Já nem descem degrau a degrau os nossos canais de televisão… é mesmo aos empurrões pela escada abaixo. Já não chegava as mães mascararem os filhos de carochinha casadoira, já não chegava as mulheres irem de salto alto e roupa sexy aprender a mugir vacas nas quintas, agora " postam " nos écrans os concorrentes vestidos à pai Adão. Não haverá programas de entretenimento interessantes para copiar? Estamos tão pobres ( e não me refiro só aos euros ), tão pobres que só nos caixotes de lixo estrangeiros nos abastecemos?
Lamenta-se que as melhores "cabeças" pensantes, os melhores dotes braçais, vão para fora, numa sangria desatada, porem os seus dotes a render, mas o Estado não faz nada para os segurar… e onde ficaram os bons produtores, os bons realizadores?
Ah, pois, esqueci-me que modernamente a cultura anda a toque de caixa dos donos do dinheiro que nem precisam de canais de TV para os serões em família. E então para que serviriam as casas de espectáculo em Paris, Nova York, Londres?
Para o Zé povinho aplica-se o estribilho que o Sérgio cantava: " Para quem é, bacalhau basta " E não é bacalhau do melhor como ele pedia na canção.
Quem quer pôr mão a este descalabro?
Poderia ser o título do próximo concurso televisivo.
Existem situações em que, simultaneamente, somos filhos, pais, avós e bisavós, o que envolve quatro gerações de pessoas vivas, obviamente, verificando-se que o relacionamento entre estes distintos níveis de parentesco é diferente, na medida em que a educação, a formação, os princípios, os valores, e até as normas sociojurídicas da sociedade, se vão alterando, logo, os procedimentos são afetados, seja pela positiva, seja pela negativa.
Mas importa aqui refletir, mais concentradamente, no pai, porque no dia que lhe é destinado, não se pode, nem deve, ignorar a importância que o pai tem no seio da família, de resto, a exemplo da mãe: ambos necessários; ambos insubstituíveis; ambos com papéis essenciais na formação educacional dos seus filhos e, por via deles, na construção de uma sociedade mais tranquila, mais justa, livre e democraticamente responsável.
E se à mãe cabe: um papel excecional na preparação dos filhos para a vida, designadamente, no que respeita à interiorização de determinados princípios, valores e sentimentos, uma espécie de ideologia do bem; ao pai, talvez se ajuste melhor uma tarefa mais pragmática, para passar aos filhos uma objetividade direcionada para resultados práticos e que, ainda por razões culturais, aceita-se que o homem é, eventualmente, mais realista e pouco sonhador, excetuando situações que apontam em sentido contrário.
Pode resultar, daqui, a ideia, segundo a qual, os pais - mãe feminina e pai masculino -, são ambos cruciais na conceção, educação e preparação dos filhos para, por si sós, se integrarem na sociedade multifacetada, e realizarem com sucesso, os seus projetos de vida, sendo vital para o êxito dos filhos, também os bons exemplos dos próprios pais.
Pelo menos, no dia do pai, é da mais elementar justiça, considerar que ao longo dos séculos, ele tem sido, em geral, uma figura tutelar do maior relevo, naturalmente, assumido com afeto, respeito e firmeza, as suas responsabilidade na condução, justamente, com a mãe, dos destinos dos filhos, não só enquanto estes estão na sua direta dependência, como ao longo da vida, embora, nesta fase, sob a forma de conselhos, porque pai, tal como mãe, é para sempre, e essa nobre condição deve ser valorizada na e pela sociedade: Não existe ex-pai, nem ex-mãe.
Reconhecer, neste dia, consagrado ao pai, a importância do seu papel e incentivar as entidades, públicas e privadas, a estabelecerem medidas de apoio - igualmente para a mãe -, no sentido de o pai ter condições materiais, mínimas que sejam, para poder criar, educar, formar e preparar para o mundo do trabalho os seus filhos, seria uma forma de se passar do simbolismo do dia, à prática dos atos concretos, que a realidade da sociedade exige.
Neste contexto, uma das medidas que se entende adequada, e justa, seria o Estado/Governo atribuir a todos os pais, sem rendimentos, e que tenham filhos a cargo, pensões de alimentação, um subsídio social para este efeito, com a obrigatoriedade de o pai, nestas circunstâncias, ser sujeito a controlo, e/ou apresentar provas em como aquele apoio financeiro está, de facto, a contribuir para a alimentação, saúde, educação e formação dos seus filhos.
O pai, tal como a mãe, deve ser uma referência para os filhos, em todas as dimensões humanas, que lhe seja possível: pessoal, familiar, profissional, social, religiosa, política, cultural e, em todas elas, ou na maior parte, revelar-se competente e responsável para, desta forma, poder ser respeitado, acarinhado e credibilizado na sociedade, constituindo-se num fator de orgulho para os filhos e, assim, estes terem motivos para seguir o seu exemplo.
Dia do Pai, na ideologia católica, dia de S. José, o carpinteiro, o trabalhador incansável, o marido de Maria, mãe de Jesus. A desejável equiparação, para os crentes, é claro, do Homem-Pai, a S. José, poderá ser um privilégio, mas é fundamental e, seguramente, uma referência que dignifica a condição de Pai, numa sociedade em que a família tanto vem sofrendo por vários motivos, alheios às suas vontades.