De modo a que não restem dúvidas sobre as práticas políticas repressivas do curto período do consulado sidonista (Dezembro 1917- Dezembro 1918), transcrevemos mais um apontamento histórico recolhido pelos autores da rubrica "Há 100 Anos", emitida regularmente pela Antena 2, referente a uma notícia de um jornal de 25 de Junho de 1918:
"Em Junho de 1918, a "Manhã" fazia anúncio dos maus tratos aos presos políticos mandados prender por Sidónio Pais.
Os presos de Monsanto, transcrevemos do "Século" da noite de ontem, o mundo de lhes poder garantir sem receios de desmentido que muitos dos prisioneiros políticos que se encontram no forte de Monsanto estão atacados de angina, não só pelas más condições de higiene da prisão, como por terem sido conduzidos de madrugada de camião, sem que os deixassem resguardar convenientemente.
Pensamos que não há o direito de tratar presos políticos como quem trata presos de delitos comuns. A Monarquia fez isso, é certo, aos republicanos, chegando após a Revolta de 31 de Janeiro à degradação de meter na penitenciária o cabo Salomé e de mandar num porão de navio para África, presos da categoria mental de João Chagas e outros. Mas o que o regime monárquico praticou contra adversários, não pode nem deve a República, chame-se ela velha ou nova (República Nova era o nome imposto por Sidónio Pais ao seu consulado, tal como Salazar - apenas por coincidência, claro está -, intitulou de Estado Novo os 48 Anos de fascismo, recorde-se), praticar contra autênticos republicanos, que uma tal situação, por mais deprimente, acabe pois rapidamente, eis o que a "Manhã", sempre republicana e só republicana, advoga de uma forma pura e simples".
Cremos ter sido suficiente o esclarecimento, para os menos avisados, através dos artigos que publicámos nestas três edições, relativamente ao processo político que decorreu entre 1917 e 1918, embora ainda houvesse muita matéria a explorar.