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Dr. Artur Antunes /OM 47734
Médico Ortopedista Trofa Saúde Hospital
Hospital Privado Braga Sul e Hospital de Dia de Famalicão

Tendinite do ombro

O ombro é formado por três articulações - esternoclavicular, acromioclavicular e glenoumeral. Alguns autores ainda consideram outra articulação no complexo do ombro: a articulação costo-escapular, entre as costelas e a escápula, muito importante na biomecânica fisiológica do ombro. A coifa dos rotadores (supra-espinhoso, infra-espinhoso, subescapular e pequeno redondo) é um conjunto de músculos e tendões que envolvem a articulação do ombro - inserindo-se no úmero (articulação glenoumeral), sendo importante para o movimento de todo o membro superior.

As tendinites definem-se como uma inflamação de um tendão, podendo afetar vários tendões no nosso corpo. O tendão é uma estrutura fibrosa que funciona como uma corda que une os músculos aos ossos, transmitindo a força que permite a realização dos movimentos. As tendinites são causadas na maioria dos casos por:
" Esforços repetidos colocam pressão anormal sobre os músculos e tendões da coifa.
" A redução do fluxo sanguíneo, que ocorre com o envelhecimento, dificulta os processos naturais de reparação
" O crescimento anómalo de osso (esporões) pode ocorrer no ombro. Quando se levanta o braço, causam conflito e dano repetitivo nos tendões da coifa dos rotadores

As tendinites são mais frequentes no grupo etário dos 30 aos 60 anos. Quando esta inflamação se mantém por tempo prolongado, começam a ocorrer alterações na estrutura do tendão que levam ao seu enfraquecimento e degeneração, devendo designar-se por tendinose. No ombro as tendinites e tendinoses mais comuns são a nível da coifa dos rotadores.

Os sintomas mais comuns são a dor em repouso e durante a noite, sobretudo quando se dorme sobre o ombro. Também é frequente a dor ao elevar o braço ou com movimentos de rotação interna ou externa do braço, havendo habitualmente sensação de fraqueza nesses movimentos.

Ao apresentar essas queixas, o seu médico irá realizar uma serie de testes específicos para cada tendão ao nível do ombro e tentar simular gestos que provoquem dor, o que permite inferir sobre a localização da lesão e eventuais causas.

O exame auxiliar de diagnóstico a ser solicitado inicialmente é a Radiografia do ombro - que permite definir se existem alterações degenerativas ao nível do ombro e eventual presença de calcificações ao nível dos tendões ou imagens de esporões que podem contribuir para conflito com os tendões. O exame a ser solicitado na suspeita de tendinite é também a Ecografia. Esta permite definir se existe tendinite e eventual rotura parcial ou completa da coifa dos rotadores (a ser abordado noutro artigo), a sua extensão e localização ou se existe apenas inflamação local. Nos casos em que a Ecografia não é conclusiva, pode ser complementado o estudo por Ressonância Magnética Nuclear.

Numa fase inicial, quando a dor é mais intensa, o tratamento aconselhado é a realização de:
" Gelo local
" Anti-inflamatório (salvo contraindicação médica)
" Repouso de todo tipo de exercício

Nos casos em que existe uma repetição de queixas ou o tratamento inicial não surte efeito, existem duas modalidades de tratamento que podem ser adotadas:

1) Tratamento conservador:

" Realização de reabilitação funcional em fisioterapia com objetivo de diminuição da dor, edema local e aumento da flexibilidade
" Evicção de aumentos bruscos na intensidade de treino/esforços físicos repetitivos com o ombro
" Infiltração local do ombro, caso exista persistência da sintomatologia após realização das medidas anteriores

2) Tratamento cirúrgico: Utilizado quando existe manutenção das queixas apesar de todos os tratamentos anteriores.
A cirurgia consiste habitualmente numa intervenção por via artroscópica, em que se realiza a excisão de calcificações (caso existam) e o tratamento das causas que promovem o conflito com os tendões e, nos casos de roturas, a reparação das mesmas. É habitualmente realizada em regime de ambulatório ou internamento de 1 dia, sendo os pontos/suturas retiradas ao final de 12 a 14 dias.

Após esse período, é solicitado o apoio da Medicina Física de Reabilitação para um auxílio na recuperação funcional. O retorno à atividade desportiva/laboral pode variar entre os 2 a 4 meses.

O diagnóstico e tratamento realizado de modo atempado e em ambiente com condições e experiência, são fatores que podem influenciar o resultado final desta patologia. Caso apresente queixas similares às descritas, não hesite em contactar o seu médico ortopedista.



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