"O mofo nunca ganhou o futuro. O mofo não vai ganhar eleições".
Miguel Alves insistiu desta forma na sua apresentação como candidato à presidência da Câmara Municipal de Caminha: "o concelho não quer regressar ao desregramento do passado, àquele passado que nos trouxe tantos problemas hoje".
"Que bom que é estar nesta sala"
"O actual presidente do Município caminhense discursou no passado Sábado no cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora ("Que bom que é estar nesta sala que esteve abandonada mais de 10 anos", anotou, "após ter sido recuperada pelo Município e pelos Bombeiros Voluntários"), a encerrar o acto político em que foram apresentados também os candidatos às 14 juntas de freguesia (três com o estatuto de independentes, apoiados pelo PS) e o presidente à Assembleia Municipal e que volta a ser Luís Mourão.
"Sabia duas coisas"
Esta apresentação contou com o apoio de António Costa, secretário-geral do PS, "a um velho amigo (Miguel Alves), na sua reeleição à presidência da Câmara Municipal de Caminha", tendo o governante socialista recordado que tinha estado "aqui, em Vila Praia de Âncora, há quatro anos - numa sala muitíssimo mais pequena -, e poucos acreditavam que ele era capaz de ganhar, mas como eu já tinha tido a felicidade de ter trabalhado com ele várias vezes, sabia duas coisas: primeiro que ele ia ganhar e, segundo, que ele seria um grande presidente da Câmara depois de ganhar".
"Consenso e compromisso"
""Ninguém será de primeira ou de segunda", garantiu Luís Mourão na sua terra natal quando usou da palavra e destacou "a mudança para melhor" que se tinha registado a partir de 2013 no concelho de Caminha.
Justificou a sua candidatura à reeleição "por convicção e dever de consciência", a fim de dar continuidade aos "compromissos assumidos" e prometeu tratar todos por igual, "sem excepção", porque, justificou, "vocês serão os nossos interlocutores".
"Lá está o Miguel. Lá está Caminha"
António Costa insistiu perante a multidão que encheu o Cineteatro ancorense que "hoje ninguém tem dúvidas que no próximo dia 1 de Outubro Miguel Alves voltará a ser o presidente da Câmara Municipal de Caminha".
O primeiro-ministro disse que tem acompanhado "o grande trabalho" que Miguel Alves tem desenvolvido na Câmara de Caminha, aludindo também à visibilidade que o autarca caminhense tem evidenciado nas televisões, de manhã, à tarde ou à noite: "lá está o Miguel, lá está Caminha".
António Costa aproveitou este acto de pré-campanha autárquica para se referir também à política nacional, salientando a "tranquilidade" e "confiança" que os portugueses sentem em relação a um ano e meio atrás, e destacando a criação de 175.000 empregos.
Assumiu que o Governo a que preside aposta em que o país seja cada vez menos só Lisboa, estando a ser preparado um novo quadro legal de "parceria e proximidade" em várias áreas com as câmaras municipais e freguesias, concedendo-lhes "mais meios e competências" e tendo a "humildade" de corrigir erros, a despeito dos "bons resultados" alcançados desde que o actual Governo tomou posse, frisou.
"Reforma da floresta"
Ainda com as tragédias do centro do país como cenário negativo, António Costa, presente num concelho que ainda no ano passado viveu momentos aflitivos devido aos incêndios florestais, assegurou que a "reforma da floresta" tem de avançar, pondo fim às terras ao abandono e tornando-as rentáveis, apontando o "associativismo" e o levantamento cadastral das terras como objectivos, porque, sublinhou, "ninguém nos perdoará se a floresta continuar a ser uma ameaça às vidas humanas".
Recordou que já tinha sido realizado um conselho de ministro extraordinário em Outubro do ano passado a fim de discutir a problemática da floresta e, a 21 de Março "aprovamos um pacote para a floresta", tendo sido discutido e aprovado na Assembleia da República (estas semana) nova legislação.
"O que é bom para Caminha, é bom para Portugal"
A terminar, o secretário-geral do Partido Socialista voltou a centrar-se no motivo que o trouxe a Vila Praia de Âncora e ao concelho de Caminha.
Desejou a todos os que se candidatam - "e em particular ao Miguel Alves" -, "os melhores resultados nestas eleições", mas, mais do que isso, "um óptimo mandato autárquico, porque um bom mandato em cada freguesia é bom para Caminha, e o que for bom para Caminha, será bom para Portugal".
Louvor a Luís Mourão
Miguel Alves foi o terceiro orador da tarde e encerrou o comício na sala que a Câmara e Bombeiros conseguiram recuperar, travando dessa forma o progressivo deterioramento a que se vinha assistindo.
O autarca dirigiu-se a cada um dos candidatos às assembleias de freguesia, "agradecendo o vosso empenho e participação cívica", e em particular a Luís Mourão que vai assumir novamente o primeiro lugar da lista socialista à Assembleia Municipal, atendendo "ao debate difícil que tivemos nos últimos quatro anos, numa Assembleia Municipal em que a nossa oposição insistiu numa estratégia de amesquinhamento e de desrespeito institucional". Apesar do comportamento da oposição, Miguel Alves louvou a postura de Luís Mourão, definindo-o como "um homem (com H) de fibra, de Vila Praia de Âncora e que merece a nossa estima e consideração".
"12 anos de inexistência política"
Aproveitando a presença do "bom amigo" António Costa no comício de apresentação de candidatos, Miguel Alves não se esqueceu de salientar que o muito do que foi conseguido para Caminha neste mandato se deveu a essa proximidade, após 12 anos em que "o concelho de Caminha foi uma inexistência política, por incapacidade daqueles que estavam à frente dos destinos do concelho".
As críticas aos executivos PSD devido à sua falta de afirmação perante os sucessivos governos, por não ter sabido sair das suas fronteiras territoriais, não se fizeram esperar, destacando que desde 2008, a Câmara de Caminha não tinha conseguido concretizar um único investimento no concelho no âmbito da Polis. Miguel Alves recordou que em 2015, o Governo decidiu prolongar a Polis, permitindo que o Município caminhense tivesse conseguido a requalificação de praias (quatro bandeiras azuis) e criar ecovias.
"Governo retirou Linha do Minho do caixote do lixo"
Adiantou ainda que a electrificação da Linha Minho tinha sido retirada do "caixote do lixo" para o qual o Governo PPD/CDS a tinha lançado, pela acção governativa de António Costa e do seu Executivo, o que permitirá para "a minha boa gente de Vila Praia de Âncora", acentuou, "avançar com a obra (500.000€) da Travessa do Teatro".
Dentro dos elogios lançados a António Costa, o candidato recordou a sua sensibilidade para a manutenção de serviços de proximidade - e "Vila Praia de Âncora sabe do que é que eu estou a falar", vincou.
Após agradecer a todos os que "encheram" este cine-teatro e o hall de entrada do edifício, Miguel Alves admitiu que até poderiam ter realizado este acto público "como outros tinham feito. Escolhíamos uma sala pequenina, com um palco em cima das cadeiras, juntávamos 100 pessoas e fazíamos uma festa".
"Essas festas acontecem muito na América, quando se trata de cortejos fúnebres. Aqui não!", advertiu.
"Lixo amontoado debaixo do tapete"
O candidato socialista aproveitou esta sessão para voltar a referir-se às dificuldades em gerir a Câmara nos últimos quatro anos, nomeadamente devido ao seu "desequilíbrio financeiro", por se encontrar "praticamente falida" quando tomaram posse, "com um lixo amontoado debaixo do tapete, para uma sala demasiado brilhante".
Aludiu a mais de oito milhões de euros em empréstimos para liquidar, "três milhões de euros de fundos disponíveis negativos e uma dívida de curto prazo de cinco milhões de euros para pagar a 90 dias", além das despesas correntes do dia-a-dia camarário, realçando ainda que existiam dívidas para pagar "pintos e porcos", levando-o a concluir que esse tempo não pode voltar.
"Surpresas e alçapões"
Criticou ainda o Governo anterior, seguidor em exagero das ditames da Troika, ao acreditar que quanto mais pobres estivessem as pessoas, melhor seria para o país.
Se esta situação do país não ajudou as autarquias, Miguel Alves disse aos seus apoiantes que o que "ainda fora mais difícil de enfrentar", tinham sido as "surpresas e os alçapões", em referência a "sentenças condenatórias que vieram cair no nosso mandato, com origem na insensatez do passado". Aludiu ao não cumprimento de um contrato de arrendamento que custou meio milhão de euros aos cofres camarários, ou ainda a uma eventual despesa de 1,3 milhões de euros respeitante ao Externato de Stª Rita, devido a "decisões ilegais da anterior presidente de Câmara", ou também aos custos do caso do Dólmen da Barrosa, com décadas de atraso que este Executivo teve se suportar.
Os logros do Executivo
A despeito das adversidades com que Miguel Alves disse ter-se deparado, "é preciso levantar a cabeça e agir" de acordo "com os nossos compromissos", apontando a "recuperação da Bandeira Azul para Vila Praia de Âncora" e "o mítico Festival de Vilar de Mouros" que "está aí, vivo, brilhante e para durar", garantiu, a despeito das "pedras" que lhes deixaram. A par da recuperação da Marginal de Caminha (cuja obra do Cais da Rua dos Pescadores já se iniciou, precisou),- embora a oposição viesse sempre a reivindicar como sua qualquer obra que este Executivo tivesse realizado, completou com ironia.
O candidato apresentou mais dados sobre os logros conseguidos no seu mandato, tais como o aumento de 37% no turismo - "acima da média nacional", anotou -, a criação de uma escola secundária pública no Vale do Âncora e voltou a anunciar para "muito em breve", o arranque das obras da nova escola preparatória e secundária de Caminha, um investimento no valor de 3 milhões de euros, a par do estabelecimento do transporte escolar gratuito, o apoio às IPSS e idosos, e do estabelecimento da "participação cidadã" da população através do Orçamento Participativo (o IRS pago pelos munícipes é canalizado para este projecto).
Mas, segundo Miguel Alves, a principal conquista nestes anos, foi a da liberdade. "Em Caminha", vincou, "acabaram as perseguições, acabou o delito de opinião", assegurando que "esse tempo não voltará".
PDM - "a medida mais estrutural"
O candidato apresentou também como manifestação da coragem e estratégia do seu Executivo para o concelho, a revisão do Plano Director Municipal, transformando um documento com mais de 20 anos, "num PDM moderno".
"Não podíamos deixar que os apetites imobiliários decidissem em Caminha se se fazia uma obra ou não", acrescentando que "tínhamos de proteger os nossos rios, praias e florestas, e fazer com que as regras fossem claras, para todos saberem com que contar".
As críticas vertidas sobre o novo PDM, de que "estava a criar um concelho verde, só porque a partir de agora tínhamos decidido que era proibido construir no meio da floresta", no intuito de "protegermos as casas e as pessoas", vieram, no fundo, a dar razão ao Executivo, após as tragédias de Junho, completou.
Assim, prosseguiu o candidato à presidência da Câmara Municipal, "chegamos aqui com bases sólidas para construir o nosso futuro", garantindo seguidamente que "o concelho já não pode voltar para trás".
Pegando, com humor, numa expressão criada pela oposição de direita com a finalidade de criticar o acordo à esquerda para suportar o actual Governo (mas acabando por se virar o feitiço contra o feiticeiro), Miguel Alves disse que "quando nós entramos num veículo - até numa geringonça, senhor primeiro-ministro (risos da assistência, quando se dirigiu a António Costa) -, a ideia é podermos avançar em direcção aos nossos sonhos e objectivos", acreditando que o povo de Caminha não quer voltar ao passado.
"O mofo nunca ganhou futuro. Não é o mofo que vai ganhar eleições", atirou.
"Fatídica escolha"
Já a terminar o seu discurso, Miguel Alves assumiu três compromissos para os próximos quatro anos: concretização de um Plano de Intervenção Urbanístico Alargado em toda a zona norte de Vila Praia de Âncora, no eixo Vista Alegre-Sandia-Camboas; Programa de Reabilitação do Centro Histórico de Caminha e continuidade da Marginal, incluindo a "eliminação daquele mercado caduco"; "não nos podemos resignar a pagar 19 milhões de euros pelas piscinas de Vila Praia de Âncora, por uma obra que custou 5 milhões", classificando a opção tomada pelo anterior Executivo como "uma fatídica escolha". Disse ainda que "não nos podemos resignar" a que os terrenos dos largos da Feira, Calouste Gulbenkian e do Hospital (todos em Caminha) "sejam de privados", prometendo por isso (terceiro compromisso) extinguir a Parceria Público Privada constituída para a construção das piscinas de Vila Praia de Âncora, porque, "não queremos esses terrenos hipotecados".
"Vamos ter dois meses e meio muito difíceis"
Miguel Alves apelou à mobilização geral dos apoiantes das suas candidaturas, porque "vamos ter dois meses e meio muito difíceis", após os quatro anos em que "nos atacaram por tudo".
Alertou para os comunicados e "notícias dos jornais, inventadas, e para a boateira", pedindo aos presentes que os seus autores sejam "enfrentados olhos nos olhos e com as nossas propostas", dando como exemplos os logros conseguidos nestes anos - após "acabarmos com a desconfiança em Caminha" -, e recuperando o prestígio perdido com as notícias contínuas "com o nome da nossa terra enxameando as páginas dos crimes dos jornais".
Recordou que o Município de Caminha é o sexto a nível nacional que mais dinheiro de impostos devolve às pessoas; o turismo cresceu 37%; Caminha é 18º município do país onde a economia mais recupera; baixou o desemprego em 51%.
Tudo isto, concluiu, "porque nos soubemos unir, procurar a verdade e o entusiasmo, avançando, de frente, em direcção ao futuro".
"Todos juntos", apelou.
Candidatos às Assembleias de Freguesia
Âncora: António Brás
Argas de Baixo, de Cima e de S. João: Ventura Cunha
Argela: Sandra Ranhada
Caminha/Vilarelho: Miguel Gonçalves
Dem: João Veiga
Gondar/Orbacém: José Cunha
Lanhelas: Josefina Covinha
Moledo/Cristelo: Joaquim Guardão
Riba d'Âncora: Paulo Alvarenga
Seixas: Rui Ramalhosa
Venade/Azevedo: Jorge Valas
Vilar de Mouros: Julieta Alves
Vile: José Gaspar
Vila Praia de Âncora: Manuel Luís Martins