Está hesitante em escolher uma prenda de Natal para este ano, para os seus familiares ou amigos?
Um Calendário de 2019 poderá ser uma escolha cultural e interessante. À sua disposição, graças a uma ideia "muito antiga" que a pintora portuense Isabel Soares, radicada em Caminha há algumas dezenas de anos, decidiu agora concretizar.
Um Calendário à base de desenho gráfico, arte que "sempre apreciei muito", confessou ao C@2000, e, inspirada nos calendários que em anos sucessivos comprava em Londres e Espanha - coisa muito rara de aparecer em Portugal, completou -, decidiu-se e concretizou um Calendário português para 2019, dando assim expressão ao apreço que sempre manifestou em relação ao desenho gráfico.
Cada mês com uma mulher representada nele
Cada mês é ilustrado com um desenho alusivo à época, desde o frio de Janeiro, ao Dia dos Namorados de Fevereiro, às flores e ao equinócio da Primavera de Março (e ao melro, um pássaro de sua estimação), "as águas mil, de Abril", às cerejas de Maio, aos Santos Populares de Junho, passando pelo mês de leitura (Julho), pelo calor de Agosto, ou as vindimas de Setembro, as compotas de Outubro e as castanhas de Novembro, até finalizar com o derradeiro mês do ano - o das prendas, Dezembro.
"Este desenho tem de ser visto de uma forma rápida"
Como se trata de um calendário, a mensagem tem de ser "fácil e acessível a toda a gente, incluindo as crianças" e qualquer pessoa gosta de os ver em casa. Frisou que o "desenho tem de ser visto de uma forma rápida: "olha o mês das cerejas, ou o da chuva", sem necessidade de estar a ver os desenhos em pormenor, como sucede com um quadro que é apreciado com outros olhos ("dá que pensar") por outro tipo de compradores.
Admitiu que o que mais lhe custou foi arrancar, mas "numa tarde fiz o mês de Janeiro (sem dificuldade) e a partir daí tudo começou a engrenar", embora tenha substituído alguns, como foi o caso de Abril, porque "não gostei da cara dela".
Na sua opinião, o mês que mais lhe agradou foi o de Dezembro, contudo, "toda a gente apreciou mais o mês de Novembro, pelas castanhas".
"A coisa que me faz melhor é pintar"
Há três anos, teve uma exposição de "cabeças de mulheres", acompanhadas de pensamentos, a que o seu marido e também pintor Mário Alegria sugeriu que desse o nome de "senhoras donas", mostra que decorreu "muito bem", na Galeria da Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo.
"Pensando nessa exposição, resolvi também fazer cabeças de mulheres, sem pensamentos e sem qualquer escrita, para este Calendário", acrescentando que se encontra já a preparar a "senhoras donas II", para 2020 (?), "mas só quando chegar a meio é que decidirei a data", em resposta aos incentivos nesse sentido que tem vindo a receber, preparando-se para expor os trabalhos na Galeria do Centro Cultural do Alto Minho.
"Em silêncio absoluto"
"Em silêncio absoluto e concentradinha naquilo que estou a fazer", é assim que Isabel Soares gosta de pintar, no seu ateliê, em Vilarelho, sendo de referir que Isabel Soares se tem notabilizado na pintura em seda natural, depois de ter tirado uma especialidade com uma docente Vietnamita.
Postos de venda
Em Caminha, este Calendário - que até dá para escrever notas em cada dia do mês - é vendido na casa Willemina, na Rua de S. João, ao preço de 7,5€, e em Viana do Castelo, na Galeria de Arte Objectos Misturados, na Rua Mateus Barbosa, 32, a par de diversas livrarias.
"Se este correr bem e houver vendas…"
Quanto a 2020, não descarta voltar ao desenho gráfico e apresentar um segundo calendário "se este correr bem e houver vendas", embora "muita gente pense que isto do desenho gráfico se faz facilmente, o que não é verdade, demora muito a fazer, porque há muitos pormenores e muita coisa em que pensar e ainda por cima eu uso uma técnica que é o lápis de cor de aguarela e faço colagens". Deu ênfase a um pincel utilizado, muito afilhadinho, da Windsor, oferta de sua irmã que o comprou em Londres, e que dá para uma aguada com facilidade.