TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor
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SAUDAÇÃO
Ao meu irmão, Dr. Francisco Sampaio
Tenho muitos amigos, amigos do peito,
mas há um que me enche a alma, o coração.
Que me viu nascer,dormiu no meu leito.
É o Francisco, meu amigo e meu irmão.
Amigos verdadeiros, são um bem escasso!!!
que me ajudam na doença, dor e na aflição.
que me confortam na tristeza, passo a passo
um deles, é o Francisco, amigo e meu irmão.
Franciso, meu imão, neste poema, te saúdo.
tu deste a tua vida, com forças dum furação,
pelo Turismo no Alto Minho.Tu fizeste tudo!
Agora,num Lar, nos Arcos, com amor, velhice,
estarei, sempre a teu lado, querido irmão.
Tu que acompanhaste, a minha meninice.
Chegou a minha hora!
Chegou a minha hora!
Já não era sem tempo. Como toda a gente sabe, desde sempre a minha raça tem sido desrespeitada em Portugal e injustamente, posso afirmar. Mas a minha fama já vem de longe como o Constantino. Quando a mãe do menino mais célebre da Terra andava à procura de um cantinho para o filho nascer, quem é que a ajudou na caminhada? "O burro". O Menino Jesus nasce, cresce, sai de casa e anda por caminhos pedregosos montado em quem? "Num burro". Querem maior honra do que esta? Servir de transporte ao Salvador não é para qualquer um…
Tenho sido desprezado, às vezes vilipendiado no nosso País mas a partir de agora outro galo vai cantar porque há um grupo folclórico que está a levar a peito a minha recuperação social e que adotou um nome sugestivo : PAN. Gosto. Defende a minha posição na sociedade, no código das estradas, pune quem abuse da minha paciência que vai deixar de ser "de burro". Reserva-me um espaço nas estradas, tipo ciclovia, enfim… começo a sentir-me gente. Há muitos anos atrás, Gil Vicente tentou dar-me algum valor quando pôs na boca de Inês Pereira, uma moçoila armada em esquisita, a seguinte frase- "Mais quero asno que me leve do que cavalo que me derrube". Acabou a menina por seguir o conselho do escritor e que me conste deu-se bem com a escolha.
Sofri muito no meu país e até fui a salto para a estranja mas o tratamento conseguido ainda era pior do que aqui. Mas um dia, ah! Corria o mês de Abril e um cheirinho a liberdade invadiu este jardim onde nunca fui senhor de comer flores. Juntámo-nos numa burricada enorme, como as manifes dos intelectuais, sabem? Saímos à rua, chorando de emoção, cantando músicas novas, empunhando flores vermelhas e acreditando numa nova sociedade. Alguns de nós inventaram canções que todos cantavam com a alma cheiinha de esperanças, de felicidades sonhadas. Passaram anos e perante a minha condição de asno, fico a pensar que afinal as vozes de burro não chegam aos céus e que as palas nos olhos continuam a não me deixar ter a visão completa das coisas fazendo-me esbarrar em armadilhas que não lembram ao diabo. Ou, se calhar, lembram…
Hoje, finais de Agosto, pareceu-me ouvir a Cristina Ferreira a gritar com aquela voz estridente que nem todos aguentam: "Vai, é o teu momento!"
Não, não a Cristina. É o PAN. No Parlamento exigem um estatuto de burro diferente para mim. Vou ter direito a circular mais à vontade, menos carga (fiscal não, que ainda é a Europa a dar ordens). Só não me tiram as palas laterais aos olhos cansados de ver mais além, não vá eu fartar-me de ser burro e querer tentar outros caminhos.
Desculpem só agora me apresentar: Sou Português, aqui, e chamo-me Zé Burro.
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Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
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Edição: C@2000/Afrontamento Apoiado pela Fundação EDP
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Da Monarquia à República no Concelho de Caminha Crónica Política (1906 - 1913)
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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O Estado Novo
e outros sonetos políticos satíricos
do poeta caminhense
Júlio Baptista (1882 - 1961)
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Organização e estudo biográfico do autor
por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora
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Autor: Joaquim Vasconcelos
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Memórias da Serra d'Arga
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