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Assembleia Municipal

Deputados socialistas realçam políticas camarárias

CDU diz haver "revolta dos munícipes" devido ao aumento da água

PSD assegura que "Liliana Silva vai mostrar o que vale"

Miguel Alves admite um ano "difícil" no ensino devido às obras

O período prévio da última Assembleia Municipal de Caminha foi aproveitado de forma diferente pelas três forças políticas com assento neste órgão autárquico caminhense.

Se o PS optou por elogiar a gestão camarária na melhoria da qualidade de vida da população, a CDU voltou a manifestar receio pelas consequências da eventual privatização da água e pediu esclarecimentos sobre a gestão dos montes, ao passo que o PSD deu relevo à chegada de Liliana Silva à Assembleia da República.

Três deputados municipais socialistas (Vítor Brás, Filipe Fernandes e Gaspar Pereira) encarregaram-se de evidenciar os investimentos e obras realizadas ou programadas pelo Executivo municipal e as medidas sociais de apoio às famílias carenciadas.

Âncora começa a ser recompensada

O primeiro, fez questão de referir que as pessoas estão atentas às obras concretizadas no concelho de Caminha, nomeadamente, "pelo que se promete e faz ou não".

Vítor Brás acentuou o investimento de três milhões de euros no saneamento em Argela, Âncora e Vilar de Mouros (assinalou que já se encontrava a ser pavimentada a estrada do Funchal), a par de mais 1,5 milhões na mesma área nas freguesias de Azevedo, Venade e Âncora (Lage).

O eleito socialista destacou estes cinco milhões de euros investidos na "qualidade de vida do interior" do município caminhense, tendo apreciado em particular a aposta no saneamento da freguesia de Âncora, uma terra que teve de suportar os inconvenientes de uma ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) instalada na Gelfa sem que daí tivessem resultado na altura benefícios para esta aldeia, mas que agora começa a ver reposta essa injustiça.

Elogio às políticas inclusivas

Um protocolo estabelecido pela Câmara de Caminha com a empresa "Dignitude" (uma IPSS sem fins lucrativos) permitirá às pessoas (doentes crónicos) com dificuldades económicas para acederem à aquisição regular de medicamentos, receberem um apoio anual de 100€, após os serviços sociais camarários detectarem "correctamente" quem estiver necessitado desse auxílio financeiro, assinalou o deputado socialista Filipe Fernandes.

Este autarca referiu que todas as farmácias do concelho serão "parceiras" neste projecto, pelo que toda a população carente será abrangida.

"Concelho é uma terra que mexe"

Gaspar Pereira, após escolher uma frase para definir o estado actual do concelho ("Caminha, uma terra que mexe"), elencou uma série de obras em curso ou em vias de serem concretizadas.

Um milhão de euros para a Sandia -"uma obra que resolveu problemas de décadas", e pela qual a Câmara lutou, precisou Gaspar Pereira -; 1,7 milhões a investir na futura Escola Básica, ambos investimentos em Vila Praia de Âncora, e os 3,7 milhões para a Escola Preparatória e Secundária de Caminha, não caíram no esquecimento deste deputado municipal.

Gaspar Pereira concedeu relevo à "palavra dada, palavra honrada" e solicitou ao presidente da Câmara que prestasse mais alguns esclarecimentos sobre estes projectos.

"Está-se a engordar o porco para o levar à feira"

A CDU não esconde a sua posição divergente quanto à decisão da maioria socialista de ter aderido à nova empresa de águas com a finalidade de tentar resolver o problema estrutural da rede de distribuição e do défice de exploração.

Celestino Ribeiro voltou a criticar em Assembleia Municipal esta opção, insistindo em que "está-se a engordar o porco para o levar à feira", de modo a tornar "mais apetecível" a privatização destes serviços que deveriam ser mantidos na esfera pública, sublinhou.

Apontou como primeiro passo para uma eventual compra por privados do abastecimento de água, o aumento da factura da água no concelho de Caminha no mês de Janeiro, facto já anunciado previamente pelo presidente da Câmara, frisou.

O deputado municipal comunista referiu que o forte aumento registado neste início de ano se deveu ainda à "contagem por estimativa" realizada, ao invés de terem (Câmara Municipal, que até Julho ainda arrecadará as receitas das facturas da água, após o que passará a ser ser feito pela nova empresa) procedido a uma contagem real até final do ano passado, o que motivou agora um aumento substancial das tarifas.

Celestino Ribeiro enfatizou a "revolta dos munícipes" quando confrontados com as facturas da água, situação que vai continuar a agravar-se, prevê, nomeadamente quando a nova empresa passar a exercer o controlo total destes serviços.

Gestão dos montes preocupa

Outra situação abordada por Celestino Ribeiro, prendeu-se com a gestão dos montes, lamentando a "falta de conhecimento popular" desta temática.

Após criticar o aumento descontrolado de eucaliptos, este eleito local perguntou sobre quem recai a responsabilidade da limpeza das linhas de água e quem substitui os antigos couteiros. Duvida de uma melhor prevenção e acção no terreno e interpelou o Executivo sobre o controle da gestação espontânea dos eucaliptos.

Passeios intransitáveis

A finalizar a sua intervenção, pediu que se tivesse em atenção a situação dos passeios a nascente da Av. Ramos Pereira, em Vila Praia de Âncora, pejados de esplanadas que interferem no trânsito das pessoas, nomeadamente nas que que possuem mobilidade reduzida.

"Vai marcar a agenda no Parlamento"

A nova função política de Liliana Silva como deputada na Assembleia da República não foi deixada em claro pela bancada dos sociais-democratas na Assembleia Municipal de Caminha.

Taxa Araújo leu um texto em que destacou que este cargo de Liliana Silva era "um prémio ao seu currículo político" e mostrou-se convicto de que "vai mostrar o que vale", por ser "uma mulher e mão de três filhas" que "nunca desistiu" de lutar pelas suas ideias.

Este deputado municipal e chefe do grupo parlamentar do PSD na AM, assegurou que a deputada Liliana Silva "vai marcar a agenda no Parlamento" e, em referência a outro(s) adversário(s) político(s) do concelho de Caminha, acentuou que "outros já a tentaram imitar".

Depois de manifestar o orgulho com que foi encarada no seio dos sociais-democratas, a ascensão da deputada, Taxa Araújo terminou a sua intervenção vincando que "estamos contigo".

"É a maior candidatura do norte"

As intervenções dos deputados municipais foram alvo de comentários e apreciações por parte de Miguel Alves, presidente do Executivo.

Incidiu nas obras na área do ensino que se perspectivam nos próximos tempos, classificando de uma "vitória" a canalização de 1,5 milhões de euros dos restos dos Programa Portugal 2020, por parte do Ministério da Educação, para a construção de uma Escola Básica nova em Vila Praia de Âncora, aos quais se juntarão 270.000€ da comparticipação camarária. Acentuou mesmo que esta tinha sido a maior candidatura do norte aprovada pelo Ministério da Educação.

O autarca sublinhou a "importância" deste investimento em Vila Praia de Âncora e o facto de a obra permitir "libertar" espaço para outros graus de ensino na Escola Preparatória e Secundária do Vale do Âncora. Vincou ainda a possibilidade que se abre à Academia de Música Fernandes Fão para abrir uma sede no edifício da nova escola, a qual será ainda dotada de um auditório destinado a todos os graus de ensino da vila. Tal como já tinha referido ao C@2000, Miguel Alves prevê que as obras se iniciem durante o ano de 2020.

"Vai ser um ano difícil"

Referindo-se à obra de remodelação da EB2,3/S de Caminha, admitiu "algumas dificuldades iniciais" no lançamento do respectivo concurso, sendo forçados a incluir mais verbas, elevando o preço para 3,5 milhões de euros, mais IVA a 6%.

Pormenorizando, disse que decorre o período de avaliação das três propostas que apresentaram valores ligeiramente abaixo do preço do concurso, seguindo-se as reclamações (se as houver) das empresas preteridas e o envio de todo o processo para o Tribunal de Contas a fim de o avalizar, contando ser possível iniciar as obras logo que termine o ano lectivo. Advertiu, contudo, que será "um ano difícil" para toda a população escolar, com as obras a decorrer em simultâneo com as aulas.

Munícipes aconselhados a poupar água

Respondendo à rábula dos porcos, citou Kennedy a propósito da invasão da Baía dos Porcos (Cuba). Miguel Alves insistiu que o sistema da água se encontra em ruptura total, dando como exemplo a incapacidade dos serviços camarários em proceder à leitura de todos os contadores.

Admitiu não haver dúvidas sobre os aumentos grandes das tarifas e que os próximos tempos não serão bons neste domínio, mas aconselhou os munícipes a poupar água.

"Monte está melhor"

Sobre a gestão dos montes, admitiu não lhe ser possível responder a todas a questões, mas sabe que este problema não será resolvido de uma só vez, mas que valeu a pena começar a fazer algo. Terão sido limpos 200 hectares de mato, 142 a cargo dos Baldios e 164 como resultado de fogos controlados e prevenção.

"Montes estão melhor", assim caracterizou a situação, pese embora reconhecesse que "ainda há muitas coisas a melhorar".

Miguel Alves acusou aqueles que atacam o serviço público, concluindo, que, afinal, o Estado é necessário, tal como a Câmara, que "contribui com o nosso bocadinho".

Âncora, Argela e Vilar de Mouros as freguesias com maior risco

A finalizar, o presidente do Executivo sinalizou as freguesias de Âncora, Argela e Vilar de Mouros como sendo de prioridade máxima na próxima época de fogos florestais.


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Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
Autor: Paulo Torres Bento
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Da Monarquia à República no Concelho de Caminha
Crónica Política (1906 - 1913)

Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


O Estado Novo e outros sonetos políticos satíricos do poeta caminhense Júlio Baptista (1882 - 1961)

Organização e estudo biográfico do autor por Paulo Torres Bento
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Autor: Domingos Cerejeira
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