"Beirada do Rio Minho sem interrupções e sem entorses"
Os 10 municípios do Alto Minho, pretendendo promover a criação de dinâmicas culturais da região, dentro de um "panorama artístico e arquitectónico contemporâneo", envolveram-se num programa (Desencaminharte) criado há um ano no âmbito da CIM Alto Minho que tem como objectivo "valorizar o património cultural e natural da região", através da criação de obras de arte.
Lanhelas foi a escolhida
A Câmara de Caminha escolheu a freguesia de Lanhelas e a sua zona ribeirinha, um espaço em que "se sente uma calma enorme e idílica" justificou a arquitecta Filipa Almeida, autora de uma peça escultórica inaugurada no passado dia 15, juntamente com o colega Hugo Reis, ambos pertencentes ao colectivo "Hodos".
Espaço com "mística"
A peça representando um abrigo de pesca - cuja requalificação de todos eles é um objectivo da Junta de Freguesia, recordou no acto Josefina Covinha, presidente da Junta de Freguesia - permite uma "conexão com a população", aduziu Filipa Almeida e, simbolicamente, "representa esta acalmia", acrescentou a escultora, que se disfruta neste espaço que possui uma "mística" associada à "pesca, aos contornos rurais e com o rio Minho a atingir uma dimensão inimaginável", precisou Hugo Reis. Este jovem artista explicou que com esta "peça simples queremos que ela faça parte dos costumes do lugar".
Poesia
O acto de inauguração realizou-se no Bar do Rio devido à inclemência do tempo, com dois "momentos" de poesia a cargo de Sónia Almeida, actriz e secretária da Junta de Freguesia de Lanhelas, tendo escolhido Rosalia de Castro, e Maria José Moreira declamou uma poesia de Maria José Areal/Manuel Branco cujos temas se relacionavam com os rios.
"Beirada (do rio) faz parte de todos e de cada um de nós"
O momento foi aproveitado por Josefina Covinha para agradecer à Câmara Municipal a opção por Lanhelas, tendo como referência os abrigos de pesca existentes na beirada do rio, bem como à CIM Alto Minho, patrocinadora deste Desencaminharte, e aos autores da obra.
Histórias da luta pelo pão de cada dia
A autarca lanhelense não esqueceu as inúmeras histórias contadas pelos mais velhos e aquelas que a História se encarregou de nos deixar, como a que está expressa numa tela da Igreja Matriz.
Frota negra, a importância do carocho - tanto utilizado na pesca, como no contrabando ou recreio -, a subida do rio até junto da linha do caminho de ferro -, e muitas outras vivências de uma população profundamente enraizada com o rio que lhe deu ser.
O galego e o português são iguais
Este momento de aprofundamento da ligação ao Minho, foi também aproveitado por Guilherme Lagido, presidente em exercício há mais de um mês pelo facto de Miguel Alves estar a gozar de licença de paternidade.
O vice-presidente camarário, ao ouvir a poesia, lembrou-se de uma conversa mantida com um galego que lhe dissera que "o galego e o português são iguais, só que os portugueses estragaram o galaico-português".
"Isto assenta aqui como uma luva"
"Isto foi sempre uma passagem para a outra margem", assinalou este autarca em representação do Município, após o que destacou este "local lindíssimo, bem preservado e que agora fica mais enriquecido e com outra dimensão", daí a escolha de Lanhelas pelo Executivo municipal, confirmou.
Guilherme Lagido assegurou que esta peça escultórica será "mais uma atracção", porque se pretende "um território bonito, valorizado e que mereça ser visitado". Prosseguindo na sua intervenção, vincou que "a nossa cultura e paisagem são o nosso melhor desenvolvimento, levando-o a concluir que "muita gente vai ter curiosidade em vir ver esta peça" que "assenta aqui como uma luva", concluiu.
No final deste acto, aproveitando uma aberta do tempo, houve oportunidade de uma deslocação ao local da escultura, perto da rampa de acesso ao rio existente a meio da marginal lanhelense.