Como eu gostava de escrever com as cores do arco-íris! As águas espelhariam os céus, as nuvens diáfanas ou mesmo as carregadas e digo carregadas porque há setenta anos atrás o chamar-lhes " negras " custava-me uma estampilha da minha mãe que achava que chamar-lhes isso era pecado e o Senhor castiga sem pau nem pedra!
Lá querer, eu queria, mas a poluição rouba os verdes e os azuis.
Como eu gostava de usar palavras ternurentas, macias para valorizar os sentimentos humanos para com os nossos irmãos, os animais, a natureza nossa mãe!
Lá querer, eu queria, mas o amor diminuiu de tal modo que não o encontro entre nós. É certo que vejo mal, mas as lentes de contacto deviam fazer o seu papel, não é?
Como eu gostava de confiar nos nossos governantes, nos nossos juízes, na nossa segurança social, no nosso ensino, na nossa saúde e acreditar que fazem tudo com honestidade, com altruísmo, com respeito cívico.
Lá querer, eu queria, mas a justiça fecha os olhos à roubalheira descarada que os colarinhos brancos praticam! Os governantes beneficiam quem se abotoa com os dinheiros públicos e dão a factura ao Zé pagante que paga sempre a remorder impropérios mas paga. Não se obrigam os ladrões de casaca a devolver os euros que andam pelos paraísos fiscais, PORQUÊ? Não tenho cores brilhantes para pintar um país angustiado, de horizonte cinzento, onde a esperança perdeu o verde e a ardilosa prescrição dos crimes contra os portugueses é a palavra chave dos que teimam em branquear os corruptos que nos espezinham.
Como eu gostaria que estas letras fossem punidas por difamarem a " Gestão " que nos vai conduzindo à descrença e ao desencanto!
Lá querer, eu queria!
A ideia de violência e a certeza da sua existência são tão antigas como o homem; a sua constante e frequente utilização, como processo de subordinação de uns em relação a outros, pela força, remonta aos primórdios da humanidade. Quer os meios, quer os efeitos, quer os objetivos aplicados ao uso da violência são vários, como diversas são as justificações para a sua permanente ocorrência.
Resulta que a violência é uma intervenção, a partir do exterior, de uma vontade humana, individual ou coletiva, que tenta sobrepor-se a uma ordem estabelecida, de forma a alterar uma situação, modificação de um comportamento, de pessoas ou grupos, ou ainda para as coagir ou suprimir, implicando um projeto de coerção.
Entre muitos exemplos de violência que se podem apontar, alguns bastam para a ilustrar: matança de inocentes determinada por Herodes aquando do nascimento de Cristo; genocídio dos judeus, ordenado por Hitler; torturas físicas e psicológicas aplicadas pelas polícias políticas, para submeter os cidadãos à vontade do Poder; instrumentalização ideológica, utilizada por certos grupos políticos, no sentido de captarem a adesão dos eleitores para ideais e programas de difícil aceitação espontânea e, por fim, o recurso à guerra para, alegadamente, resolver situações, entre sociedades e civilizações.
Um outro grupo de violências não se pode ignorar: pedofilia; tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e escravatura; comercialização de órgãos humanos; exploração de crianças no trabalho infantil e na mendicidade organizada; várias agressões domésticas; terrorismo; traficância e consumo de estupefacientes; negociação de armas; assalto à mão-armada; raptos; homicídios; abuso de poder.
É impossível ignorar a violência muito específica contra crianças, adolescentes e jovens. Na verdade: "Os problemas mais significativos no que se refere à população infanto-juvenil (…) são a subnutrição, o abandono escolar e a entrada demasiado precoce no mercado de trabalho. E estes problemas aprofundam-se quando falamos de gravidez na adolescência. É necessário trabalhar com os adolescentes, acompanhando-os neste processo, fortalecendo a sua autoestima, o sentido da responsabilidade, o cuidado com a saúde e possibilitando a definição de projetos alternativos para as suas vidas. Cremos ser fundamental reforçar os vínculos familiares para evitar que as crianças cheguem à situação de viverem sozinhas na rua ou acabarem institucionalizadas." (BERGOGLIO, 2013:160.61).
A partir do conhecimento de inúmeras ocorrências de violência, pode-se ficar com a ideia de que algum tipo delas, até poderá ser uma forma de solução de diversos conflitos, tomados como impossíveis de resolver de outro modo, e incapazes de permanecerem sem solução. Por exemplo: como reagir contra o terrorismo, através do qual, seres humanos são "degolados" com espetacularidade televisa mundial?
Naturalmente que a violência poderá ser abordada sobre dois aspetos: enquanto solução de alguns conflitos, que de outro modo permanecem insolúveis e este seria, em parte, o lado positivo; enquanto fonte de instabilidade e geradora do mal e, nesta perspetiva, destacar-se-ia a face negativa da violência.
Genericamente considerada, a violência ainda existe, de múltiplas e camufladas formas, infelizmente, hoje tão em uso, desde logo, a partir das famílias e com uma generalização que, por enquanto, não se vislumbra poder vir a reduzir-se drasticamente, embora a situação, na maioria dos países democráticos, não se possa considerar alarmante.
Bibliografia:
BERGOGLIO, Jorge, Papa Francisco, (2013). O Verdadeiro Poder é Servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Tradução de Maria João Vieira /Coord.), Ângelo Santana, Margarida Mata Pereira. Braga: Publito.