Jornal "Terra e Mar" passa de papel a digital, Centro de Memória sem verbas terá funcionamento "descontinuado" e CLDS e RSI com futuro "indefinido".
Alteração de estatutos e eleições proporcionaram debate sobre passado e presente da instituição
Embora o saldo previsional para 2019 do Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora (CSCVPA) se anteveja de positivo (cerca de 9.000€ de lucro), há valências com mudanças significativas em perspectiva face a dificuldades financeiras.
No entanto, a grande aposta do CSCVPA vai para a "ampliação da estrutura residencial para idosos", no seguimento da aquisição de uma casa e terreno (do Fiúza) junto ao Lar que permitirá avançar de forma "célere" com o respectivo projecto ainda dentro do actual Quadro Comunitário de Apoio, adiantou José Luís Presa, presidente da direcção, no decorrer de uma assembleia geral realizada no início deste mês.
José Luís Presa referiu que existe "uma lista de espera grande" de idosos a justificar a aposta em quartos individuais e duplos, cuja "lacuna" se torna evidente, justificando dessa forma a "ampliação" do Lar, após concluídas com êxito as negociações com o banco que permitiram a compra do terreno e a habitação que será recuperada para o fim em vista.
Já noutras áreas, a situação é encarada doutra forma e com alguma preocupação.
"Terra e Mar" simplesmente digital
No caso do jornal Terra e Mar, com cuja proprietária, a Temacoope, o CSCVPA tem um protocolo de colaboração, foi anunciado pelo seu presidente e director desse órgão de comunicação social que ele passará a ser editado unicamente em suporte digital, deixando em definitivo a publicação em papel que "é caro", salientou José Luís Presa, justificando ainda a decisão pelas "fortes condicionantes e limitações" da realidade actual à comunicação social, a par de o "número de assinantes não justificar os encargos". Em compensação, pretende "melhorar o seu conteúdo" e "regularizar as datas das edições", bem como captar "mais colaboradores" e "melhorar os equipamentos informáticos e de comunicação".
Papel do Centro de Memória elogiado mas sem suporte financeiro
Com três anos de existência, o Centro de Memória não conseguiu reunir os apoios imprescindíveis à sua continuidade regular, precisou José Luís Presa. Numa primeira fase, a sua área de actuação cingia-se ao Vale do Âncora, como veio a suceder com várias actividades, prevendo-se, seguidamente, ampliar a sua actuação a todo o concelho (com o apoio da Câmara Municipal) e posteriormente ao distrito, contando com o empenhamento da CIM Alto Minho.
O presidente do CSCVPÂncora reconheceu que este projecto "piloto" tinha sido positivo, mas sem o suporte financeiro da autarquia e da Comunidade Intermunicipal, "não o poderemos suportar", esclareceu.
Admitiu que ele não acaba, mas passará a funcionar de uma forma "descontinuada".
Equipa do RSI indefinida
José Luís Presa prometeu continuar a discutir com a Câmara Municipal a manutenção da equipa de apoio ao Regime Social de Inserção, mas depara-se com dificuldades, começando pelo facto de em 2019 não terem querido actualizar as tabelas de apoio com 10 anos de existência, quando os seus técnicos deveriam possuir os salários equiparados aos dos seus colegas que trabalham no Centro Social.
Esta valência deu um prejuízo de 15.200€, atendendo a que tiveram de actualizar salários e progressões na carreira, esperando por uma "clarificação" em 2019, mas foi desde já alertando que "não assinaremos novo acordo se não actualizarem as tabelas de apoio", embora seja seu desejo manter esta equipa, garantiu.
O presidente desta instituição ancorense mantém alguma esperança no desbloqueamento deste caso, atendendo ao processo de descentralização em curso que prevê concentrar nas câmaras muitos dos apoios na área social.
CLDS acaba em Agosto
O CLDS (Contrato Local de Desenvolvimento Social) localizado nas instalações do Centro Social termina o seu período de funcionamento em Agosto do próximo ano, e, "não se sabe o que vai suceder" a partir daí.
José Luís Presa revelou que será feito um estudo a nível nacional para ver quais os municípios prioritários, atendendo a que todos os eles possuem uma ou mais candidaturas para 2019, na vertente de intergeracionalidade, em que os idosos contam aos mais novos as suas experiências de vida, o que foi considerado "bastante positivo".
Baixar os custos de energia
Diminuir os custos com energia será um dos desideratos a partir do próximo ano, a partir da utilização de energias renováveis, nomeadamente, substituindo as fontes de energia.
Todas as candidaturas possíveis de aproveitar não serão descuradas no próximo ano, frisou o presidente desta instituição, que pretende adquirir equipamento informático e vídeo para o Centro de Interpretação, bem como um elemento identificativo do Centro Cultural. O reapetrechamento do Centro de Dia e ERPI e do CATL correspondera a um "amplo projecto de remodelação" das diferentes respostas sociais no Complexo Sócio Educacional.
Estatutos alterados
Correspondendo a exigências da Segurança Social, nesta assembleia geral foram aprovadas 4 alterações de pormenor aos estatutos da instituição.
Corpos Gerentes com alterações
No final desta reunião, foram eleitos os corpos sociais para o quadriénio 2018-2022, verificando-se algumas substituições, as quais motivaram alguns comentários de Francisco Cunha - presidente do Conselho Fiscal desde 1988, e que agora volta a assumir funções "pela última vez", garantiu -, teme que seja um regresso ao "monolitismo" desses primeiros anos do CSCVPA ou a uma "sucessão dinástica".
Pedida reflexão
Este veterano do movimento associativo e da política local (foi durante vários mandatos eleito deputado pelo PSD à Assembleia Municipal de Caminha), aproveitou para dizer publicamente que "soube mais tarde" que "fui convidado em 1988 (para presidente do CF) para quebrar o monolitismo (político)" patente na sociedade ancorense desses anos.
Por tal motivo pediu uma reflexão, sem se opor a ninguém, nem pedir qualquer justificação de qualquer dos membros antigos ou novos do CSCVPA.
"Continuidade e renovação"
Dentro deste quadro, Teodoro da Fonte, presidente da AG desde que Francisco Sampaio deixou de poder dar o seu contributo, disse que tinha colaborado com a instituição que "admiro" e agradeceu a quem esteve ligado a ela nestes últimos anos. Referiu que lamentava não poder continuar a dar "mais um contributo por razões pessoais", mas saudou a "continuidade e renovação".
Relativamente à substituição de Francisco Sampaio no cargo de presidente da AG, José Luís Presa informou que tinha comunicado à família essa decisão motivada pelo seu estado de saúde, aproveitando para agradecer a sua dedicação durante essas três décadas, assim como felicitou Teodoro da Fonte por o ter substituído nos últimos três anos nesse cargo.
Do monolitismo a todos os quadrantes
As palavras de Francisco Cunha motivaram explicações de José Luís Presa, realizando uma retrospectiva desde a criação do Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora, vulgo Centro Cívico.
O presidente da direcção desde a fundação desta instituição, cargo que vai manter durante mais quatro anos, referiu que perante o panorama das instituições em meados dos anos 80, surgiu um grupo de fundadores, o qual acabou por ficar reduzido a grupo restrito.
Acrescentou que a primeira diligência realizada nessa época, ia ao encontro de um plano de acção apresentado pelo PS no seu programa autárquico, e que contemplava a criação de um Lar de Idosos em Vila Praia de Âncora, de acordo com a "dinâmica política" dessa altura.
Assim, foi enviado um ofício à Santa Casa da Misericórdia de Caminha, na tentativa de saber se estava interessada em criar um Lar em V.P.Âncora, ao qual não teriam obtido resposta, daí resultando o projecto do Centro Social.
Presa assegurou que "sempre quisemos que todos participassem e nenhuma proposta de admissão para sócio deixou de ser aceite". Admitiu, contudo, que, "de facto, isto surgiu de um nicho ligado ao PS, mas desde logo quisemos alargar a outros quadrantes".
Passando para a actualidade, assegurou que "agora é diferente", porque há "renovação e os funcionários podem pertencer aos corpos gerentes", embora a legislação determine que apenas 1/3 dos trabalhadores podem ser dos corpos sociais", tal como os familiares podem ocupar funções nos órgãos sociais, nomeadamente em órgãos diferentes.
E como Francisco Cunha tinha falado naquele frase de que "à mulher de César não basta ser séria, é preciso parece-lo", o assunto não ficou por aqui.
"Eu reflecti"
Angelina Presa, filha do presidente da direcção, passa a integrar os corpos sociais, como secretária da assembleia geral, e resolveu reflectir sobre esta situação.
"Eu reflecti", disse, nomeadamente quanto à ética e questionei-os. Disse que tinha ido ver se havia incompatibilidade na legislação e "não há", mas, prosseguindo, vincou que "sei quais são os deveres de ser secretária da AG", realçando, a propósito que "até podemos demitir a direcção", por exemplo, onde "se encontra um familiar directo", completou.
"Se houver conflitos de interesses, tomarei as decisões que deverão ser tomadas na altura", asseverou.
Por seu lado, Adelaide Marques, técnica do CSCVPA e que entra para a direcção, recordou que já era habitual reunir com a direcção e que pelo facto de vir agora a incluir este órgão "não fará mudar a minha relação com os utentes".
"Reflexão pertinente"
"É pertinente a reflexão pedida por Francisco Cunha", completou Manuel Luís Martins, novo presidente da AG.
"Monolitismo diluído"
O assunto mereceu diversas apreciações dos escassos sócios presentes, uma situação que é de estranhar numa instituição com mais de 200 associados com uma média de idade de 80 anos, como assinalou Teodoro da Fonte, que sugeriu a inclusão de suplentes nas listas dos corpos sociais. E em que a "gente nova para formar listas não existe", atalhou José Luís Presa, lamentando ainda a escassez de sócios na reunião de uma instituição que "não é uma qualquer", concluiu.
LISTA APROVADA POR UNANIMIDADE:
AGeral : Presidente - Manuel Luís Martins ; Secretários: Angelina Presa e Gaspar Pereira
CFiscal: Presidente - Francisco Cunha - Secretários José Vilas Ribeiro e Carlos Pais
Direcção: Presidente - José Luís Presa ; Tesoureiro - Daniel Labandeiro ; Vice-presidente - Plácido Brás ; Secretário - Manuel Amial e Vogal - Adelaide Marques