"República em Tumulto", a história local e regional, entre os anos conturbados de 1914-1919, da autoria do historiador Paulo Torres Bento, englobando, entre outros temas, os horrores da participação do Batalhão do Minho (com a inclusão de soldados caminhenses) no I Conflito Mundial (1914-18), foi lançado ontem à tarde num dos salões dos Paços do Concelho, edifício que completou no ano passado 200 anos, conforme precisou este professor de História, e no qual se viveram alguns dos episódios descritos neste trabalho de aturada investigação.
Trata-se do quinto livro que o C@2000 edita tendo como referência este historiador que adoptou o concelho de Caminha como sua terra, e à qual se tem dedicado apaixonadamente, permitindo que demos à estampa muitas revelações inéditas e relevantes na Nossa História, possibilitando desta forma aos caminhenses e seus amigos que conheçam melhor o seu passado, sem o qual nos é impossível compreender o presente e perspectivar o futuro.
É dentro desta linha de orientação que já publicamos sete obras (as duas primeiras, de outros autores, e as cinco últimas de Paulo Torres Bento), sendo previsível que ainda este ano venham a ser disponibilizados aos leitores e apreciadores das nossas edições mais trabalhos, sempre em publicação em papel… apesar de sermos um jornal exclusivamente digital.
Visavô do presidente da Câmara - um dos feridos na I Guerra Mundial
O visavô paterno de Miguel Alves, presidente da Câmara Municipal de Caminha, foi um dos 138 militares caminhenses combatentes na I Guerra Mundial, cujos registos biográficos militares constam deste livro, que, aliás, surgiu no seguimento de um primeiro editado em 2010, tendo como base historiográfica a passagem da Monarquia à República, e como tal intitulado "Da Monarquia à República no concelho de Caminha (1906-13)", igualmente como resultado das pesquisas múltiplas realizadas por Paulo Torres Bento.
Presente na apresentação deste livro que relata diversas passagens envolvendo presidentes de câmara dessa época, Miguel Alves reconheceu que estes temas "mexem connosco e com as nossas famílias", em referência a todos os caminhenses presentes na Flandres e em África, "combatendo sem saber porquê" - como era o caso de seu visavô (ferido em combate) e que "eu não conheci", referiu -, e "engolindo muitas vezes aquilo que tinham sentido", mas que acabaram por "deixar uma marca no concelho de Caminha".
Este descendente de um antigo militar do Corpo Expedicionário Português, considerou ser um "momento alto da cultura municipal" a edição pelo C@2000 de um autor (Paulo Torres Bento) do concelho de Caminha que "foi adocicando a palavra" à história local, permitindo resgatar a memória daqueles que "tombaram ou regressaram".
Uma vez que esta obra com 270 páginas releva " grandes momentos" da história concelhia - que não somente a participação caminhense na confrontação bélica -, Miguel Alves enfocou alguns desses temas, elogiou as edições do Caminha 2000, e teve palavras de apreço pela "liberdade e independência" do seu director, pese embora tenha o seu "feitio" particular.
O papel de Paulo Torres Bento "continua a marcar-nos", especialmente aos colegas e seus alunos, ao trazer até ao presente a "História das nossas Raízes", concluiu Miguel Alves.
Síntese do livro
Coube a Paulo Torres Bento fazer um resumo do livro da sua autoria, tendo considerado "muito gratificante" o trabalho desenvolvido, nomeadamente a quantidade de pessoas que partilham com ele dados e conhecimentos.
Rebateu a ideia preconcebida de que a República apenas tinha tido eco em Lisboa, sendo exemplo disso os acontecimentos vibrantes ocorridos no concelho de Caminha.
Agradeceu a todos aqueles que colaboraram e permitiram que esta "síntese" histórica se concretizasse e passou a citar os diversos capítulos, personagens relevantes e acontecimentos marcantes no desenvolvimento das políticas locais e regionais dos tempos conturbados deste período da República e outros pormenores coincidentes: A Guerra - Presença de combatentes caminhenses na I Grande Guerra e registos individuais de todos eles; a Loja Maçónica "Vedeta do Norte", de Vila Praia de Âncora; a terrível Pneumónica; a morte do arquitecto Ventura Terra; o Reino da Traulitânia; regresso à República Velha; a favor ou contra a República Nova; das direitas para as esquerdas; o Sidonismo; o estranho caso da política caminhense; José Augusto Valadares Torres; as filhas de Bernardino Machado e a inglesa May Farmer.