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Corema organizou debate

Defesa da floresta autóctone uniu portugueses e galegos

Câmara de Caminha viu aprovada candidatura para perceber a importância da Serra d'Arga

"O cerne do problema está no plantar", disse José Gualdino, presidente da Corema, a abrir o debate realizado no auditório do Museu Municipal de Caminha, em que dois professores universitários de Portugal e Galiza e o vice-presidente da Câmara Municipal de Caminha analisaram a situação da floresta nos dois países, em defesa da floresta autóctone.

O presidente da associação ambientalista acentuou na sua breve intervenção introdutória, ser o eucalipto um "nota dominante" no território, a par da proliferação de outras espécies invasoras que "aumentam a carga combustível" da floresta.

"Câmara contente com o debate"

Convidado a participar neste colóquio/debate, a Câmara de Caminha, através do vereador que tem a seu cargo o pelouro do Ambiente, acentuou que "o Município tem grande interesse nesta problemática", conforme referiu Guilherme Lagido, "não tivesse Caminha 42% da sua área coberta de floresta", a par de a Serra d'Arga estar abrangida por um sítio, embora "delineado de uma forma vaga", frisou.

Esta elevação que abarca os concelhos de Caminha, Viana do Castelo, Ponte de Lima e Vila Nova de Cerveira tem vindo a merecer atenção redobrada da parte do sector ambiental do Município caminhense, face aos seus "valores materiais", o que levou a que reunissem esforços para "perceber a importância" deste território serrano, acentuou Lagido.

Números dos estudos já realizados

Nesse sentido, foi apresentada uma candidatura em 2016, desde a Serra d'Arga até à foz do rio Âncora, cujo projecto de execução se encontra em evolução, após ter sido aprovada pelo Ministério do Ambiente.

Dos estudos já realizados, resultaram a descoberta de várias espécies e animais endógenos raros (120 aves, 23 mamíferos, 12 répteis, 6 anfíbios e 4 peixes), fazendo menção a uma espécie botânica que se julgava extinta há 39 anos.

"Só quando a floresta for valorizada"

Este vereador reconheceu que "a Serra d'Arga não é uma mina de ouro, mas é um património importante que urge preservar".

Referindo-se mais concretamente ao tema do debate, o vice-presidente camarário admitiu que a floresta autóctone se encontra "ameaçada por incêndios e espécies infestantes", a par de no século XIX, ela ter sido praticamente dizimada devido às guerras e invasões, e, infelizmente, "100 anos depois, não estamos num ponto muito diferente", pormenorizou, o que cria "muitos problemas".

No entender deste político local, a grande mudança de paradigma no que concerne à floresta só terá lugar quando houver "interesse económico" associado à preservação e revitalização destas zonas arbóreas.

Alertou, contudo, que "não temos tempo a perder", perante o aumento constante de incêndios e consequente crescimento de espécies invasoras.

Carvalho deveria ser prioridade

Dois professores universitários, das Universidades de Trás-os-Montes e da Corunha, acentuaram as suas palestras na importância das espécies autóctones, nomeadamente o carvalho, árvore que pode "proporcionar, simultaneamente, uma série de serviços, nomeadamente, conservação do solo e da água (e preservação da sua qualidade), impedimento de incêndios".

Após recordar que 20% do CO2 do planeta se encontra "retido" na floresta, salientou "a grande biodiversidade" da floresta autóctone, a par da sua riqueza, atendendo a que "em 5-8 anos os carvalhos podem ser rentáveis". Com a reflorestação desta espécie nobre, Portugal poderia deixar de importar muita da madeira de qualidade, frisou, a par de conter outros benefícios, como sejam a proliferação de aves que "comem insectos que são perigosos", além da promoção turística que as paisagens naturais proporcionariam.

"Órgão oficioso da indústria da celulose"

Com forma de demonstrar a manipulação a que lobbies da indústria do eucalipto submetem a imprensa, projectou uma imagem da capa de uma edição do jornal Correio da Manhã, com uma fotografia de árvores que não são da floresta portuguesa. Após referir que esse jornal pertence a uma empresa de celulose, um dos assistentes ao debate, acompanhou a suas palavras, assinalando que esse periódico é "um órgão oficioso da indústria da celulose".

Eucaliptização com mais insistência no terceiro mundo

Os países terceiro-mundistas são os que sofrem com mais incidência os efeitos da eucaliptação, divulgou Damián Romay, Professor Universitário da Corunha, participante neste debate. Incluiu neste lote, Portugal, Galiza ou Dubai.

Inicialmente surgido na América do Sul, há 50 milhões de anos, viria mais tarde a tornar-se predominante na Austrália, de onde foi trazido para vários pontos do globo, com "impactes ecológicos" assinaláveis e com "consequências desastrosas" em diversas regiões, a despeito das "mentiras" propagandeadas por diferentes meios, geralmente dependentes economicamente das multinacionais, dando como exemplo A Voz da Galiza.

Referiu que na Galiza existem 300.000 hectares de terrenos com eucaliptos, contribuindo para tal número as "condições climatéricas ideais" para a sua propagação ("crescimento rápido") tal como sucede nas Astúrias.

As zonas litorais galegas são das que mais sofrem com a proliferação do eucalipto, dando como exemplo a zona da Corunha, em que 85% do território está pejado desta espécie, ao contrário do que sucede no interior, em que as temperaturas mais baixas e as geadas impedem a sua propagação.

Seguiu-se um debate com os assistentes.


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