No decorrer deste mês, iniciar-se-ão as obras de ampliação e remodelação do Caus da Rua, e desassoreamento do canal até à praia da foz do rio Minho, garantiu Miguel Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia Caminha/Vilarelho, no decorrer da última reunião da Assembleia de Freguesia (AF).
O autarca caminhense considerou ser "quase um sonho" a concretização deste projecto, pelo qual sempre se bateu porque "não aceitava esta situação" de degradação em que o cais de apoio aos pescadores se encontra, reafirmou nesta sessão, em resposta a uma interpelação de Margarida Lages, delegada socialista que presidiu à AF.
As obras foram inicialmente anunciadas para Março, mas, de modo a não interferir com a safra da lampreia, foi protelada dois meses.
Miguel Gonçalves recordou que os maiores descontos em lota do concelho se fazem no cais de Caminha, o que, só por si, exige uma melhoria de condições para os profissionais de pesca. Referiu ainda que num futuro próximo, deverá ser encontrada uma solução na margem do rio Minho para o armazenamento dos apetrechos de pesca e realização de pequenas reparações dos barcos de pesca, situação que o novo PDM já prevê.
"Dor de cabeça"
A mesma delegada socialista pediu ainda explicações sobre o estado de degradação do passadiço de madeira da Foz do Rio Minho.
O presidente da Junta de Freguesia disse ser incompreensível que um passadiço construído há cerca de oito anos se apresente já tão deteriorado, comparativamente a outros existentes noutros locais.
Miguel Gonçalves referiu que este assunto era "uma dor de cabeça", já transmitido à Câmara, a qual conseguira que a Polis Litoral Norte assumisse a reparação desta passagem pedonal ao longo da margem do rio. Segundo foi informado, a empreitada de reparação já terá sido adjudicada a uma firma, que deverá substituir as mais de 100 tábuas partidas, reforçar o suporte da estrutura, iluminação, limpeza e colocação de guardas de protecção no lado virado ao rio. O autarca conta que dentro de duas/três semanas se iniciarão os trabalhos, porque a "segurança das pessoas" já está em causa, alertou.
"Um largo abandonado"
O Largo da Escola Velha, em Caminha, vai ser alvo de uma requalificação ("a possível"), de modo a que venha a dar jus ao nome de largo, quando, actualmente, apenas serve de estacionamento desordenado.
A Junta de Freguesia referiu, a propósito, que gostaria de ter conseguido uma candidatura - o que não foi viável - que permitisse uma intervenção mais global, ambição não conseguida. Assim, Junta e Câmara encetaram uma remodelação (já em curso), devolvendo dessa forma o largo à fruição, assinalando a existência de um parque de estacionamento a curta distância (junto à Estação da CP), pelo que é injustificável a permanência de viaturas "desde manhã até à noite", vincou.
Admitiu ser complicado reverter a proibição do estacionamento na Rua da Corredoura, postura tomada pelo Executivo anterior, o que o levou a deixar que a Câmara encontre uma forma de solucionar este problema.
Miguel Gonçalves aproveitou a oportunidade para recordar que após a exigente e premente intervenção realizada no ano passado no cemitério de Vilarelho, era agora altura de olhar para Caminha
Assembleia "concorrida"
Esta assembleia contou com alguns assistentes (alguns deles futuros candidatos do PSD à Assembleia de Freguesia de Caminha/Vilarelho nas eleições de 1 de Outubro), facto que mereceu um elogio de Miguel Gonçalves, apenas lamentando que tal participação não se tivesse verificado ao longo do mandato que agora expira, com a finalidade de tornar mais dinâmica a participação cidadã, explicou.
De entre o grupo de moradores presentes, Luís Afonso, residente em Vilarelho, chamou a atenção para um passadiço e pediu mais um caixote de lixo para a zona do cemitério. Aproveitou também para se informar sobre a eventual existência de um planeamento da instalação da rede de gás.
"Gás natural é uma mais-valia"
Segundo esclareceu o presidente de Junta, há um plano para esta rede de gás natural, mas, atendendo a que vêm surgindo moradores pedindo-a para ruas em que as condutas não estavam inicialmente previstas, a empresa exploradora encontra-se a realizar uma "prospecção de mercado", a fim de avaliar da sua viabilidade económica. Vilarelho será uma freguesia em que este processo "contínuo" se manterá, garantiu.
O autarca recordou que a disponibilização da rede de gás natural ao dispor da população era uma "mais valia", a despeito dos transtornos naturais que as obras ocasionam, garantindo que o empreiteiro irá proceder à reparação dos passeios de ambos os lados das ruas pelas quais os tubos vêm sendo enterrados.
"Não sei"
A única intervenção feita por um dos quatro delegados que o PSD elegeu para a Assembleia de Freguesia de Caminha/Vilarelho, surgiu pela voz de Severino Gomes, quando perguntou ao Executivo se tinha conhecimento da eventual construção de uma superfície comercial na marginal de Caminha, ao que Miguel Gonçalves respondeu que "não sei", pelo que "não lhe posso responder", completou.
Assembleia aprova transferência
A Assembleia de Freguesia aprovou por unanimidade a celebração de um protocolo que cessará no final do actual mandato, entre Junta e Câmara (já avalizado pela Assembleia Municipal), com o fim de transferir para a primeira a gestão do cemitério municipal de Caminha.
Miguel Gonçalves referiu que não fazia sentido que após a agregação das duas freguesias, o cemitério de Vilarelho se mantivesse sob gestão da Junta e o de Caminha, não. Acentuou que esta alteração "vai ao encontro dos interesses da freguesia".
Além do mais, sublinhou, "é bom ganharmos novas competências, para que não estejamos sempre encostados à Câmara". Esta autarquia pagará o ordenado do funcionário já existente no cemitério municipal, revertendo as taxas a cobrar para a Junta, aguardando-se que toda a tramitação deste processo (dossiês incluídos), seja transferido brevemente para a Junta. Paralelamente, funcionará uma comissão de acompanhamento desta operação de mudança de gestão do cemitério.
Parque geriátrico junto ao Bairro Social
A criação de três condomínios nos blocos do Bairro Social de Caminha está consumada, informou também Miguel Gonçalves, o que permitirá resolver muitos problemas comuns em espaços públicos e privados. Recordou, a propósito, a intervenção feita pelo Executivo camarário no final do mandato anterior - cuja obra ficaria por concluir -, em que tanto os imóveis públicos como os pertencentes a moradores receberam o mesmo tratamento. Adiantou que junto ao parque infantil, serão instalados brevemente aparelhos de exercício físico dirigidos à terceira idade.
Esta sessão fora convocada para aprovação das contas de gerência de 2016, o que sucedeu com a abstenção do PSD, tendo sido aproveitado este ponto da ordem de trabalhos pela Junta, para referir que apenas dispuseram de 32.000€ para obras.
A encerrar a sessão, um morador, Fernando Miranda, voltou a referir-se a um assunto que já fora objecto de uma intervenção sua em Assembleia Municipal.
Um terreno na Boucinha
O motivo era ainda a revisão do PDM, relacionada com um terreno que possui na Boucinha/Paraíso, em Vilarelho, tendo historiado o processo e mostrando-se surpreendido com o facto de o presidente da Junta ter aprovado a revisão do PDM, face às diligências encetadas anteriormente.
Miguel Gonçalves responderia, dizendo que o procedimento que tinha tido em relação às suas pretensões, tinha-o feito com todos os demais reclamantes da freguesia, através de um "tratamento de igualdade", e quanto à votação, não poderia sobrepor o interesse individual ao colectivo (da freguesia).