O ministro da Economia veio ontem à tarde a Caminha acompanhado de quatro secretários de Estado, apadrinhar a assinatura de dois contratos entre a Câmara de Caminha e a empresa Disconstrução Lª (Requalificação de parte do Centro Histórico de Caminha) e com a Turismo do Porto e Norte de Portugal (instalação da rede wi-fi no Terreiro e largos do Hospital e Calouste Gulbekian).
No primeiro caso, estão em causa 340.000€ (incluindo IVA a 6%) de uma primeira fase da reabilitação do Centro Histórico da vila, incluindo as ruas Direita, Travessa do Tribunal e largos dos Combatentes e Hospital, com fundos comunitários do Portugal 2020. A obra consta da remodelação da rede de águas e dos pavimentos e deverá começar no próximo mês.
Embora esta obra contemplasse uma empreitada no valor de 800.000€ e a realizar de uma só vez, incluindo ainda trabalhos no Terreiro (estrada) e Rua de S. João (nivelamento do pavimento da estrada pelos passeios), o que é facto é que acabou por ser dividida em duas fases, ao contrário do que sucede desde Novembro do ano passado em Vila Praia de Âncora, em que a obra da Sandia (rede de águas, pavimentos e construção de passagem superior pedonal sobre a EN13), vai ser feita de uma única só vez, através de um montante de 1 milhão e cinquenta mil euros.
Projecto de Caminha dividido em duas fases
Recorde-se que estes dois projectos em Caminha e Vila Praia de Âncora foram anunciados em simultâneo e deveriam ter-se iniciado ao mesmo tempo, mas acabou por arrancar primeiro o desta vila. Agora, o de Caminha foi dividido em duas partes.
Miguel Alves, presidente do Município de Caminha, no seu discurso neste acto que decorreu na Biblioteca Municipal, após referir que a obra de requalificação do Terreiro e Rua de S. João (2ª fase - 540.000€) também deveria iniciar-se em Fevereiro, rectificou, baseado no que o seu vereador das Obras Públicas o informara. O que deverá ser lançado em Fevereiro é o concurso e quanto ao início dos trabalhos será durante este ano, sem adiantar qual o mês.
As "coisas estão bem"
Miguel Alves admitiu que estas obras representam um "grande esforço" - com o apoio dos fundos comunitários do Programa 2020 que agora termina -, só possíveis porque as "coisas estão bem", o que permitirão "alavancar a economia local".
Deu como exemplos vários dados estatísticos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, nomeadamente na indústria mais importante do concelho de Caminha, em referência ao turismo: se em 2012 os hóspedes tinham diminuído para níveis baixíssimos, desde então, têm vindo sempre a subir, registando-se mais 77,7% em 2018, representando um aumento de 1.124 de dormidas; as visitas aos postos de turismo registaram uma subida de 39.000 (mais 63%) de visitantes num total de 65.880 turistas; no tocante aos peregrinos, houve um aumento de 30,5% em 2018, equivalendo a mais 656% de caminhantes desde o ano de 2012; o número de desempregados em 2018 desceu 67%, no que toca aos últimos cinco anos.
Estes dados levaram o autarca a felicitar todos os que laboram ou investem.
Para que este sucesso se manifestasse, Miguel Alves destacou as apostas do Município, com resultados vários, apontando a passagem de três para cinco bandeiras azuis nas praias do concelho e os muitos quilómetros de ecovias construídas - acabadas de serem classificadas pela sua importância -, seguindo-se a de Lanhelas.
"Estratégia trouxe Governo até nós"
Miguel Alves disse que esta "estratégia" seguida pelo seu Executivo "trouxe, hoje, o Governo até nós".
Aproveitando a presença da comitiva governativa em Caminha (a qual reuniu mais tarde no Salão Nobre dos Paços do Concelho com os agentes regionais de desenvolvimento), o autarca caminhense pediu mais investimento.
Forte da Ínsua à venda
Primeiro, referiu-se ao aproveitamento do Forte da Ínsua, cuja venda o Estado pretende desenvolver. Segundo revelou o autarca, "hoje mesmo enviamos o levantamento do forte" para Lisboa, de modo a permitir que o respectivo concurso seja lançado.
Ligação com a margem galega
Depois, aludiu às relações transfronteiriças, pedindo o investimento dos fundos europeus numa região que pode beneficiar dos cerca de dois milhões de consumidores galegos. Adiantou que já tinham agendado uma reunião com os respectivos agrupamentos dos dois lados do rio Minho, de modo a encontrar alternativas ao ferry - o único meio de transporte na foz do rio Minho.
Além deste projecto, Miguel Alves pediu ainda ao ministro um "projecto piloto para o comércio tradicional".
"Testemunhar o que se passa no Alto Minho"
Siza Vieira, ministro da Economia, revelou que a deslocação a Caminha se enquadrava numa missão de "testemunhar o que se passa no Alto Minho" e a "valorização económica" da região.
Pretenderam ainda "avaliar o impacto das medidas do Governo" no tecido económico e social do distrito, através destes contactos com as estruturas locais".
O ministro manifestou o seu regozijo pela "vitalidade" das políticas locais e a importância dos seus agentes económicos.
Dado que outro dos projectos a lançar em Caminha, inicialmente no Terreiro, Largo Gulbenkian e do Hospital, em matéria de rede de Internet sem fios, num valor de cerca de 70.000€, tinha sido igualmente objecto de uma assinatura de um contrato entre o Turismo do Porto e Norte de Portugal e a Câmara, Siza Vieira adiantou a existência e mais 27 projectos nesta área para o Alto Minho e pretender ainda desenvolvê-los em mais 128 centros históricos desta região, através de um investimento de 26 milhões de euros.
"Projecto do Forte da Ínsua é para avançar"
O governante manifestou publicamente a sua satisfação pelos logros revelados por Miguel Alves, bem como os recursos da região e das "suas pessoas" parecendo que os turistas passaram agora a conhecer a região alto-minhota, vincou.
Prometeu "tomar boa nota" dos recados recebidos e garantiu que o projecto do Forte da Ínsua é para avançar.