Entre um oceano limpo e pejado das suas espécies endémicas, e um mar tocado de morte pela contaminação do plástico, assim decorre uma encenação (intitulada "Plastikus") de Teatro de Marionetas da responsabilidade do grupo Krisálida, estreado no final deste mês no Cineteatro Valadares para adultos, e com duas sessões para crianças, peça esta que pretendem que venha a percorrer todas as escolas do concelho (pré-escolar e 1º Ciclo) e, eventualmente, fazer chegar esta mensagem a outros estabelecimentos de ensino e salas de espectáculos da região ("designadamente aos dos concelhos do Alto Minho"). Nos Paços do Concelho de Caminha, decorreram ainda oficinas de teatro em que elucidaram as crianças sobre a forma de construir as marionetas.
Têm já assegurados representações em Viana do Castelo no próximo ano lectivo.
"Este espectáculo chega aos miúdos tal como queríamos que chegasse"
Carla Magalhães, encenadora deste teatro em que uma marioneta é o centro das atenções, recordou ao C@2000 no final de um dos espectáculos que o tema do "ambiente não é uma coisa nova" no seio do seu grupo, porque "já tínhamos feito uma peça dirigida à infância dedicada à água e uma outra aos incêndios florestais".
Acentuou que "mantemos a temática sobre o ambiente e, este ano, alargamos o espectáculo a um público adulto", porque "infelizmente para todos nós, o plástico é um problema global que afecta toda a gente, sobre tudo os oceanos e, afectando-os, também somos atingidos, embora sejamos os predadores dos habitantes dos oceanos".
Esta encenadora e actriz ficou entusiasmada com "a excelente reacção das crianças das duas escolas de Caminha para quem o espectáculo foi direccionado inicialmente", anotando que "elas estiveram muito atentas e, no final, na conversa que fazemos sempre com os miúdos, para que eles vejam como é que as marionetas e os cenários são feitos, ficamos cientes que eles entendem perfeitamente a mensagem e se encontram muito sensibilizados para as questões ambientais", nomeadamente para o problema do "lixo plástico no mar".
Carla Magalhães avançou que ainda relacionado com a mesma temática, já pensam em levar por diante no próximo ano um espectáculo para adultos, da autoria do encenador inglês Graeme Pulleyn, "com data prevista de estreia para finais de Junho" no Cineteatro de Vila Praia de Âncora, seguindo-se uma representação no Valadares.
Precisou ainda que manterão uma linha de actuação que permita "falar sempre de temas pertinentes e pôr as pessoas a pensar sobre eles, ambientais ou não".
No próximo dia 7 de Abril, no Cineteatro de Vila Praia de Âncora, a "Plastikus" voltará a ser representada.
"Mensagem fortíssima"
José Gualdino, presidente da direcção da associação ambientalista Corema, assistiu a uma das sessões da "Plastikus" e reconheceu tratar-se de uma "mensagem fortíssima", definindo mesmo a peça como uma "intervenção ecológica" e "muito didáctica", contendo um "objectivo muito claro de denúncia dos problemas que advêm da poluição causada pelo plástico". Aproveitou para realçar que "o problema principal não reside somente no plástico que se vê, mas sim no invisível, nas micropartículas que há muito que já entraram na cadeia alimentar, com todas as consequências que isso pode ter para a espécie humana".
José Gualdino insistiu na "oportunidade" deste espectáculo que "vem ao encontro do que tem sido difundido ultimamente em relação aos problemas da poluição pelo plástico em todos os ecossistemas marinhos".
Confirmou-nos que a Corema tem trabalhado com as crianças, nomeadamente na recolha de plástico, integrados numa acção levada a cabo no ano passado em toda a Europa, e este ano, "iremos repeti-la nesta região, porque é um tema que nos preocupa imenso".
Analisando a situação do lixo de plástico na costa do distrito de Viana do Castelo, José Gualdino referiu ao C@2000 que "não é diferente da que encontramos noutros pontos do litoral" português, e que "os resíduos mais abundantes não diferem muito do norte para o sul, apesar de terem sido tomadas algumas medidas, incluindo as do próprio Governo, na tentativa de evitar a utilização de plástico", dando como exemplo o caso das cotonetes, que "sabemos que existem em abundância nas praias e que estão proibidas".
Perante esta situação, questionamos este ambientalista sobre os receios que pairam sobre a Humanidade, respondendo-nos que existem, porque "os efeitos destas medidas têm sido sempre menores do que o ritmo de destruição e de contaminação dos ecossistemas".