Dentro dos limites de velocidade e das capacidades das motinhas antigas, o 9º Encontro de Motinhas deste ano voltou a reunir cerca de 250 veículos de duas rodas no parque de estacionamento da Sociedade de Instrução e Recreio Ancorense (SIRA), local de onde partiram para um périplo pela região, incluindo a cidade de Viana do Castelo.
Agostinho Gomes, presidente da SIRA, antes de dar a partida para este raid/passeio na manhã do passado dia 15, deu alguns conselhos aos participantes - nomeadamente à passagem pelo meio da cidade de Viana do Castelo - e pediu um minuto de silêncio pelo falecimento, dias antes, vítima de acidente, de um motard de Paredes de Coura, presença assídua nos encontros anteriores.
Mas se à direcção da SIRA competia a responsabilidade deste IX Encontro, a um dos seus membros, Ricardo Marques, e à sua esposa se ficou a dever mais esta edição muito especial, atendendo a que a associação completa este ano nove décadas de existência.
O seu amor pelas motinhas "já vem desde pequeno, porque o meu pai e os meus irmãos, todos tinham motinhas", levando-o a assumir este convívio que permite "ao pessoal da terra dar valor ao que se faz aqui e que não é só para a casa, é para usufruto dos que participam" e permitindo aos ancorenses apreciar o desfile motorizado.
Nascido, criado e residente em Âncora, onde vive com sua família, além de grande impulsionador e organizador desta concentração, também participam ambos numa Sachs Lopes, uma mota de 1991 e que "comecei restaurar há pouco tempo, embora não me tivesse sido possível participar com ela na edição anterior, mas, este ano, fiz questão de a utilizar…a ver se chego ao fim", riu-se.
"Dá muito trabalho a organizar"
Ricardo Marques explicou ao C@2000 que "isto dá muito trabalho a organizar, embora muita gente não o imagine", precisando de seguida que "nós começamos a preparar o encontro desde o princípio do ano", começando desde logo por "transmitir ao pessoal todo a data do Encontro, sempre que participamos noutras concentrações, para que eles agendem os seus passeios, de acordo com as datas disponíveis" para todos. Refere que há muitos passeios ao mesmo tempo, o que leva os grupos motards organizados a distribuir os seus membros pelos diversos eventos existentes.
Este ancorense e sua esposa começam por delinear o percurso, tratar das autorizações, preparar as refeições, reforços, etc. para "que quando chegue o dia esteja tudo preparado".
Este ano, o itinerário, além da passagem pela própria freguesia, contemplou Vila Verde/Riba d'Âncora, Outeiro (com paragem no Museu do Pão, onde foi dado o primeiro reforço), Meadela, centro de Viana do Castelo (incluindo a Av. dos Combatentes), Praia Norte, EN 13 até Vila Praia de Âncora (onde tiraram uma foto no cogumelo da antiga lota) e regresso à SIRA onde os esperava o almoço.
As "relíquias" possíveis de se inscreverem neste Encontro atingem as 250, um número sempre difícil de calcular, atendendo a que muitos participantes só aparecem na hora para se inscreverem, concluiu Ricardo Marques, antes de acudir a nova solicitação de um colega da organização, nos momentos prévios à partida para o percurso das motinhas.
Mulheres são raras neste encontro
Eva Joana, 23 anos, veio de Vila Verde-Braga no seu motociclo de marca Yamaha, do ano de 1993, para participar pela terceira vez neste encontro "pelo gosto pelas motos, companheirismo, convívio com os amigos e conhecer novas pessoas e mulheres que também as há".
No entanto, esta jovem foi uma das raras inscrições femininas na iniciativa da SIRA. Não encontra grandes razões para isto, embora nos dissesse que as mulheres preferem motas pesadas, sendo raras as que têm uma de 50 cm3, o que as impede de participar.
"Paixão pelas mota, sentir a liberdade de andar de mota, conhecer novos lugares e amigos". Eva Joana veio até cá individualmente, não se encontrando portanto incluída em qualquer grupo motard, definindo como "excelente" este convívio organizado pelos ancorenses.
Uma motinha a valer
A motinha de Armando Miguel "é mesmo uma motinha", admitiu o próprio antes de realizar a sua inscrição junto do staff organizativo deste IX Encontro.
Natural de Freixieiro de Soutelo, participou pela terceira vez neste desfile de motas pelo Alto Minho, através de uma mota casal boss com cerca de 30 anos "comprada de propósito para isto, devido ao bichinho pelas motos e dos passeios das motinhas que sempre apreciei".
"Foi um amor à primeira vista", assim classificou a compra da motinha já totalmente restaurada por cerca de 700€ há uns anos atrás.
O convívio com os amigos e "gostar das motinhas" levam-no a participar assiduamente nestes encontros, os quais permitem ainda conhecer motas raras, "distrair" e desfrutar da paisagem porque a velocidade nunca é superior a 70 km/hora. Mas "não pode ser sempre, porque se não a mota parte", acrescentou, sorrindo.
Confirmou-nos que na sua freguesia de Freixieiro de Soutelo existem muitos apaixonados por estes veículos motorizados de duas rodas, o que já torna difícil adquirir uma motinha como a sua. "Já são uma raridade!"