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Vila Praia de Âncora

Exposição sobre os dois primeiros anos de democracia no concelho de Caminha

Cláudia Fernandes, responsável pelo Centro de Memória do Centro Cultural de Vila Praia de Âncora, admitiu ter sido "difícil fazer arqueologia política" sobre os primeiros dois anos de liberdade no concelho de Caminha.

"Havia muito mais para além das eleições"

Esta investigadora referiu na inauguração da exposição "Memórias das Vivências Democráticas após 25 de Abril" patente no Centro Cultural até ao próximo dia 24 de Junho, que, inicialmente, as prioridades desta mostra centravam-se nas eleições realizadas nos anos de 75 e 76, nomeadamente nas Autárquicas, mas "rapidamente reparei que havia muito mais antes das eleições".

Contudo deparou-se com escassa documentação da imprensa local, bem como de imagens devido à reduzida "preocupação dos registos fotográficos" ou cartazes.

Recordou que a mensagem política era transmitida oralmente, através de sessões de esclarecimento, pichagens e os cartazes escasseavam. Deu como exemplo da falta de propaganda local, a ausência de cartazes das Autárquicas de 76 em Caminha, em que se apostava apenas na escassa propaganda proveniente de Lisboa e dirigida ao universo do país.

Apontou alguns pormenores da vivência política no concelho na altura do 25 de Abril, em que as pessoas não se aperceberam de imediato do alcance da revolução, até que o 1º de Maio despoletou todo o processo revolucionário que se seguiu.

"Sem recursos"

Esta visita inicial à exposição, permitiu ainda a Pita Guerreiro, o primeiro presidente de Câmara eleito, reviver esses momentos - "embora a memória vá falhando", admitiu - e o "período conturbado" da época.

Recordou o convite que o Partido Socialista lhe endereçou para que encabeçasse a lista à Câmara Municipal, e as dificuldades surgidas, atendendo a que o presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, Horácio Silva, era o candidato do PPD, a par de Caminha ser um concelho conservador e com uma larga fatia da população ainda analfabeta, além de dispor de "escassos meios", carência superada através de "uma grande militância".

"Fiz a campanha no meu carro, com um altifalante no tejadilho, montado pelo Tenedório, de Vilarelho, e conseguimos ganhar, embora com minoria, atendendo a que o PSD elegeu três vereadores e o CDS um.

Diálogo e consenso

Referiu que "não havia dinheiro" quando chegou à Câmara, mas "as reivindicações das populações eram grandes", sendo constantes os grupos de pessoas que se dirigiam ao Município.

Com muita colaboração das populações, "fomos abrindo caminhos" e realizando as obras possíveis, explicou, a par de manter um diálogo permanente ("aprendi a dialogar muito") com a oposição, levando a que a prática totalidade das propostas fossem aprovadas por consenso, sendo este um "conselho para os jovens", frisou, num tempo em que "há muito azedume", admitiu.

Lista para a Constituinte elaborada em V.P.Âncora

José Luís Presa, presidente do Centro Cívico, após elogiar o trabalho de Cláudia Fernandes na montagem da exposição que também marcou as comemorações do 25 de Abril deste ano, recordou que a lista dos candidatos socialistas no distrito de Viana do Castelo às eleições para a constituição da Assembleia Constituinte de 25 de Abril de 1975, tinha sido gizada numa reunião em Vila Praia de Âncora.

Assinalou o aparecimento dos partidos políticos, uns maiores, outros mais pequenos ("mas muito activos", acentuou) e não esqueceu a figura do Almirante Ramos Pereira e a Fundação que criou, possibilitando formação a muitos jovens.

Admitiu que "a matéria não se esgota nestes painéis", ficando muita mais em arquivo para o futuro.

"Saúdo os que fizeram esta História"

Esta iniciativa "cultural" do Centro de Memória mereceu uma felicitação de Miguel Alves, presidente da Câmara Municipal, aproveitando esta oportunidade para agradecer aos que "participaram ou participam na vida cívica", nomeadamente aos que intervieram na política "num período complexo" da nossa história.

Referiu-se às primeiras escolhas em liberdade, considerando-as "muito claras" e em que cada um decidiu, razão pela qual o 25 de Abril deve "ainda afirmar-se cada vez mais".

Comentando a exposição, salientou ainda que "celebrar isto como se fosse um museu não faz sentido", pedindo uma dinâmica correspondente à da própria vitalidade da data celebrada.


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