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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor

O mito das praias algarvias

Como minhoto, nado e criado, sempre que me desloco a Vila Praia de Ancora, à Eterna Noiva do Ancora, à Princesa do Atlântico, para passar férias, custa-me a acreditar que ainda há amigos meus, ancorenses e não só, que passam as suas férias no Algarve.É o caso do meu amigo Manel, proprietário no Amonde que, em Junho passado, quando o encontrei em VPA, lhe perguntei onde ia passar uns dias de férias? Ora- respondeu-me- se, com um sorriso nos lábios; atão, se o Presidente, o Primeiro Ministro, os Ministros, os Secretários de Estado, os secretários dos Secretários e a senhora Maria que faz a limpeza num Ministério, vão passar férias no Algarve, eu, mais a minha Maria também temos o direito de ir para uma praia algarvia…! Além disso, as Tvs não se cansam de dizer que no Algarve é que se está bem e que está cheio como um ovo! Ainda o tentei mudar de opinião, mas foi em vão. E foi mesmo.

Com praias marítimas e fluviais, tão bonitas, tão seguras, desde Melgaço até à Póvoa de Varzim, repito, custa-me a acreditar que haja minhotos, de todas as classes sociais, incluindo políticos, que trocam as praias das cidades, vilas e aldeias, onde nasceram, para se deslocarem para o Algarve . Agora que tanto se fala em descentralização, acabando com o QUERO, POSSO E MANDO, de Lisboa, seria bom que as entidades que superintendem o Turismo, no Alto Minho, incluindo os Vereadores do Pelouro do Turismo das Câmaras Municipais Minhotas, primeiro, chamassem à atenção da RTP, televisão paga por todos os portugueses de que também existem praias no Alto Minho, tão boas ou melhores que as do Algarve e que têm de ter o mesmo tratamento televisivo. Depois, que seja, desde já, feita uma campanha de sensibilização para que os minhotos e alto minhotos passem as suas férias nas suas praias.

Por mim, caro leitor e sem ser anti-algarvio, continuarei a passar as minhas férias em Vila Praia de Ancora. Areia fina, boa gastronomia, mar e montanha, o Calvário, o Dolmen da Barrosa, a sua Igreja Matriz, a Capela de N.S. da Bonança, cafés e restaurantes de eleição, bons hotés, comércio variado, gente simpática e laboriosa, em Setembro as magestosas festas em honra da Santa Padroeira. Tudo isto , em Vila Praia de Ancora, "ABENÇOADA POR DEUS E PELA NATUREZA.!"

Antero Sampaio



AUTÁRQUICAS 2017
REFLEXÃO II

Recorrendo ao tema autárquicas, e a alguns meses de ter escrito Reflexão I, após a apresentação das listas candidatas à Camara Municipal de Caminha e Assembleia Municipal, vejo altura e matéria de mais uma reflexão.

Atendendo aos slogans das candidaturas apresentadas "Caminha tem Futuro" e "De Alma e Coração" - a última candidatura não levarei a sério (do CDS/PP?), apenas me debruçarei numas letras mais adiante - a reflecção inicial a que nos devemos, será mesmo sobre a semântica das frases…

Vejamos; "De Alma e Coração" que nos induz?

Uma candidatura sentimental, de cariz pessoal, com objetivos próprios? Que apela ao sentimento das pessoas sem mais, arbitrariamente, enganadora por isso mesmo? Não podemos cair na falácia sentimentalista de uma candidatura qualquer, isso é típico de totalitarismos autocráticos - veja-se a Venezuela…

Num cariz sentimental em a que as coronárias levam venalmente a alma à razão, esse estado emotivo, é absolutamente efémero…

Durante os anos de mandato, foi sim inemotiva. Exemplos disso estão espelhados na cara de horror de muitas pessoas a quem se fez mal….

Debrucemo-nos agora no slogan da outra candidatura; "Caminha tem futuro".

Projeta imediatamente os nossos objetivos para um porvir melhor. Aqui, ansiamos para um melhor desenvolvimento a vários níveis no nosso concelho. Mais até, assim podemos exigir mais do candidato. E munícipes mais exigentes são o melhor que um bom presidente pode ter.

Em sintonia com este (que governa), mais escrupulosos e escrutinando mais, os governados tendem a ser mais participativos e interventivos (veja-se o caso dos orçamentos participativos), imprimindo uma maior dinâmica ao presidente.

Cabe-nos ser guardiões de uma democracia jovem, que na grande história dá os primeiros passos ainda que bem assentes no chão. É nossa responsabilidade sermos exigentes.

Quanto aos elementos que compõe as listas, embora, como tenha dito na Reflexão I, o cabeça de lista faça toda a diferença, quer para a CMC quer para a AM, noto diferenças significativas quanto há postura dos mesmos perante a política e o quotidiano, na filosofia de vida e na prática política.

Também aqui, ao contrário da outra lista (com excepções), "Caminha tem Futuro", apresenta-se como uma lufada de ar fresco, de dinamismo e progresso intelectual, tanto a lista candidata à CMC presidida por Miguel Alves, como para a AM, onde se desenrolará a luta partidária pelos conceitos e planos de cada candidatura. Aqui não tenho dúvida que o brilhantismo e a nobreza de palavras da lista encabeçada por Luís Mourão fará toda a diferença.

Uma nota à forma de homenagear um ex-Presidente da Assembleia Municipal, com quem tive o privilégio de partilhar, como Deputado Municipal, as assembleias durante quatro anos: Dr. Bernardo, como Mandatário da campanha autárquica da candidatura de Miguel Alves.

A candidatura extemporânea, de uma lista suportada pelo CDS/PP, encabeçada pelo sepeaker ou ex sepeaker da Sra. candidata(De Alma e Coração), não passa de um fait-divers autárquico. Nem percebo como um partido como o CDS se deixou cativar por interesses de mesquinhices políticas. Será que pensam que podem tirar votos à candidatura de Miguel Alves em Vila Praia de Ancora?…contas de mercearia.

Estes Gauleses estão loucos….

É através do conhecimento, que vamos adquirindo ao longo na nossa vida, das lições que esta nos dá, que vamos estando aptos e preparados para as decisões ao longo deste breve percurso na terra.

Se não pusermos em prática essa sabedoria adquirida, nunca seremos compensados pelo mundo que nos rodeia.

Tendo o conhecimento suficiente e adequado para uma análise e decisão, as listas que devem ter apoio para a CMC e para a AM, são as do slogan "Caminha tem Futuro".

Rui Barroso
Ex Secretário da CP do PSD Caminha



Reflexão Solidária Perante a Crise

Ao longo das últimas décadas, a palavra crise tem-se ouvido com uma frequência quase semanal, embora mais recentemente, talvez desde finais de 2008, a periodicidade tenha sido menor, ou seja, diariamente, porque, até (meados de 2015), não se ouvia falar de outro tema. Da pessoa humilde do povo, ao mais ilustre e competente especialista, a palavra quase se banalizou e se tornou num maldito estigma para portugueses e para o resto do mundo.

A crise, ao que parece, afeta toda a gente, dos negócios aos salários e reformas, das empresas nacionais ou mesmo multinacionais às pequenas e médias instituições e às denominadas unipessoais. Todos se queixam da crise, mas, ninguém aponta responsáveis com rosto humano, identificação bem definida, embora: uns falem dos especuladores; outros do custo do petróleo; outros, ainda, das taxas de juros; também aqueles que apontam o dedo ao endividamento das famílias e, por que não dizê-lo, à irresponsabilidade na concessão de empréstimos para diversos fins, entrando aqui o setor imobiliário, cuja génese estaria nos Estados Unidos da América o que, a ser assim, caberia aqui o velho adágio, segundo o qual: "Quando os Americanos espirram, a Europa constipa-se".

Entre tantos e eventuais culpados sem rosto, (e sem trânsito em julgado, em alguns casos) não parece que alguém tenha ouvido imputar responsabilidades aos gastos giga-milionários que certas instituições estarão efetuando, seja a nível nacional, seja no contexto mundial.

Também não se ouve qualquer queixume das elites económica, política e socialmente cada vez mais ricas e poderosas, a que os relatórios internacionais das mais insuspeitas organizações vêm dando notícia. A crise será só para as classes Média e Pobre, cada vez mais pobre e desacreditadas? Tal não é possível.

A administração de recursos: sejam eles imobiliários; sejam financeiros ou humanos, requer ponderação, bom senso e manutenção de uma reserva, precisamente para suportar aqueles períodos de maior dificuldade. Tal como numa família, onde poucos contribuem para o património e muitos gastam sem qualquer regra ou preocupação em acautelar o futuro, o mais certo é surgiram, mais tarde ou mais cedo, grandes e por vezes inultrapassáveis situações de pobreza, falta de recursos e depauperamento dessa mesma família e dos seus elementos.

Parece óbvio que se tem vivido, com alguma desorientação, sob a égide de um novo-riquismo, talvez fácil demais, sem preocupações quanto a uma estratégia moderada, equilibrada, com uma retaguarda sólida, o que se confirma desde há várias décadas, porque o princípio da boa administração, em muitas instituições não tem sido observado.

Tudo parece indicar que: "O equilíbrio não é apenas uma das leis fundamentais da Economia. É também um dos princípios fundamentais da Administração, que se aplica, igualmente, tanto à instituição como aos indivíduos que a administram. O equilíbrio, como o crescimento, é um dos principais elementos da filosofia administrativa." (DIMOCK, 1958:44).

Gastar mais do que o que se tem, pode ser uma tragédia a médio ou longo prazos. Pedir emprestado sem se ter um mínimo de garantia que se pode pagar, sem se fixarem as condições de pagamento, revela-se imprudente e de consequências imprevisíveis: quer para o gestor que então envereda por tal sistema; quer para o que vier substituí-lo; quer, ainda, para o credor. Estratégias desta natureza ocorrem com alguma frequência, desde o mais alto nível da administração empresarial e pública, às mais humildes autarquias e pequenas empresas.

Durante um determinado período fazem-se investimentos, e as mais diversas intervenções, e quem vier que pague, ou, na linguagem portuguesa bem vernácula: "quem vier que feche a porta", de resto, e a título de exemplo, sabe-se que a nível de certas instituições públicas já foram ultrapassados os limites legais de endividamento, invocando-se, para o efeito, a realização de melhoramentos públicos com o apoio de fundos comunitários, porque de contrário, não seriam possíveis, considerando que a entidade beneficiária de tais fundos, tem que participar com uma determinada percentagem e, assim sendo, será necessário contrair os empréstimos suficientes para que a obra se realize.

A questão que se levanta prende-se com a importância e oportunidade dos melhoramentos que se pretendem fazer com dinheiros emprestados. É bem provável que em certas circunstâncias, como em tempos de crise, seja necessário estabelecer prioridades e, entre uma população que tem uma elevada taxa de cidadãos marginalizados por vários motivos: desemprego, fome, miséria, exclusão social, reformas insuficientes, agravadas com os sistemáticos cortes,(durante alguns anos, mas, entretanto, repostos os valores que precediam a crise) taxa de escolaridade abaixo da média, sistema de saúde que não tem atendido ao combate a todas as doenças e obras ditas estruturais que, num ou noutro caso, não são assim tão urgentes e necessárias, as opções são da responsabilidade de quem as toma.

Os melhoramentos públicos, a realização de certos eventos, as despesas de sumptuosas representações, por mais justas e legais que sejam, devem, em tempo de crise, ter um enquadramento mais sóbrio e serem substituídos por intervenções ao nível da assistência social, esta entendida nos vários domínios que dignificam a pessoa humana.

Uma parte dos milhares de milhões que se gastam com o funcionamento de Mega instituições nacionais e internacionais, se houvesse um pouco mais de contenção, de sobriedade e de humildade, poderia servir para retirar da miséria milhões de cidadãos em todo o mundo, que na Europa corresponde a cerca de setenta milhões, dos quais, quase dois milhões em Portugal.

Impõe-se, portanto uma reflexão sobre as causas que conduziram a esta situação de crise grave, como muito bem afirmou o presidente da França, quando convocou uma reunião extraordinária com os Estados Unidos da América e o presidente da Comissão da União Europeia, tendo aquele estadista afirmado: "ser necessário encontrar as causas desta crise e punir os responsáveis" (cf. Jornal das 12h00, 18.OUT.2008, Antena-1).

O governo português terá aprovado um diploma legal disponibilizando uma verba avultada (pensa-se que vinte mil milhões de euros) e feito incluir no Orçamento Geral do Estado para 2009 tal valor para, se necessário, injetar nos bancos com mais dificuldades de tesouraria/liquidez. Aquele diploma legal foi elaborado, promulgado e publicado em tempo recorde, segundo a opinião de Sua Excelência o Senhor Presidente da República. Trata-se de uma medida, segundo diversos políticos e alguns especialistas para ajudar a economia portuguesa a sair da crise, esperando-se, então, que sejam todos os cidadãos portugueses a beneficiar destas medidas tão invulgares.

O contrário parece nem sempre se verificar, isto é, quando determinados bancos, de uma forma talvez orgulhosa, proclamam aos quatro ventos, que no primeiro trimestre de um determinado ano, tiveram centenas de milhões de euros de lucros, será que se preocuparam com a já então visível miséria da população? Como procederam tais bancos para com aqueles que tinham contraído empréstimos para habitação e já não tinham condições para pagar as mensalidades? E que taxas de juros pagavam àqueles depositantes que, quantas vezes com algum esforço, lá depositavam as suas parcas poupanças?

Haverá, agora, razões suficientes e moralmente fundamentadas para com os impostos dos próprios contribuintes e depositantes se ajudar tais bancos? São apenas algumas questões sobre as quais todos devem refletir, sem incriminações, mas, naturalmente, com mágoas.

Evidentemente que o que agora importa é salvar o país da crise, ajudar as famílias que mais precisam, que têm os seus bens hipotecados, que podem correr o risco de irem viver para "debaixo da ponte". Agora é o tempo de se darem as mãos, trabalhadores, empresários, políticos e o próprio Estado, sem rancores, sem ressentimentos anárquicos e vingativos, afinal o país é constituído por um povo de brancos costumes.

Passada a crise é necessário que os responsáveis tenham outra postura para com os mais desfavorecidos, porque é urgente implementarem-se sentimentos de solidariedade, entre aqueles que tanto têm beneficiado com o sistema e os que muito mais têm sido prejudicados. Que a crise sirva de reflexão solidária e de lição para o futuro. Na verdade, e no limite, nunca os pobres foram tão solicitados para ajudar a resolver uma crise, que não é a deles, embora paguem os impostos, proporcionalmente aos seus parcos rendimentos, como aqueles que mais têm e podem.

É também nesta vertente que a Cidadania se manifesta, independentemente das habilitações literárias, do poder económico, político e social dos cidadãos. A necessidade de uma verdadeira escola social impõe-se: em todo o mundo em geral; e em Portugal em particular.

O mundo é de todos, os recursos naturais não foram criados por nenhum homem em particular. Todos têm o direito de usufruir dos bens que Alguém colocou neste planeta e, por fim, todos, um dia, sem menos esperarem, novos ou velhos, deixarão o mundo que habitam, para seguirem um Outro Destino.

O que ficará dos homens, nesta sua efémera passagem, serão, talvez, as suas ações: boas ou más; o contributo que cada um deu para uma humanidade mais justa, mais igualitária e mais fraterna. Tudo o resto ficará para os descendentes, que até podem utilizar muito mal todo um império de bens patrimoniais, angariados com aquela mentalidade de que "os meios justificam os fins".

Bibliografia

DIMOCK, Marshall E., (1967). Filosofia da Administração. Trad. Diógenes Machado e Arnaldo Carneiro da Rocha Netto. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura - Brasil-Portugal

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo


Edições C@2000
Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento
Apoiado pela Fundação EDP

Da Monarquia à República no Concelho de Caminha
Crónica Política (1906 - 1913)

Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


O Estado Novo e outros sonetos políticos satíricos do poeta caminhense Júlio Baptista (1882 - 1961)

Organização e estudo biográfico do autor por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora

Autor: Joaquim Vasconcelos
Edição: C@2000


Memórias da Serra d'Arga
Autor: Domingos Cerejeira
Edição: C@2000

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