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Fernando Rosas disse ao C@2000 que "Sidónio Pais foi uma espécie de prefácio do Estado Novo", e "estranha" que escola tenha o seu nome

O historiador Fernando Rosas foi um dos convidados a participar na Conferência incluída na programação dos 80 Anos da Guerra Civil de Espanha que o Agrupamento de Escolas do Concelho de Caminha levou a cabo com o apoio da Câmara Municipal e o Centro de Formação do Alto Minho no final do mês de Abril.

Há alguns atrás, foi recuperado o nome de Sidónio Pais, inicialmente dado à Escola Preparatória criada em Caminha em 1971 (na fase final da ditadura fascista), nome esse, que de uma forma natural desapareceu após o 25 de Abril de 1974, passando a ser referida apenas a localidade em que este estabelecimento de ensino público se inseria.

Devido a esse revivalismo político, o nome do Agrupamento de Escolas que assinalou esta guerra civil entre 1936-39 reapareceu com o nome de Sidónio Pais, tal como sucede na generalidade das actividades do estabelecimento de ensino.

Um dos conferencistas, como dissemos, foi o historiador Fernando Rosas - apresentado pelo professor Paulo Bento, como "o maior especialista português em História Contemporânea" -, a quem terá causado alguma perplexidade que tivesse sido convidado para dissertar sobre a Guerra Civil Espanhola (gerada após um levantamento militar fascista contra a República Espanhola, no seguimento da vitória eleitoral da Frente Popular) numa iniciativa promovida por uma escola cujo patrono é Sidónio Pais.

Logo a iniciar a sua palestra, assinalou que era "uma espécie de ironia da história" que tal facto estivesse a acontecer.

"Uma ditadura muito forte"

No final da sua conferência, abordamo-lo e pedimos um comentário ao facto do Agrupamento arcar com o nome de Sidónio Pais, nada condizente com o regime actual que se assume como democrático.

Fernando Rosas afirmou que "Sidónio Pais foi uma espécie de prefácio do Estado Novo" ou de "anúncio premonitório das ditaduras de novo tipo que se aproximavam da Europa".

Vincou que o Sidonismo "foi uma ditadura muito forte em Portugal, que torturou e prendeu muita gente", por tal motivo, este historiador reconheceu perante o C@2000 que "é de estranhar que em democracia, após o 25 de Abril de 1974, o Estado Republicano e Democrático continue a dar o nome de Sidónio Pais a uma escola", daí o seu comentário inicial sobre a "ironia" de "estarmos aqui a discutir a Guerra Civil de Espanha e o impacto que teve na fascistização do regime português, numa escola que tem o nome de um homem que precedeu a ditadura salazarista e que iria durar quase meio século".


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