O Partido Socialista centrou no Parque Municipal de Caminha (Parque 25 de Abril), na tarde do passado dia 25 de Agosto, o comício de arranque do último ciclo político da actual legislatura, com a expectativa centrada nas palavras de António Costa, secretário-geral deste partido e chefe do Governo.
Antes, ao almoço, no forno comunitário de Vila Verde, Riba d'Âncora, decorreu um encontro das mulheres socialistas, seguindo-se um encontro da Juventude Socialista no Cineteatro Valadares, de onde António Costa, Miguel Alves e demais responsáveis deste partido, partiram em direcção ao Parque Municipal, ponto de concentração dos simpatizantes e militantes deste partido político, entre os que se incluíam as largas centenas que se deslocaram, de combóio, até à sede do município caminhense.
O Rancho da Lavradeiras de Orbacém e o Grupo de Bombos de Gondar contribuíram para "aquecer" o ambiente neste espaço junto ao rio Coura, acompanhados por rusgas e tocadores ao desafio do distrito e de um grupo folclórico de Castro Laboreiro.
Miguel Alves e António Costa foram os únicos oradores do comício.
"O combóio do PS vai levar tudo pela frente"
O autarca caminhense e dirigente distrital e nacional do PS, começou por empolgar os assistentes, assegurando que "o combóio do PS vai levar tudo pela frente", após destacar uma das promessas do actual Governo ao ter escolhido o Alto Minho para proceder à electrificação da linha férrea do Minho, de entre outros projectos ("logros") assumidos por António Costa e seus ministros.
Centrado num discurso contra a direita, Miguel Alves recordou que o PS "devolveu a dignidade e a esperança a Portugal em três anos", e atacou a oposição PPD e CDS de basear-se "na tragédia dos incêndios" para fustigar o Governo.
Embora as sondagens políticas se revelem favoráveis aos socialistas neste ano político relevante que se aproxima, com três eleições previstas para 2019, o dirigente caminhense preferiu pedir aos presentes que se "concentrem no trabalho", assinalando que "não nos devemos seduzir" por esses indícios, antes pedindo "um voto de cada pessoa" com a finalidade de aplicar "uma derrota absoluta à direita".
António Costa não pediu maioria absoluta
Seguiu-se António Costa a manifestar o seu contentamento "com a grande recepção" registada em Caminha, no início "de um ano político exigente", o que o levou a chamar a atenção para a necessidade de "dar força ao PS".
"1000 dias passaram desde a formação do Governo", assinalou o primeiro ministro, passando logo a enfatizar os logros do seu Governo que é suportado pela esquerda parlamentar, pormenorizando que "2017 foi o ano em que Portugal progrediu mais após a adesão ao Euro" e se registou "o défice mais baixo de sempre, criando-se mais 315 000 postos de trabalho, dos quais, asseverou, "três em quatro foram empregos definitivos".
"Vive-se melhor e com mais e melhor emprego"
Tendo como alvo preferencial a direita, o secretário-geral socialista recordou que "contrariamente ao que o PSD/CDS diziam, o rendimento dos portugueses aumentou", dando como exemplo concreto o crescimento de 15% do salário mínimo em três anos, assegurando que continuará a subir.
Centrando o tom da sua intervenção nos logros da sua governação viabilizada pelos partidos de esquerda, sublinhe-se, o chefe do Governo destacou também que mais de 80.000 portugueses se encontravam agora "acima do limiar da pobreza", porque "mudamos de política, mudando os políticos", acentuou.
"Nem veio o diabo"
Segundo o governante e dirigente socialista, "cumprimos o que prometemos" e "nem veio o diabo", conseguindo baixar o IRS das famílias e devolvendo mil milhões de euros, sendo incrementado o "prestígio internacional" de Portugal reflectido inclusivamente nas nomeações e indigitações de políticos portugueses para cargos de prestígio a nível mundial e europeu (Guterres, Centeno e António Vitorino), tudo graças igualmente à "estabilidade que o PCP e BE" concederam nestes três anos, sem que tivesse vindo o diabo, como profetizava a direita.
Fernando Pimenta não foi esquecido
Em dia de conquista de uma medalha de ouro por Fernando Pimenta nos Mundiais de Canoagem, António Costa não esqueceu os limianos, comunidade a que o campeão pertence, a fim de enfatizar o prestígio do país com estes logros desportivos.
António Costa deu números para alicerçar as suas análises político-económicas em áreas da saúde (mais de 700 milhões de investimento) e da escola pública ("vale a pena investir na educação", realçando a aposta crescente no ensino profissional e a possibilidade dos seus alunos ingressarem na universidade), criticando a direita por querer privatizar mais serviços públicos.
"Não estraguemos o que já conseguimos"
Prometeu mais subidas nas pensões e apoios sociais e permitindo mais progressões nas carreiras da função pública, indicando que "é possível melhorar o que prometemos aos portugueses", pedido assim ao eleitorado para que "não estraguemos o que já conseguimos", dando ainda como exemplo o pagamento de 1.1 milhões de euros de dívida pública.
Este político que parte para o próximo ciclo eleitoral (europeias - com paridade de homens e mulheres nas listas socialistas -, regionais madeirenses - em que pretende vencer pela primeira vez - e legislativas) com o propósito de conseguir "mais riqueza para o país".
Estando prestes a ser apresentado o último Orçamento de Estado desta legislatura, prevendo 1,8 milhões de euros para as empresas, menos portagens a pagar pelos veículos pesados, concessão de prioridade à ferrovia, prometendo "o maior investimento dos últimos 100 anos", a par de ir contemplar a cultura e ciência com o maior dotação de sempre.
Desafio demográfico
Sentindo a necessidade de reverter o decréscimo populacional, prometeu habitação mais acessível e redução dos contratos a prazo para o primeiro emprego.
Costa aposta no regresso dos jovens a quem um político de direita aconselhou a emigrar por não terem emprego, apontando algumas medidas de benefício no IRS, mas que deverão ser melhor analisadas, face ao reduzido impacto que as suas palavras tiveram.
Sem pedir expressamente uma maioria absoluta nas próximas legislativas de final do próximo ano, António Costa considerou ser importante "dar força ao Partido Socialista", levando-o a apelar ao voto nas suas listas.
A possibilidade de reedição de uma nova geringonça não foi contestada, até porque o governante sublinhara o profícuo entendimento com os partidos de esquerda durante estes três anos.
Galiza presente
Gonzalo Caballero, secretário-geral do PSG-PSOE, esteve presente em Caminha, acompanhado pelo presidente da Câmara de A Guarda, António Lomba, e alguns dos seus conselheiros, tendo ficado assente que seriam incrementados os contactos entre socialistas galegos e portugueses, tendo ainda em conta a existência de dois governos da mesma cor política em Lisboa e Madrid.
Fotorreportagem António Garrido
Lesados do BES protestaram
Aproveitando a realização da Festa de Verão do Partido Socialista realizada no Parque 25 de Abril, alguns emigrantes lesados pelo BES (agora Novo Banco) montaram um protesto no Jardim Municipal e na rotunda da Ponte utilizando bandeiras negras, tarjas e altifalantes, através dos quais manifestaram a sua repulsa pela situação que lhes foi criada e exigindo medidas compensatórias dos prejuízos que tiveram e criticando políticos e governantes do passado e do presente.
Contudo, os seus protestos que soaram durante todo o comício socialista não impediram a realização do mesmo, não tendo sido proferido qualquer comentário sobre este assunto por parte dos oradores dessa tarde.
Fotorreportagem António Garrido