É habitual que as associações e clubes, comissões de festas e instituições do concelho de Caminha aproveitem as feiras medievais que se realizam em finais de Julho na vila de Caminha, para angariarem fundos destinados às suas actividades, apostando nas tasquinhas que se distribuem pelas artérias caminhenses.
O C@2000 quis saber da importância da aposta destas instituições, no contexto da gestão financeira dos próximos meses, atendendo a que elas deixaram de pagar qualquer importância à Câmara Municipal, como sucedia há uns anos atrás, pela participação no evento.
"Clientes habituais há nove anos"
Presença habitual na Feira Medieval é o Centro Cultural e Desportivo Ancorense, de Âncora, este ano instalado pela segunda vez no jardim da Casa de Repouso do Senhor Bom Jesus dos Mareantes (a quem pagaram uma pequena avença), "um espaço mais amplo" fora do bulício dos largos do Hospital e Calouste Gulbenkian.
Paulino Gomes, presidente da Direcção, assegurou-nos que a Festa estava a correr bem "e o sítio é bom", tendo-se criado de há uns anos a esta parte "uma família de 22 pessoas, todas ligadas ao Ancorense, com uma ou outra alteração, o que considero ser o mais importante".
Este dirigente desportivo reputou de "muito importante a participação, porque a nossa principal despesa é agora, entre Agosto e Setembro, com as inscrições dos jogadores dos vários escalões e a filiação do clube". Acentuou que no arranque da temporada esta despesa é a mais significativa, e que se tornaria bem difícil de superar sem o contributo das receitas dos comes e bebes da sua tasquinha.
"Quatro pratos típicos"
Assinalou que a Festa Medieval deste ano veio na linha das anteriores, mas "nós próprios temos melhorado sempre", embora mantendo "os quatro pratos típicos (polvo, rojões, febras e pataniscas) que garantimos há já nove anos, a par do arroz de feijão que as pessoas também procuram muito".
Paulino Gomes considera-se ainda "compensado" pelo ("muito") trabalho despendido, pela adesão das pessoas que geram sempre "enchentes".
"Sempre rende algo, caso contrário não vínhamos"
Augusto Afonso e Berta Barros, deram o seu contributo à Casa do Povo de Lanhelas, uma das presenças habituais nestes cinco dias de feira, porque precisamos de angariar fundos para subsistir, fazer obras e manter as funcionárias ao serviço", disse-nos o primeiro, ao passo que a sua colega neste serviço voluntário, confirmou-nos que "praticamente, estamos aqui quase todas as funcionárias, membros da Direcção e amigos da Casa do Povo que nos vêm ajudar", num total de 16 pessoas.
Em termos gastronómicos, "este ano fomos mais para os grelhados, como a carne, picanha e fizemos ontem feijoada com grão e com mãozinha de vaca com vitela", assinalou Augusto Afonso, confessando que esta participação "sempre rende algo, caso contrário não vínhamos.
"Casa cheia em todas as refeições"
Berta Barros revelou-nos que "tivemos sempre casa cheia a todas as refeições", embora isso representasse "muito trabalho e quando chegamos ao fim estamos todos exaustos, mas pelo menos bem-dispostos".
Augusto Afonso reconhece ser difícil "estarmos aqui todos os anos", considerando que "deveria haver outra maneira de conseguir dinheiro para esta IPSS sem necessidade de vir para aqui", além de ter considerado que "este ano isto está mais fraco, porque as pessoas dividem os pratos".
Quanto a turistas estrangeiros, são os espanhóis que aqui se apresentam na sua maioria.
Terminada a participação na Feira Medieval, já pensarão na organização da Festa das Solhas, porque "não há mordomia e faz-se sempre com a mesma equipa".
"Acolhimento muito positivo"
A Comissão de Festas da Senhora dos Remédios de Venade também marcou presença neste evento, com 10 pessoas, servindo pataniscas e panados com arroz de feijão, rojões, chouriços assados, misto de chouriças e outras iguarias, revelou-nos Arlete, da respectiva comissão.
Esta venadense reconheceu que "estamos a ter um acolhimento muito positivo, embora tenhamos poucas mesas para trabalhar, porque também não temos muitas mais pessoas" a colaborar.
Vieram até Caminha a fim de angariarem fundos para a festa, "se não as festas nas freguesias acabam todas", aposta que "vai resultando", reconhece. Considerou de boa qualidade os equipamentos disponibilizados pela Câmara, num ano em que deram um salto, depois de terem estado nos anteriores "num tasca pequenina" no Largo Calouste Gulbenkian.
"Muito trabalho"
Anabela veio três anos consecutivos à Feira Medieval com os demais elementos da Comissão de Festas da Senhora da Bonança, de Vila Praia de Âncora. Parou três anos, mas voltou à presidência e ei-la novamente à frente da sua tasquinha neste evento que evoca o passado caminhense.
"Muito trabalho e pouco pessoal, mas com muita determinação e garra nós vamos conseguir", asseverou-nos esta festeira, cuja comissão apontou para um menu baseado nas pataniscas, churrasco, sardinhas, bitoques e caldo verde, tudo comidas fáceis de confeccionar".
Tal como os demais, admitiu que este esforço "resulta", contando que isto contribua para umas festas em grande, conforme o programa prevê, graças também à colaboração da Câmara de Caminha.
"Estamos aqui por gosto"
A Krisálida marcou igualmente presença pela primeira vez com uma pequena tasquinha a fim de obter "mais alguns fundos para a associação" dedicada à arte cénica.
Maria Manuel, tal como os demais integrantes das tasquinhas, confidenciou-nos que "era muito trabalho, mas compensa, a fim de podermos continuar com as nossas formações", contando com a colaboração dos pais dos miúdos que contribuíram com bolinhos e salgadinhos, tais como outros sócios se integraram no apoio nos dias da Feira Medieval, porque "estamos aqui por gosto", sublinhou.
Rojões medievais, moelas piu-piu, bolos de bacalhau, pataniscas, chouriços caseiros, queijinhos da vaquinha, vários doces, ao que acrescentaram o "soberbo caldo verde, caseiro, feito por uma senhora de Lanhelas, já com uma certa idade".
"Fazer face às primeiras impressões da nova época"
Anabela Dias, Tesoureira do Clube de Andebol de Caminha, assinalou que este clube já tem tradição na Feira Medieval de Caminha e voltou a marcar presença este ano, "com um espaço mais reduzido" devido a alguma falta de pessoas para colaborarem.
A cozinha tradicional recebeu a preferência do menu desta colectividade, através das "bifanas, moelas, rojões, caldo verde e doces caseiros feitos pelos pais dos atletas", cuja venda compensou o trabalho e o tempo despendidos assegurou esta dirigente, de modo a "fazer as inscrições dos atletas e fazer face às primeiras impressões da nova época", esperando ter um arranque prometedor.
Embora "sejamos todos amadores, nota-se que a organização do CAC promete melhorar, sendo exemplo disso a existência de três equipas (Iniciadas e Juvenis Femininas e Iniciados Masculinos), para além dos minis e bambis dos escalões mais pequeninos e que "incluem equipas mistas que apenas competem em torneios", envolvendo um total de 50 atletas, sem descartar a possibilidade de haver novas inscrições em Setembro.
"Prometeram vir cá comer para o ano"
O Rotary Club de Caminha voltou a marcar presença com a sua tasquinha na Rua da Corredoura e aproveitando um espaço interior decorado à época. "Espero que se continue a manter durante mais algum tempo", foi a previsão de Carlos Ferreira, presidente deste clube caminhense.
Classificou de "salutar" esta presença na Feira Medieval, permitindo "reunir os companheiros", a par de "conseguirmos dinheiro para ajudar as instituições e custear bolsas de estudo, e só por isso já vale a pena".
Deu relevo à disponibilização de muitas peças que habitualmente utiliza nas suas montras a fim de proceder à decoração do interior da loja, o que suscitou a "curiosidade das pessoas, incluindo as que não pretendiam comer, mas entravam só para ver o espaço que adoraram e prometendo vir cá comer para o próximo ano, dado que nem sequer conheciam esta participação do RCCaminha na Feira Medieval".
Carlos Ferreira entende que esta é uma forma de "manter os companheiros unidos, contando com a colaboração das companheiras e só me resta agradecer a ajuda que me deram".
Apostaram em refeições feitas em casa, de acordo com a logística preparada pelo companheiro Afonso Domingues, enquanto que Flamiano Martins preparou no local as sopas, rojões, bifanas e tudo o mais, competindo aos demais membros do clube "servir às mesas, que embora sem experiência, se adaptaram", concluiu, sorrindo.