A Câmara Municipal de Caminha e a Direcção-Geral da Autoridade Marítima Nacional assinaram um protocolo na passada Quarta-feira no Forte da Lagarteira, que permitirá ao Município gerir esta fortaleza do século XVII, construída por ordem de D. Pedro II de modo a defender a costa num período em que Castela ainda tentava recuperar o poder em Portugal.
A partir de 1 de Junho, a fortificação (constituída como de interesse público desde o ano de 1967) poderá ser visitada durante todo o período de verão, na qual terão lugar espectáculos e exposições, assinalou Miguel Alves, presidente do Município.
Junta reivindica iniciativa
Este acordo foi precedido de mais uma polémica, com a Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora a voltar a estar ausente de um acto oficial ou protocolar, por discordar do estabelecimento deste protocolo, entendendo que esta autarquia deveria ser parceira, dizendo ainda através de um comunicado público que a ideia inicial da entrega do forte tinha partido da própria Junta.
PS critica mais uma ausência da Junta
Este posicionamento viria a ser comentado posteriormente pelo Partido Socialista, realçando que a "Junta de Freguesia demite-se das suas funções".
Miguel Alves, no decorrer da cerimónia de assinatura do protocolo, referir-se-ia também a mais esta polémica, lamentando a posição da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, mas insistindo que a qualquer momento poderia rever esta atitude, bem como poderá usufruir deste espaço, tal como qualquer outra instituição ou autarquia, além da população e visitantes.
"Estamos a cumprir com a política"
O presidente do Município louvou o "empenho" do secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrelo, no estabelecimento deste acordo de cedência do espaço por parte da Autoridade Marítima, assegurando que, desta forma "estamos a cumprir com a política".
Precisou que esta mudança surge num tempo em que se assiste a uma "descentralização" da parte do Estado, reforçando portanto que "isto não será uma ilha", e que a decisão se estenderá a outros edifícios militares, referindo ainda que todo o espaço envolvente do Portinho e respectivos equipamentos deverão acompanhar esta medida e passar para a alçada do Município.
"Um homem de mar"
Miguel Alves aproveitou o momento, e na presença de vários oficiais da Armada, para recordar "um homem de mar" de Vila Praia de Âncora e que "muito fez por ela e por muitos dos seus habitantes", em referência ao Contra-Almirante Ramos Pereira, e que "hoje estaria aqui se fosse vivo", vincou, "a celebrar esta vitória de Vila Praia de Âncora", a par de elogiar a postura e a colaboração do Comandante da Capitania do Porto de Caminha.
"Como a Marinha pode servir todo o concelho"
Esta transferência da gestão do forte (que continuará a pertencer a Marinha, registe-se, e a prestar serviço militar sempre que considerado necessário) mereceu um louvor às Autoridades Marítimas da parte do secretário de Estado da Defesa, extensivo aos autarcas que o tornaram possível, autarcas aos quais reconheceu as dificuldades que defrontam no exercício das suas funções.
A este propósito, elogiou a insistência ("acção determinante") de Miguel Alves, porque "ele consegue fazer ouvir a sua voz".
"Agora pode ser observada (a fortaleza) da parte de dentro", disse ainda o representante do Governo, em referência à população que pretender visitá-la.
"São as pessoas que fazem os sítios"
O representante da Autoridade Marítima, o vice-Almirante Luís Pereira, referiu ser vital "preservar o significado deste forte" e colocá-lo à disposição da população em que se insere.
Após o término da cerimónia de assinatura deste tratado de cooperação - precedida da actuação do Trio de Cordas da Academia de Música Fernandes Fão -, autarcas e oficiais da Armada percorreram as muralhas e o interior do Forte da Lagarteira.