José Luís Lima foi empossado esta tarde no cargo de presidente da Comissão Política Concelhia do PSD, bem como os demais membros dos órgãos partidários desta secção, tendo avançado desde logo com uma ideia ("desafio") que "gostaríamos de ver debatido na próxima cimeira luso-espanhola" que decorrerá em Junho na cidade portuguesa da Guarda: a construção de túnel entre Caminha e A Guarda, porque "é hora de acabar com todos os condicionalismos" de que enferma a ligação por ferry-boat, dependente das marés e afectado pelo assoreamento do rio Minho.
O novo presidente da Concelhia social-democrata eleito de forma "inequívoca" para os próximos dois anos, conforme o próprio sublinhou, inspirado na última cimeira luso-espanhola que decorreu há dias em Valladolid, e sabendo que a próxima se realizará em Portugal, na Guarda, acentuou que seria o local ideal (por analogia de nomes) para que os dois países se debruçassem sobre um projecto de ligação entre A Guarda (vila galega junto ao rio Minho e "nossa parceira ao longo da história") e Caminha, numa distância de pouco mais de um quilómetro, sob o leito do rio Minho.
José Lima quer cimeira ibérica da Guarda a debater ligação com A Guarda
José Luís Lima disse ser o "momento oportuno" para lançar este projecto neste "novo ciclo que requer o empenho de todos", após as eleições que decorreram na sua sede há quatro semanas.
Pediu o "envolvimento da sociedade civil" nesta ideia que alguns poderão dizer que "este homem é um louco", mas deu como exemplos os túneis entre França e Inglaterra ou o do Marão, com 5,6 km.
Aproveitando a presença do eurodeputado José Manuel Fernandes nesta cerimónia de investidura, dos deputados do PSD à Assembleia da República (Carlos Abreu e Ermelinda Cerqueira), de um representante da Comissão Política Nacional do PSD (António Martins) e dos demais militantes e autarcas que marcaram lugar na tomada de posse, José Luís Lima (ex-presidente da Junta de Freguesia de Azevedo, deputado municipal e vereador) incitou os presentes (chamou-lhes "mensageiros") a pegarem neste desafio lançado, e mostrou "confiança" em que o projecto venha a ser objecto de debate na próxima cimeira ibérica.
A terminar, e após agradecer a presença de todos, o presidente da Concelhia do PSD, mostrou convicção de que "com compreensão e amizade construiremos um sonho que valha a pena percorrer".
"Não são bons a governar, mas bons a ludibriar"
José Manuel Fernandes, eurodeputado e presidente da Distrital dos sociais-democratas de Braga, após saudar as palavras de ambição de José Lima, disse que era um "bom sinal" que José Covelo, presidente da Assembleia da Secção, tivesse dito a abrir este acto político, que "voltei a este cargo, porque da última vez que cá estive, ganhamos a Câmara", além de se ter insurgido com o aumento de 32% de imposto do IMI aprovado pelo actual Executivo, razões que levaram este lanhelense a aceitar voltar a assumir esta função partidária.
Embalado pelas palavras de José Covelo, o eurodeputado adiantou que "Caminha merece uma câmara PSD que é para o povo de Caminha".
Criticou o aumento do IMI em Caminha, dizendo ser uma forma de fazer política "à boa maneira socialista" que consiste, insistiu, em "reduzir os serviços públicos e com carga fiscal no máximo. E agora os contribuintes pagam, concluindo que os socialistas "não são bons a governar, mas bons a ludibriar".
"Todos juntos conseguiremos fazer passar a nossa mensagem", garantiu. "Com amor à terra e solidariedade", estas palavras chegarão a cada um dos habitantes de Caminha, desafiou este político europeu, recordando que "há 20 anos deixamos uma boa herança".
Se a questão autárquica esteve no centro das atenções, a proximidade das eleições de 2019 não caiu no esquecimento, como vincou José Manuel Fernandes, reiterando que "podemos orgulhar-nos do nosso trabalho e da qualidade dos nossos dirigentes", estando ciente de que resultarão "na vitória que também obteremos para o PE e AR".
"Rui Rio é genuíno"
Segundo ele, "o líder do PSD é a única alternativa" contra um Governo que "não gosta da iniciativa privada, nem das pequenas e médias empresas", resultando daí que "somos dos que menos cresce na EU e, para o ano, até a Grécia vai crescer mais do que nós", lançou.
"Caminha é um concelho importante e que queremos recuperar"
Após elogiar o desempenho de José M. Fernandes no PE - razão pela qual deve manter-se nesse lugar - e a sua proximidade ao Minho, Carlos Morais Vieira, presidente da Distrital do PSD, ao usar da palavra, insistiu na necessidade de "apoiar a nova Secção de Caminha que representa os seus militantes de base", sem deixar de agradecer o trabalho da anterior presidente da Concelhia, Liliana Silva, e sua equipa, assim como o legado autárquico do PSD, consubstanciado nos doze anos de Júlia Paula, ausente neste acto partidário, registe-se.
Como forma de incentivar a nova Concelhia caminhense, Carlos Vieira anunciou que tinha convocado a Comissão Política Distrital para a próxima Segunda-feira, precisamente em Caminha.
Carlos Vieira voltou a lançar farpas ao presidente da Câmara Municipal de Caminha, a quem acusou de ter criado uma dívida que já passa os 20 milhões de euros ("gestão socialista ruinosa"), porque para ele (Miguel Alves) "o que vale apenas é o seu ego e só quer estar no Terreiro do Paço".
Apelou ao fim de "pequenas querelas e divisões" porque o partido deve preparar-se para as duas próximas eleições, além de "termos um líder em quem podemos confiar e apoiar".
"Vou levar uma porradinha no IMI"
As intervenções concluíram com António Carvalho Martins, representante da Comissão Política Nacional do PSD, que, aproveitando o toque aflito da sirene dos Bombeiros de Caminha, na altura em que decorria a investidura, recordou que no passado, o povo acorria aos Bombeiros inteirando-se do que estava a acontecer e prontificando-se a auxiliar os soldados da paz, em contraste com alguma indiferença que acontece hoje em dia. Deu como exemplo de tal alheamento, a posição do 1º Ministro ao "enjeitar responsabilidades" e "sem uma palavra sobre Borba".
A fim de completar a sua visão sobre a situação do país, este antigo governador civil do distrito de Viana do Castelo leu um artigo de Daniel Bessa - "que não é do PSD", alertou - saído hoje no Expresso.
Concluiu que "a economia está pior, porque falta ao Governo humildade e ambição…e a crise vem aí".
"Se correr bem em Caminha, corre também no país todo"
Dirigindo-se mais concretamente a temas locais, António Martins referiu a situação aflitiva das contas concelhias, das quais ele próprio iria ser vítima, porque possui uma casa em Caminha e "vou levar uma porradinha no IMI".
Falando directamente para José Luís Lima, novo presidente concelhio do PSD, desejou-lhe "felicidades", mas "não lhe agradeço", porque não é fácil tal missão, garantindo, contudo, que "se correr bem em Caminha, corre também no país todo".