Fruto da crescente procura do concelho de Caminha por parte de turistas de diversa proveniência, a que não é alheia a promoção que tem vindo a ser feita a diversos níveis, podendo-se apontar como exemplos o Rali de Portugal, o regresso do Festival de Vilar de Mouros ou a própria série "Verão M" que a RTP1 se encontra a transmitir com destaque para as imagens maravilhosas do pré-genérico do 1º episódio, ou dos eventos culturais, desportivos, gastronómicos ou de mera animação, a par de outras actividades de recreio e lazer que se vêm desenvolvendo, convém dar uma resposta de qualidade a este incremento do turismo.
A vila de Caminha, como sede do concelho, e integrada num conjunto monumental e paisagístico ímpar, é um dos focos de atracção turística por excelência, bem evidente neste Verão.
Contudo, a despeito do esforço de muitos estabelecimentos comerciais, de restauração e hotelaria, a que o Município tenta igualmente corresponder apesar das suas arcas depauperadas, ainda não existe um pensamento global da vila de Caminha em termos futuros, e muitos pormenores falham, além de haver apostas nos apoios concedidos a eventos e opções de espaços que deveriam merecer reflexão.
O Centro Histórico de Caminha (designadamente no interior do recinto amuralhado) continua a não possuir uma estratégia global, assistindo-se à manutenção da animação nocturna sem regras na maioria dos casos, a uma desertificação a nível de habitação e alojamento local e sem que surjam outros investimentos na área do comércio ou serviços.
Os imóveis degradam-se, os proprietários colocam-nos à venda sem que surjam interessados e, um caso raro de investimento numa antiga padaria, apesar de terem instalado vidros duplos a fim de evitar o ruído nocturno, acabou com um processo movido contra a Câmara devido às alterações de horários de funcionamento da Movida caminhense.
O mobiliário urbano é constantemente sujeito a actos de selvajaria, a conspurcação nocturna é uma constante, nomeadamente em Julho/Agosto e aos fins-de-semana (sendo exemplo paradigmático o estado em que ficou o Largo Calouste Gulbenkian após o levantamento de um dos eventos de Julho), esplanadas surgem sem que estejam ainda licenciadas e, em continuação de situações já vividas no passado, os confrontos entre bandos rivais, constituídos em muitos casos por jovens de curta idade em estado de embriaguez (pelo menos), chegaram a fazer lembrar o far-west a que nem os próprios bombeiros escaparam, dado que até desapareceram coisas do quartel quando prestavam assistência aos envolvidos nos desacatos.
Sem esquecer a trágica e inqualificável agressão a um jovem de Cerveira logo no início de Agosto, na Travessa do Tribunal, cuja vida correu risco.
Os bares - nem todos - continuam a fazer soar as suas colunas a todo o volume sem que haja qualquer controle do ruído; o policiamento não existe a um nível exigível, nomeadamente por alturas do encerramento dos estabelecimentos de diversão; formam-se nichos de tráfico e consumo de droga em diversos espaços ou junto a edifícios públicos que deveriam servir para reactivar o Centro Histórico e não para serem utilizados exteriormente para esse fim; grades propriedade do Município são usadas no controle de entrada de uma discoteca e para dar um exemplo do despropósito a que se chegou, até às duas da madrugada do passado dia 2, um baterista (?) instalou-se na Travessa do Teatro, entre a Capitania e o Cineteatro Valadares, até às duas horas, rufando a bom rufar os tambores, fazendo com que até as paredes e objectos das casas circundantes das ruas Direita, Cais e Praça de Espanha vibrassem com o volume dos decibéis provocado, sem que alguém pusesse cobro a tal desmando.
Parece que pretendem que os habitantes do Centro Histórico se espantem definitivamente ou esperam que a lei da vida se encarregue de esvaziar paulatinamente as poucas casas ainda habitadas, talvez com o intuito de tornar o miolo do casco histórico num Reggaeton perfeito, eventualmente acompanhado com "vinho de missa" bastante apreciado e amparado pelas elites políticas.
A Igreja Matriz continua a praticar um horário de abertura reduzido, impedindo a sua visita a milhares de visitantes, como se de um monumento de escassa relevância se tratasse.
A entrada para a Torre do Relógio (cujo relógio se mantém misteriosamente silenciado) poderia ser feita através da Loja de Turismo, aproveitando a funcionária aí especada para reforço do serviço da referida Loja.
A manutenção de alguns eventos no Centro Histórico e no Terreiro, em desfavor do Parque Municipal, completamente abandonado e a que não é alheio uma intervenção realizada há anos sem prever a sua dinamização e usufruto pela população como sucedia até então, deveria merecer outro olhar dos responsáveis municipais, até tendo em conta a realização da Festa de Verão do PS no final de Agosto neste espaço verde, provando que se pode e deve aproveitá-lo devidamente.
Os apoios a eventos sob organização privada suscitam reflexão, face às disponibilidades financeiras concedidos por um Município que apresentou um défice de dois milhões de euros no ano passado.
Festa da Cerveja Artesanal com novo protocolo
A Festa da Cerveja Artesanal é um deles, extravasando este ano o espaço dos largos Calouste Gulbenkian e Hospital, através da colocação de um palco em cima de um dos canteiros de flores existentes em frente aos Paços do Concelho, o que originou controvérsia, levando a que o vereador Guilherme Lagido (na altura nas funções de presidente em exercício) não tivesse marcado presença na abertura do certame, ao que se somou o desaparecimento do lavatório/torneiras para lavagem e reutilização dos copos que se encontrava à guarda dos serviços municipais competentes, obrigando a nova aquisição desse equipamento.
Este evento contou este ano com um apoio financeiro directo de 61.192€ (incluindo IVA), contra os 38.161€ em 2017 e 40.098€ em 2016, tendo sido alteradas algumas cláusulas do acordo de cooperação estabelecido entre as duas partes, passando agora para a responsabilidade dos organizadores, OG&Associados, os pagamentos do alojamento e refeições dos cervejeiros internacionais; refeições e equipamentos de áudio e luz para bandas e DJ; vigilância e segurança; mesas e bancos; pagamento dos direitos de autor; assegurar a actuação das bandas durante o evento e impressão de lonas de publicidade que no passado estavam todos a cargo da Câmara.
O Município manteve para 2018 o dever de assegurar WCs, ligações de água e luz e respectivos consumos, e os organizadores também permaneceram com a aquisição de 10 000 copos, contratação de cervejeiros e assumindo a produção e realização de eventos, quando nos anos anteriores apenas se responsabilizavam por "parte" deles.
Intervenção no Centro Histórico
Está previsto para o próximo ano uma intervenção no Centro Histórico de Caminha, a nível de rede de águas e de pavimentos que ascenderá a cerca de 300.000€, tendo sido excluída a parte respeitante à Rua do Vau, face à indefinição a tomar quanto ao trânsito e estacionamento e após ter sido recebida uma carta de uma comerciante recentemente estabelecida nesta artéria.
Esta intervenção no miolo do Centro Histórico de Caminha não define, contudo, políticas de revitalização social, económica, comercial, alojamento e diversificação da animação turística, continuando por resolver alguns dos principais problemas da vila de Caminha.
Por fora da cerca das muralhas medievais, o Terreiro continua a viver do improviso de cada um dos bares e restaurantes aí instalados, perante a inexistência de um plano de definição de regras e ordenamento de equipamentos e esplanadas, em que até uns suportes para bicicletas foram retirados.
O problema do depósito e recolha do lixo continua a ser um problema grave de salubridade e higiene públicas.
Perante a concentração de diversas unidades de restauração nesta praça, há necessidade de encontrar alternativas ao "esterco" em que se tornou o entroncamento da Rua do Repuxo com a Corredoura, onde os proprietários dos estabelecimentos se vêem constrangidos a depositar a grande quantidade de resíduos sólidos produzidos diariamente no verão, sem que em muitos casos seja possível proceder à sua selecção de modo a serem reciclados.
Aliás, a questão da limpeza vem merecendo reparos em várias freguesias do concelho, perante a avalanche de resíduos produzidos nesta época, com incidência nos próprios pisos das ruas.