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LIONS CLUBE DE VILA PRAIA DE ÂNCORA
ACOLHEU MEMÓRIAS DA PESCA DO BACALHAU NO FORTE DA LAGARTEIRA

Uma delegação ilhavense rumou até ao Forte da Lagarteira em Vila Praia de Âncora, capitaneada por Tibério Paradela, um Homem habituado a sulcar os mares encapelados das águas frias dos Bancos da Terra Nova e da Gronelândia, para a pesca à linha do bacalhau, e de outros mares, a convite do Lions Clube de Vila Praia de Âncora.

A Tertúlia realizada ao final da tarde do passado domingo, dia 5 de Agosto, no anfiteatro amuralhado do Forte, com uma temperatura agradável em tempo de estio e uma suave brisa bonançosa, foi conduzida pelo Presidente do Lions Clube, Manuel Amial, que justificou a iniciativa com a necessidade de rever memórias que tiveram grande impacto na comunidade piscatória de Vila Praia de Âncora e de Ílhavo e que se vão perdendo no tempo.

Não estivéssemos nós no Ano Europeu do Património Cultural que nos convoca a todos para termos uma participação ativa na defesa das nossas memórias colectivas.

Foi isso que o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Caminha, Guilherme Lagido abordou, agradecendo ao Lions Clube de Vila Praia de Âncora essa contribuição para uma cidadania mais activa, lembrando e preservando a memória de tantos marinheiros ancorenses que abraçaram a vida difícil da pesca do bacalhau e das vivências das suas famílias.

A ilhavense Zita Leal apresentou o Livro de Tibério Paradela e realçou o seu enorme contributo para essa preservação de memórias, dando-nos, de forma romanceada, uma visão perfeita do que era uma campanha da pesca do bacalhau e da rudeza desse trabalho, as mais das vezes, num ambiente marítimo extremamente adverso.

Desde o início até ao fim da campanha, foram respigados extratos dos textos do livro que foram lidos por elementos da assistência, dando uma nota muito interessante do seu conteúdo.

A ilhavense Teresinha da Bela Novo, filha e neta de dois Lobos do Mar, o pai Capitão Carlos Alberto Pereira da Bela e o avô Manuel Pereira da Bela, leu um poema que retrata bem a saudade e a dor da partida dos marinheiros.

O ancorense Celestino Ribeiro, um Homem do Mar e da pesca do bacalhau, leu um extrato minucioso da carga do bacalhoeiro que era fundamental para a sua missão.

Francisco Presa leu um extrato sobre o mar e a sua fúria que muitas das vezes fustigava, de forma inclemente, os bacalhoeiros.

A experiência do fracasso da pesca no primeiro dia da campanha foi muito bem dito pela caminhense Joana Leal.

A moledense Isabel Lima Martins na sua intervenção ilustrou bem os perigos do nevoeiro que envolvia os dóris, embarcações de um só marinheiro na pesca à linha.

A ancorense Eduardina Presa deu nota do momento do jantar carne salgada da barrica guisada com massa grosa - que era sempre uma ocasião para retemperar forças de um dia de pesca e de trabalho a bordo.

A ancorense Maria Teresa Mesquita, filha do saudoso médico Mesquita da Silva, falou do fim da campanha e do regresso dos marinheiros a suas casas, em destinos que que incluíam Vila Praia de Âncora.

Depois deste intróito ao Livro "Neste Mar é Sempre Inverno", Tibério Paradela usou da palavra mostrando-se muito sensibilizado pela abordagem que a intervenção da assistência fez da sua obra e deu algumas notas justificativas que levaram o autor a publicar esta obra, baseada nua sua experiência e numa homenagem aos Homens do Mar.

Depois a sessão teve um período aberto destinado ao público, destacando-se algumas intervenções.

Celestino Ribeiro que é um conhecedor profundo destas viagens à pesca do bacalhau, contou de forma intimista e real inúmeras peripécias que mais o marcaram, não só na vida a bordo, como nos dóris, mas também nos momentos de lazer em St. John`s.

A ilhavense Teresinha da Bela Novo deu testemunho muito pessoal e sentido, como filha e neta de dois Capitães da Pesca do Bacalhau, de como se vivia no lar a ausência dos seus familiares e também falou da influência do bacalhau na gastronomia caseira.

A ancorense Maria Teresa Mesquita da Silva, agora radicada em Guimarães e de férias em Vila Praia de Âncora, também usou da palavra para felicitar o Lions Clube de Vila Praia de Âncora pela iniciativa e falou da importância de se fazer uma homenagem ao saudoso ancorense Almirante Ramos Pereira, um dos filhos mais ilustres da terra, Homem distinto e também ele ligado ao Mar.

No final viveu-se um momento lindo e emotivo de reencontro de uma assistente com Tibério Paradela, conhecidos do tempo em que ele era Piloto da Barra do Porto da Beira (Moçambique) e trabalhou com ela na Estiva daquele Porto.

Maria Teresa Dias, natural da cidade da Beira e hoje a viver em Vila Praia de Âncora, tinha trabalhado directamente com Tibério Pardela e há longos anos que não se viam.

Foi um encontro emotivo, pleno de ternura e de saudade, vivido por dois amigos que relembraram logo ali a vivência desses tempos.

Foi uma forma linda de terminar esta sessão de memórias do Lions Clube de Vila Praia de Âncora.

No final ainda houve tempo para degustar um excelente prato de bacalhau, inserido na Semana "Aposta Bacalhau" a decorrer no Concelho de Caminha.

LIONS CLUBE DE VILA PRAIA DE ÂNCORA


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