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Venade

Cestada - "Vê-se a festa a crescer", Padre Emanuel

A Cestada que o Padre Paulo Emanuel vem incentivando em Venade há nove anos, pretende realçar o trabalho do campo e contribuir para o diálogo e convivência, num mundo em que as pessoas são quase compelidas à solidão.

Do programa idealizado pela Paróquia de Venade e Arciprestado de Caminha, constava uma desfolhada minhota na noite do passado Sábado, após terem sido montadas os medeiros no Largo de Venade.

A animação esteve a cargo da Academia de Dança e Música Tradicional de Caminha e Vilarelho, que acompanhou também a desfolhada, tocando a cantando versos condizentes com o momento.

"Estamos a trazer esses tesouros"

O Padre Paulo Emanuel, trajando ao rigor de outras épocas, referiu ao C@2000 que "vê-se a festa crescer e as pessoas a tomarem consciência daquilo que são e daquilo que foram, trazendo os valores, vivências, nomes e as tradições para o dia-a-dia", frisando que até há uns tempos atrás "as pessoas viviam essencialmente do campo".

Assinalou que "estamos a trazer esses tesouros" para os dias de hoje, porque "elas não podem ficar guardados num cofre", em referência às sementeiras e colheitas que "marcavam todo o ritmo do ano".

A Igreja Paroquial voltou a estar decorada com produtos da terra distribuídos pelos altares, imagens dos santos, púlpitos e escadarias (ideia trazida da sua terra, em Ponte de Lima), dentro de um espírito rural e de festa que começava logo com as sementeiras no mês de Abril, precisou este pároco, que associa este labor à própria Bíblia e ao cunho religioso que envolve este mundo rural: "Como refere o Antigo Testamento, devemos dar a Deus o que de mais preciso temos, não só representado na Igreja e no que vai no cortejo, mas também "a sua vida, a sua alegria, as suas dores, sofrimentos e convívios".

Missa em latim abarrotou igreja

Não quis esquecer que a Festa envolveu as paróquias de Venade e Azevedo, às que se associou Argela e Arga de S. João que cantaram na missa dita em latim e que "abarrotou a igreja, o que foi uma surpresa".

Talvez alguma saudade desses tempos, admitiu, porque as pessoas acompanharam a missa em latim. Participaram os coros de Venade, Argela, Azevedo e Arga de S. João, tendo destacado que "as pessoas lembram-se desses cânticos, o que foi uma surpresa", insistiu.

De entre os múltiplos produtos com origem no campo, alguns são mais associados às componentes religiosas, conforme admitiu este pároco, dando como exemplos o vinho e as uvas e o centeio.

Pão e vinho associados à Bíblia

A Bíblia tem exemplos desses, tendo exemplificado com Noé "e a história que ele tem com o vinho, passando até por Jesus Cristo que transforma o vinho no seu sangue, bem como o pão que era feito de centeio, embora agora tenha sido substituído pelo milho que hoje vamos desfolhar", sem esquecer que com o milho se faz o pão "com que fazemos o pão da Festa de Santo António".

Embora admitindo que muitas pessoas naturais destas freguesias mas residentes fora, tenham vindo assistir e participar na festa, sabe que muitos não puderam deslocar-se porque já tinham estado em Venade no Verão. Contudo, ficam satisfeitas por saberem que há muitos outros visitantes que comparecem nesta freguesia para comungar da Cestada.

"A décima será especial"

O Padre Emanuel já pensa na próxima edição, a décima, "seguramente especial", garantiu.

Fui lavrar o meu campo
Para milho semear
Pró espigueiro ficar cheio
E ter fartura no lar

Milho alto, milho alto
Milho alto sem pendão
À sombra do milho alto
Namorei teu coração

Milho alto, Milho alto
Milho alto folha estreita
À sombra do milho alto
Namorei uma sujeita

Milho alto, milho alto
Milho alto folha larga
À sombra do milho alto
Namorei uma morgada

Milho rei é alegria
Numa grande desfolhada
Pra escolher rapariga
Que tinha que ser beijada

Tenho o meu milho na eira
Acabado de secar
Anda daí lavradeira
Ajudar a encestar

"Vira-do-Val"

A folha da vinha branca
De noite relampedeja
Dá-me um ar da tua graça
Dessa que a ti te sobeja

Já morri, já me enterraram
Agora já estou aqui
Não me desgastava a terra
Sem me despedir de ti

Não há nada neste mundo
Mais leve que o pensamento
Só o meu é mais pesado
Não te deixa um momento

Coração de uma andorinha
No calor da primavera
Eu muito queria saber
Teu pensamento qual era

Já chorei ao pé da água
Lágrimas de sentimento
Uma voz me respondeu
O que cura é o tempo

Vou-me embora, vou partir
Até outra ocasião
Levo de ti as saudades
Deixo-te o meu coração.



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