algum risco de encerramento das escolas de Moledo (EB1 e Jardim de Infância), Joaquim Guardão manifestou agora o seu contentamento pelo aumento da frequência, sinalizando as 4 salas, com 85 alunos na primeira, assim como o incremento de alunos no JI. Miguel Alves recordou que a Câmara subsidiava anualmente o Centro Paroquial com 40.000€ para as refeições dos alunos das escolas, verba semelhante à que disponibilizava à Junta de Freguesia no capítulo da educação.

"Verão M" promoveu Moledo/Cristelo

O autarca enalteceu ainda a capacidade da série televisiva Verão M para catapultar Moledo e o concelho aquém e além fronteiras - a par de ter dinamizado o comércio local -, e não deixou passar em claro o projecto das autarquias, Corema, Agrupamento de Escolas e outras entidades destinado a "consolidar a duna a poente da Rua 25 de Abril", defendendo as camarinhas e eliminando as espécies infestantes.

"Tem quase todas as exigências"

Esta sessão permitiu a Miguel Alves tecer algumas considerações sobre uma freguesia "diferente", classificando-a mesmo como "volátil", perante os picos de turistas que a invadem aos fins-de-semana e nas férias, o que obriga a que "tenha quase todas as exigências" entre um mundo rural e urbano, sem a "dimensão" de Caminha ou Vila Praia de Âncora, contudo.

Desta forma, a Câmara terá de encontrar um "equilíbrio" entre Moledo e Cristelo, recordando a existências de "muitas zonas ainda sem saneamento ou rede de água pública".

Investimentos nas redes de água, led e fibra óptica

A propósito, recordou que as ruas de Enfrói e Felo contam com verbas de uma candidatura concelhia global de 650.000€, sendo que a primeira foi contemplada com 148.000€ e a segunda com 140.000€ para rede de águas, mais 42.000€ para saneamento.

Depois de comungar das apreciações favoráveis de Joaquim Guardão ao "Verão M", Miguel Alves sublinhou que esta série da RTP fez chegar a região a mais de 200.000 casas por capítulo, beneficiou a hotelaria de Moledo e a própria Comissão de Festas de Ao Pé da Cruz, referindo ainda que a EDP tinha investido fortemente nas luzes públicas (led), designadamente na praia. A instalação da fibra óptica nesta freguesia mereceu de igual modo uma chamada de atenção da parte do presidente da Câmara.

Adiantou que o corredor pelo qual se prevê prolongar a ecovia do Camarido foi retirado do domínio da Reserva Ecológica, a fim de ser possível concretizá-lo, mas lamentou que a obra do paredão "nunca mais acabe".

Multas continuam

A oposição camarária teve oportunidade de se expressar nesta reunião descentralizada, aproveitando José Presa para manifestar o seu "contentamento" por poder escutar as pessoas da freguesia moledense e voltar a insistir (como já o fizera na reunião camarária ordinária deste mês) na questão do estacionamento da Av. de Santana, porque "as pessoas continuam a ser multadas".


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