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Caminha

Inaugurado Cais dos Pescadores

"Temos ministro!", Ana Paula Vitorino

Esta manhã, a terminar a sua intervenção no acto de inauguração do Cais dos Pescadores de Caminha, a ministra do Mar Ana Paula Vitorino teve uma expressão premonitória, ao elogiar a prática autárquica de Miguel Alves. "Temos ministro!".

A governante teve este desabafo porque "estava a ouvi-lo falar" e a pensar que ao autarca caminhense lhes estarão reservados "lugares mais elevados", insistiu.

Recorde-se que Miguel Alves ainda há dias foi nomeado responsável pela Protecção Civil Distrital e apontado como presidente da Comissão Regional da Comissão de Desenvolvimento Regional do Norte, elevando o seu grau de responsabilidade nestas novas estruturas, e mesmo a nível partidário, como já é conhecido.

"Um exemplo notável de uma luta"

Ana Vitorino, cingindo-se ao acto em si, teve palavras de apreço para os pescadores, sublinhando a sua "capacidade física para exercer a actividade da pesca" e considerou "um exemplo notável do que é uma luta", a sua persistência durante dois anos e meio para que a obra de reabilitação do Cais da Rua se materializasse.

A governante, comentando a decisão do Governo de conceder luz verde a esta obra de melhoria das condições de trabalho dos pescadores caminhenses, ao permitir uma rampa varadouro, criar mais condições de segurança, arrumação de embarcações, melhor iluminação, instalação de um guincho para subir e descer os barcos (embora a rampa possua uma inclinação acentuada, registe-se), assinalou que "isto é um exemplo de descentralização e planeamento a favor das populações", em que "todos sem excepção se empenharam".

Recordou ainda que se estava desta forma a dar cumprimento a um "compromisso eleitoral" do próprio Ministro da Educação (Tiago Rodrigues), o qual, durante a campanha eleitoral de 2015, enquanto candidato a deputado à AR pelo distrito de Viana do Castelo, prometera esta obra.

"Estamos aqui não para uma promessa, mas para uma obra"

"Estes políticos cumpriram", assumiu Augusto Porto, presidente da Associação de Pescadores, contente com a melhoria verificada no cais, uma empreitada no valor de 820.000€. Relembrou que duas votações no Orçamento Participativo permitiram à Câmara reservar cerca de 120.000€ para investir nesta melhoria, graças ao empenhamento da Associação de Pescadores junto das pessoas de Caminha para que votassem neste projecto.

Augusto Porto referiu que "a obra está cá e estamos unidos para isto", porque, adiantou, "neste pequeno investimento está aqui uma grande causa", como o anterior Comandante da Capitania de Caminha, Gonzalez dos Paços (agora em serviço nos Açores) admitira e que o próprio não esqueceu este dia, ao ter telefonado ao presidente da Associação de Pescadores, felicitando-o e "pedindo-me para agradecer aos políticos".

"Momento de enorme alegria"

Foi "uma obra há muito tempo desejada e agora cumprida", precisou Miguel Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia, nesta manhã de forte nortada junto ao rio Minho, mas "um momento de enorme alegria".

Saudou todos os que a tornaram possível, designadamente os pescadores de Caminha na pessoa do seu presidente (Augusto Porto) e teve palavras de agradecimento em relação a Miguel Alves, ao ter conseguido "trazer esta obra para Caminha".

"Esta obra é justa", frisou o autarca, representando "um passo importante para os pescadores", ao conceder-lhes melhores condições de trabalho.

Miguel Gonçalves avivou a sua memória, a fim de recordar que "cresci e sempre ouvi falar na necessidade desta obra" que, agora, "deixou de ser uma quimera".

Idealizada desde 2010

Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente Norte e da Polis Norte a partir de 2013 (dois meses antes de Miguel Alves assumir a presidência da Câmara de Caminha), admitiu que até então não havia qualquer projecto concretizado no município de Caminha, ao invés do que já sucedia em Esposende e Viana do Castelo.

Após essa data, foram implementados 7 projectos, 3 dos quais concluídos, falando agora da dragagem do Portinho de Vila Praia de Âncora que será concretizada em breve.

Assinalou o empenho do actual presidente da Câmara de Caminha, para ainda dentro das verbas sobrantes do Portugal 2020, ter conseguido, juntamente com a Polis, os recursos financeiros suficientes para o obra do cais. "Só não consegui que o piso fosse azul", assinalou com humor desportivo o presidente da Polis, um portista ferrenho.

Armazém de aprestos em perspectiva

Nesta maré de melhoramentos na foz do rio Minho, Miguel Alves, presidente do Município caminhense, apontou para a possibilidade a breve prazo, de criação de um armazém para guardar os aprestos de pesca, nos antigos estaleiros do "Quintas", bem como a reparação do cais da foz, no Camarido. Miguel Alves falou ainda de mais de meio milhão de euros conseguidos para um calçadão da ecovia da Marginal de Caminha, assim como divulgou a existência de conversações com a APA a fim de obter a concessão do espaço público do posto náutico do Sporting Club Caminhense.

Em alusão ao cais acabado de inaugurar (12 de Maio), Miguel Alves disse que "nunca entendemos que a obra iria surgir por milagre", pelo que só foi possível pelo diálogo e empenhamento autárquico e da classe piscatória junto das administrações centrais.

Após aludir à paralisia do Executivo anterior no que aos projectos da Polis se prendia, o presidente do Município, agradeceu a todos quantos tornaram possível este melhoramento, sem esquecer o anterior Comandante da Capitania, um dos artífices de algumas soluções técnicas encontradas, bem como ao presidente da Pólis e Associação de Pescadores.

Não deixou de sublinhar o empenhamento do secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, presente na cerimónia, nem da Ministra do Mar - "um exemplo do que é lutar contra o tempo adverso" - e terem compreendido que "esta obra era fundamental" e conseguido o financiamento total.

Orçamento Participativo ajudou

Miguel Alves sublinhou igualmente a importância dos contactos mantidos com os pescadores que lhe fizeram ver a importância "vital" da obra. Enfatizou ainda o empenhamento dos profissionais de pesca na votação do Orçamento Participativo para que fosse possível construir uma rampa varadouro e a instalação de um guincho para puxar os barcos.

O autarca, porém, não deixou de recordar "os que duvidaram desta obra", lançando até algum desdém sobre ela, mas que "agora, não estão cá".

"Não posso ver o concelho para trás", assinalou, ao elencar os 4 milhões de euros de investimento nas 7 obras concretizadas no litoral e outras 3 em perspectiva.


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