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Vila Praia de Âncora

Assembleia e Junta de Freguesia querem pôr cobro às transgressões ao trânsito na Praça da República

Venda de terrenos para obra do cemitério divide AF

Dia da Comunidade Ancorense

Os eleitos locais de Vila Praia de Âncora já perderam a paciência e avançaram com um abaixo-assinado aberto a todos os moradores, a fim de o entregar ao Executivo camarário, exigindo que se ponha cobro às contantes violações à restrição ao estacionamento e trânsito na Praça da República.

Na última reunião da Assembleia de Freguesia (AF) de 2018, o delegado eleito pelo PSD José Vieira foi o primeiro a insurgir-se contra a anarquia que se verifica no coração da vila, originando um "perigo" constante para os peões (uma das situações verificou-se com ele próprio e uma familiar, descreveu), a par de o piso se encontrar deteriorado devido à passagem constante de todo o tipo de veículos, incluindo os pesados da Câmara.

Este delegado insurgir-se-ia também pelos actos de vandalismo praticados (vasos partidos) na Rua Cândido dos Reis.

"Problema crónico"

Este "problema crónico", como o apelidou Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia, suscitou uma discussão alargada, com críticas à falta de vigilância policial e ao desrespeito pela sinalização existente.

Esta situação levou Manuel Marques, presidente da Assembleia de Freguesia, a admitir uma eventual "maldição" lançada sobre as obras realizadas nesta praça num dos mandatos do PSD. Reforçou que o piso se encontra degradado e que não existem garagens num dos pontos a norte da praça que possam justificar a circulação de veículos.

A discussão prolongou-se, tendo sido contestada a reivindicação de uma moradora que diz possuir um espaço privado nesse extremo da Praça da República, ao mesmo tempo que Luís Matias, secretário da Junta de Freguesia, informou que ele próprio tinha contactado a GNR a fim de confirmar se alguém tinha autorização para estacionar neste largo, tendo-lhe sido garantido que isso não era verdade.

A fim de conseguir resolver o problema, Carlos Castro convidou os delegados da AF a subscreverem um abaixo-assinado a remeter para a Câmara - conseguindo a anuência dos nove delegados -, bem como colocar este documento à disposição dos moradores da vila, de modo a que fosse reforçada a vigilância e controle do trânsito.

Junta insiste na ampliação do cemitério

A Junta de Freguesia voltou a incluir no seu Plano de Actividades a obra de ampliação do cemitério.

Para tal, propõe-se vender terrenos que pertencem à freguesia, depois de já terem sido gastos 35.000€ na aquisição de parcelas para a ampliação e mais 30.000€ para construir um muro, mas apenas venderão património da freguesia que for estritamente necessário para a ampliação, garantiu Carlos Castro, perante as reticências colocadas pelo delegado socialista Manuel Luís.

Oposição socialista alerta para perigo de venda de terrenos

Manuel Luís evidenciou descontentamento pela venda de terrenos da freguesia, porque, futuramente, a Junta ficará impossibilitada de deitar mão de alguma parcela perante uma emergência que surja. Este delegado perguntou ainda à Junta por que não tinha vendido os terrenos nos últimos cinco anos se já previam a ampliação, ou, então, poderiam ter poupado 60.000€/ano durante esse tempo, e já teriam resolvido isto.

Manuel Luís estranhou ainda que no Plano de Actividades/2019 tivessem escrito que ainda tinham campas disponíveis para mais de um ano, quando no documento de 2018 diziam que só havia para um ano.

Analisando o Pano de Actividades deste ano, Manuel Luís criticou o facto de ser uma cópia do ano anterior e insistirem na palavra "pugnar", o que demonstraria, segundo este eleito local, que não possuem qualquer obra concreta prevista.

"Não vamos mudar"

As palavras do delegado socialista mereceram réplica da Junta de Freguesia, através de Carlos Castro, afirmando que "o delegado Manuel Luís surpreende-me pela negativa", denotando "nervosismo e pelo tom de voz", levando-o a concluir que "tem algo contra nós".

Castro insistiu que o que "dissemos no ano passado, voltamos a repetir agora". "Não vamos mudar", vincou.

Acrescentou que uma das razões do retardar da obra, ter-se-ia ficado a dever ao atraso de oito meses que a Câmara tinha demorado a responder ao pedido de parecer favorável solicitado - e que foi "negativo", sublinhou.

Junta de Freguesia disse que no tempo do PS também se vendeu

Relativamente à crítica da venda terrenos, Carlos Castro recordou que "no tempo do PS" tinham sido vendidos muitos terrenos, dando como exemplo a encosta de Vilarinho.

Comentando a descida dos preços de venda de terrenos que o PS apontara, o líder do Executivo de Vila Praia de Âncora atribuiu a culpa ao novo PDM que diminuíra o índice de construção, o que os terá desvalorizado. E quanto à sugestão de poupança dos 60.000€/anuais, Luís Matias frisou que as receitas de capital não podem passar para o ano seguinte, o que impediria o aforro a que Manuel Luís Martins se referira.

Vereador Rui Lages avaliou situação do cemitério

Após acusar Manuel Luís Martins de não ir ao cemitério e desconhecer a urgência da ampliação, enalteceu a postura do vereador Rui Lages que se deslocou ao local, verificando a premência da obra justificada pela Junta e comprometendo-se a resolver este problema, divulgou Carlos Castro.

"Até os erros se repetem"

Este debate à volta do cemitério decorreu da aprovação do Orçamento (580.000€) e Plano para 2019, documentos analisados pela oposição socialista, insistindo estes na "quase cópia literal" do Plano de 2018, em que "até os erros de repetem", situação denunciada com exemplos, e acusando o documento de apenas conter "intenções".

"Não me impressiona que seja igual"

Entrando igualmente a comentar os documentos de gestão para 2019, Manuel Marques, presidente da AF, na sua longa intervenção, afirmou que não o impressionava que os planos fossem iguais, desde que as "intenções sejam correctas".

"Os valores são uma previsão", adiantou Marques, além de ser "difícil" preparar os documentos, por não existirem funcionários na Junta para elaborar os textos.

Referiu não valer a pena "empolar" as verbas, e quanto a estes valores, lamentou que a Câmara apenas disponibilizasse 28.000€ para despesas correntes e 35.000€ para as de capital, além de ainda não ter liquidado compromissos relativos a 2018.

Propostas placas identificativas dos pesqueiros

Tradição que as assembleias de freguesia fazem questão em manter, é escalpelizar o que é feito (ou não) na vila no período que medeia entre cada reunião. Assim sucedeu novamente nesta última sessão. A par das questões anteriormente abordadas (Trânsito na Pr. da República e ampliação do cemitério), muitas outras mereceram a atenção de delegados e membros da Junta.

O estacionamento na Rua Miguel Bombarda preocupa José Vieira, face ao livre arbítrio que se verifica, levando este delegado (ex-membro da Junta de Freguesia há anos atrás) a pedir a intervenção da GNR, e sugerir a criação de um único sentido, proposta não muito bem aceite pela Junta de Freguesia. Carlos Castro aproveitou para referir a intervenção realizada pela Câmara na Rua Pontault-Combault, que desemboca na Miguel Bombarda, elogiando-a, e apoiando a decisão de aproveitar os 50.000€ de uma caução de um empreiteiro que não concluiu o projecto, para o arranjo do piso e passeios.

O embelezamento da Ecovia do Atlântico mereceu uma apreciação de Manuel Luís, manifestando o seu desagrado pelas esculturas aí colocadas, e pelo facto de não ter sido promovida uma discussão pública sobre elas. Adiantou que teria sido preferível aproveitar as rochas existentes ao longo da orla marítima para identificar os diversos pesqueiros.

Este delegado pediu à Junta que intercedesse para que fosse nivelado o piso da passagem de nível pedonal do Campo do Castelo, face à perigosidade que revela para quem a cruza.

Após a intervenção na Rua Jacob Pinheiro e em parte da de Bulhente, seria necessário arranjar o piso da Rua Sulpício Rocha, sugeriu o delegado.

Este delegado pediu também que fosse preservado o passadiço da duna dos Caldeirões, apesar de não estar instalado, na sua maior extensão, na freguesia de Vila Praia de Âncora, e, com o empenho da comunidade, sugeriu ainda o desbaste do matagal nesta área, situação de igual modo denunciada por José Vieira.

O facto de terem sido feitas intervenções nas ruas do Paraíso e Requeixo que não constavam do Plano de Actividades de 2018, suscitaram um pedido de explicações à Junta.

A iluminação pública e a de Natal mereceram apreciações dos delegados José Vieira e Vera Araújo, com o primeiro a lamentar as falhas nos candeeiros e a segunda a dizer que a iluminação de Natal era mais fraca do que a de Caminha, além de a programação de Natal ter contemplado poucas actividades.

Coube a Carlos Castro interpretar as análises destes delegados, começando por referir que já tinham contactado a Refer para que procedessem ao nivelamento da passagem de nível do Castelo.

Concordou que deveriam (Câmara) ter procedido ao arranjo de toda a Rua do Bulhente, posição já comunicada ao vereador Rui Lages. A questão dos passadiços é da competência da APA, o que o levou a concluir ser difícil intervir, tal como acontece com a limpeza dos Caldeirões, dando como exemplos a intervenção da Polícia Marítima ao retirar uns sinais colocados pela Junta, alegando que "não se podia pisar as pedras". Deu outro exemplo, a propósito de uma intenção de intervenção na Duna dos Caldeirões, com o aparecimento da GNR e "vim algemado para o posto", disse.

Carlos Castro justificou as intervenções nas ruas do Requeixo e Paraíso, pelo facto de outras obras estarem contempladas no plano do ano passado, mas que não foi possível materializar porque não encontraram empresas com calceteiros para realizar os trabalhos, decidindo então avançar para outros melhoramentos em ruas onde não eram necessários operários dessa arte, uma vez que serão alcatroadas.

Outro delegado social-democrata, Ricardo Cunha, após proceder à leitura e elogio do "trabalho positivo" da Junta, afiançou ser esse "o caminho certo a trilhar no novo ano (2019)". Deu também os parabéns à Junta pelo "esforço" desenvolvido para que tivesse havido iluminação no Natal e ter mostrado um "cartão vermelho" na Assembleia Municipal ao Executivo camarário pelos aumentos dos impostos que vão acontecer este ano.

As "crateras" existentes nos arruamentos de Vila Praia de Âncora, nomeadamente nas suas entradas sul e norte, levaram Tiago Castro (PSD) a pedir informações sobre eventuais diligências encetadas pela Junta no sentido de debelar estes problemas. Segundo Carlos Castro, tapam os buracos, mas vem a chuva e volta tudo à estaca inicial. Na sua opinião, deveriam rectificar o piso uns três metros para cado lado dos buracos, para que a obra ficasse em condições.

Elogio às obras da Câmara

Por outro lado, Rui Amorim (PS) elencou uma série de melhoramentos levados a cabo pela Câmara em V.P.Âncora, sem esperar pelas eleições, sublinhou, citando o caso da obra iniciada há pouco tempo na Sandia.

Carlos Castro não acredita na passagem superior sobre a EN13

Comentando as obras em curso na Sandia, Carlos Castro disse ter apreciado esta empreitada, só que não acredita na construção de uma passagem superior pedonal sobre a EN13, entre a Rua 25 de Abril e a Cruz Velha.

E não acredita na concretização de tal passagem aérea porque existem terrenos particulares (incluindo um da freguesia de Vila Praia de Âncora) nos dois lados da estrada, sem que alguém tivesse sido contactado previamente. Lamentou que não lhes tivessem fornecido o projecto, o que levou a Junta a solicitá-lo.

"Começaram pelo telhado"

As inundações verificadas em Dezembro na zona do Continente devido a forte pluviosidade e que obrigaram à intervenção dos Bombeiros, levaram a Junta de Freguesia a dar a sua opinião sobre as obras. Segundo opinou Carlos Castro "as obras iniciaram-se mal", porque deveriam ter começado "de norte para sul" através da instalação de uma conduta sob a linha do caminho-de-ferro em direcção ao mar. "Começaram pelo telhado", assim classificou o autarca o início das obras, perante a existência de uma conduta de grandes dimensões de águas pluviais que estabelece ligação com outra de menor envergadura, no início da R. 5 de Outubro, temendo que a situação se agrave se a água vier encaminhada como está a suceder, avisou. Reforçando o seu ponto de vista, "a jusante será uma desgraça".

Perante os problemas de iluminação pública existentes na vila, Carlos Castro confirmou a reunião mantida por todas as juntas e Câmara com a EDP há mês e meio, mas sem que vissem resultados, a despeito das promessas dos representantes dessa empresa privada.

Referente às iluminações de Natal, disse terem feito o possível, perante a não adesão dos comerciantes, ao contrário do que sucede em Caminha. Só que nesta vila, o comércio facilmente recupera o seu investimento, devido a que o volume de negócios é superior ao de V.P.Âncora, recordou Luís Matias, secretário da Junta.

Sugerida criação do Dia da Comunidade Ancorense

Os ancorenses intervieram no período destinado ao público, com destaque para o reforço da proposta do delegado Manuel Luís Martins por parte de Hugo Martins, para que se crie o Dia da Comunidade Ancorense já no próximo ano. A pedido de Carlos Castro, este morador confirmou que concordava com a data do 8 de Julho para esse fim, no que foi corroborado pela própria Junta.

Sensibilizar comércio e restauração

Hugo Martins pediu uma campanha de sensibilização junto do comércio e restauração locais, para que não encham os contentores no domingo de manhã, no período de verão, e depositem os resíduos sólidos de uma forma selectiva, após o que manifestou o seu pesar pela "falta de união" dos comerciantes, patente no caso da iluminação de Natal, vincando que não podem contar apenas com o apoio financeiro do erário público.

Castro disse que já pensaram numa campanha de sensibilização dos restaurantes e quanto à posição dos comerciantes, foi referido que estes estão sem dinheiro, devendo a Câmara, por conseguinte, "investir mais cá". Deu como exemplo a decadência da Festa do Mar e da Sardinha.

Caos na Mesquita da Silva

Este ancorense chamou ainda a atenção da Junta para o estacionamento caótico na Rua Mesquita da Silva durante o verão, impedindo o acesso a garagens. Segundo lhe teria referido a GNR, não possuem reboques e as multas aplicadas a estrangeiros não têm qualquer efeito prático. Carlos Castro confirmou o caos nesta artéria ancorense.

No entanto, apesar das intervenções de três habitantes de V.P.Âncora nesta assembleia, Alberto Magalhães lamentou que fossem tão poucos, tendo também chamado a atenção para o mau estado de algumas ruas, citando os casos da 31 de Janeiro e 5 de Outubro e a circulação de pesados na Praça da República.

Unidade de Saúde Familiar

Esta reunião foi aproveitada pela delegada eleita pelo PS, Sandra Fernandes, para chamar a atenção para a acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida ao Centro de Saúde (Unidade de Saúde Familiar) e recordar os serviços prestados à população por este pólo de apoio à saúde, assim como se congratulou com o fim da contratação de trabalhadores em trabalho irregular por parte da Junta, quando foi aprovado o novo quadro de pessoal para 2019.



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Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
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