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Gondar/Orbacém

Raid já vai na VII edição

"O bichinho morde e a gente tem que pôr a mobília no saco e arrancar", assim justificou o gondarense Tiago Lourenço, ex-presidente da Gárcea, engenheiro civil, emigrado na Suíça há cerca de dois anos ("onde corre tudo bem"), a sua presença neste raid, vindo expressamente desse país com esse fim, porque "eu gosto muito disto, tal como meu pai".

Outro motivo que o levou a voar até aqui (chegou na Sexta-feira à noite e regressou na Segunda-feira, à hora do almoço), foi a forte união do grupo de motards de Gondar, onde existe "um grande espírito de amizade e entreajuda que permite a realização deste tipo de eventos", justificou.

Tem uma KTM 2,5 que experimentou logo na manhã do raid a fim de testá-la, devido a algum tempo de inactividade, constatando que "está tudo bem, vamos em frente e aproveitar o dia, que é isso que interessa".

"Muito pequeninhos, mas muito unidos"

Tiago Lourenço sente-se orgulhoso, lá na Suiça, por ver como "uma freguesia tão pequeninha" organiza um evento como este, cujo número de participantes "ultrapassa a população da freguesia", graças à união existente.

Este jovem gondarense acredita que há força suficiente na freguesia para continuar a levar por diante esta prova, de modo a "proporcionar às pessoas que aqui vêm um dia magnífico e espectacular e uma grande festa".

Garante desde já a sua presença no próximo ano - a não ser que surja qualquer imponderável -, mas todas estas viagens são "muito, muito à rasca", reconhece.

Grupo de Esposende estreou-se

"De vez em quando fazemos umas aventuras fora do nosso concelho", disse-nos Mário Filipe, natural de Esposende, que com o seu grupo de amigos ("andamos sempre todos juntos") marcou presença em Gondar, território que conhecem razoavelmente, porque costumam vir para cá aos fins-de-semana. Foi numa dessa incursões que tomaram contacto com os organizadores deste raid e "assim viemos cá pela primeira vez".

Admitiu que o que os atrai a esta região "são as paisagens, as pessoas e os trilhos fantásticos para usufruir".

Galiza marca sempre presença

São já habituais os grupos de motoqueiros galegos nestes raids de Gondar, como foi o caso - mais uma vez -, de Sérgio Souto e seus sete amigos naturais de Moaña, Pontevedra. Este motoqueiro galego veio numa KTM 2.018.

A predilecção pelos motores, motos e carros, e o grande entusiasmo que existe em Portugal pelas motas contribuíram para que sejam presença assídua nos eventos de Gondar.

Já conhecem bem o itinerário, que apreciam, aliás, e manifestaram contentamento com o bom tempo que se fazia sentir - embora previssem que fosse fazer um "calor do carago" -, a par da boa organização do raid, situação extensiva à generalidade das provas que se realizam no nosso país, asseguraram.

Alugaram uma furgoneta e um atrelado, meteram as motos dentro e rumaram até junto do Centro Cultural de Gondar, onde se concentrava a organização e foi dada a partida.

"Fazer os possíveis e os impossíveis"

Apesar da azáfama dos preparativos para o início do raid, já com os motores a roncarem forte como que a exigirem que os deixassem enveredar pelos trilhos acidentados de Gondar/Orbacém e outras freguesias, Rafael Fernandes, alma mater destes raids, teve algum tempo para falar para o C@2000, assegurando que "estamos a fazer o possível para que as coisas decorram da melhor forma.

Só para preparar os trilhos, demoram dois meses, porque "precisamos de ver trajectos, optar, porque às vezes não há sistemas de engate, mas a burocracia a nível de papelada obriga-nos a escolher outras alternativas".

Doze pessoas integraram-se nestes labores organizativos, de modo a que os mais de 100 inscritos pudessem encontrar as melhores condições de participação. Ao contrário do que seria de esperar, o bom tempo não agrada totalmente, justificando Rafael Fernandes a sua predilecção "por um bocadinho de chuva", devido ao "pó que se levanta e afecta quem vem atrás, o que cria algumas dificuldades".

Embora por vezes surjam alguns acidentes, todos eles "são ligeiros e nada do que as pessoas possam imaginar, porque não se trata de qualquer prova, mas simplesmente de um dia de lazer como outro qualquer, apenas com um pouco mais de adrenalina". E, adiantou, "como cada um tem sido responsável de si próprio, as coisas têm corrido bem", tudo terminando em beleza com um cozido à portuguesa servido no Centro Cultural, a par de diversas diversões, altura em que "todos podem comer e beber até caírem para o chão".

"Já é o 7º Raid"

José Cunha, presidente da Junta de Freguesia de Gondar/Orbacém, expressou o seu contentamento pela concretização daquele que "já é o 7º Raid", precisando que se estava a dar "um pouquinho de trabalho hoje, deu muito trabalho antes, porque as coisas não aparecem por acaso", recordou, em referência às largas semanas em que os organizadores e a autarquia se dedicaram à sua preparação.

Entre 15 a 20 pessoas, incluindo a Junta de Freguesia, e em que "o Rafael é o líder disto", acentuou, dedicaram-se afincadamente para que tudo estivesse a postos nesse sábado, sem deixar de sublinhar convictamente que "sem a ajuda de todos não se conseguia fazer nada".

"Em Gondar/Orbacém existe um grupo motard de nome", revelou-nos José Cunha, porque "oficialmente não está devidamente constituído", mas, com a evolução que este Raid está a ter, acredita que virá a sê-lo brevemente.

Em defesa deste passeio motorizado, o autarca sinalizou a sua importância, "na divulgação da freguesia, o interior, as paisagens, vamos correr todos estes montes (quase 100 km de percurso), e espero que seja um passeio espectacular, que todos se divirtam e ninguém se aleije", para o qual a Junta colabora no campo da "logística e de toda a papelada e licenças, tentando ajudar o mais possível".

"Divulgar o nosso território, num todo"

A Câmara de Caminha voltou a marcar presença neste Raid, através do vereador Rui Lages, responsável pelo pelouro do Desporto, considerando "ser já uma tradição" a comparência do Município nessas manhãs, em Gondar, demonstrando a importância que concedem "a este TT de Gondar" e o consequente "apoio" disponibilizado, por se tratar de "uma iniciativa de divulgação do nosso território mais interior, que tem também potencialidades, nas suas mais diversas valências".

"Prática desportiva e promoção turística" completam-se com iniciativas como esta, assinalou o edil caminhense, ele próprio um "apreciador" deste desporto motorizado "com bastante adrenalina e que cativa qualquer pessoa e não deixa ninguém indiferente", embora não o pratique, precisou.

Rui Lages enfatizou ainda a capacidade evidenciada por uma freguesia com "uma dimensão tão pequena" para organizar este Raid, demonstrativa da "capacidade das suas gentes, das suas organizações e da Junta de Freguesia igualmente com um papel fundamental neste evento, comprovando que todos, em conjunto, conseguimos atrair grandes eventos para o nosso território".


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