O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas interveio num corte de madeira realizado por Dem, por ter sido executado "em terreno de litígio" com Argela, uma vez que os limites entre ambas as freguesias ainda são objecto de controvérsia, não existindo um acordo que ponha cobro a um conflito iniciado desde a criação da freguesia deense em 1968.
O apuro da venda da madeira será retido pelo Estado, devido à inexistência de entendimento entre ambas as freguesias, o que não se afigura fácil, se atendermos aos vários picos de controvérsia que rodearam este processo ao longo de meio século.
A par desta indefinição dos limites dos Baldios, um madeireiro procedeu a um abate de material lenhoso ardido numa área que o próprio diz pertencer a um particular, o que motivou a intervenção da GNR e do ICNF que, contrariamente, assegura estar em zona baldia.
As juntas de freguesia de Argela e Dem reuniram-se, mas a possibilidade de acordo tem-se revelado difícil, admitiu Sandra Ranhada, presidente da Junta de Freguesia de Argela, no decorrer de uma Assembleia de Freguesia (AF).
Parque de merendas
No decurso desta reunião, os delegados do PSD pediram explicações sobre o abate de árvores no parque de merendas, pretendendo ainda saber a quem efectivamente pertence a antiga sala de ordenha, bem como um terreno junto ao cemitério.
Segundo informou a presidente da Junta, após uma vistoria dos serviços camarários competentes ao parque de merendas, constatou-se que algumas acácias se encontravam doentes e deveriam ser cortadas, por poderem constituir um perigo público. Ao ser feito o corte, algumas destas árvores atingiram outras, derrubando-as, o que levou a que também tivessem de ser abatidas. Assegurou, contudo, que serão plantadas carvalhos americanos, de crescimento rápido, a fim de restituir o mais rapidamente possível a zona de sombra que existia.
Sala de ordenha "cedida" à Cavancoura
Sobre a sala de ordenha, Sandra Ranhada recordou que este posto tinha sido "cedido" pela Junta de Freguesia de então (1987) à Cavancoura, uma cooperativa que já não existe há algumas dezenas de anos, aparecendo agora um particular a reclamar o espaço. A autarca referiu que os juristas não têm um entendimento unânime sobre o termo "cedido". Contudo, a Junta vai reunir com a pessoa que reclama a posse do terreno e que diz possuir documentos que o comprovariam. O PSD aproveitou para criticar a "leviandade" do Executivo de então.
A existência de um depósito de aterro de obras junto ao cemitério levou a presidente da Junta a explicar a situação, decorrente da construção de uma moradia junto à Igreja, o que levou o Executivo a contactar o empreiteiro para que retirasse o entulho.
Pedidos mais ecopontos
O delegado social-democrata Carlos Azevedo destacou a colocação de mais ecopontos na freguesia, "insistentemente pedidos", frisou, mas sugeriu uma melhor distribuição pelos seus lugares.
A presidente de Junta socialista explicou a forma como os ecopontos foram distribuídos, de acordo com as necessidades da população, embora alguns ainda não estejam completos, admitiu. Pretende obter ainda mais recipientes, o que se não afigura fácil, argumentando a empresa com o escasso número de moradores de Argela para aceitar esse aumento.
Saldo positivo
Embora ainda falte receber as verbas correspondentes às obras a 2014, o saldo da Junta para o corrente ano foi de 16.000€, revelou a presidente da Junta quando a AF foi chamada a aprovar as contas de gerência do último ano. Foram realçadas as intervenções em parte da Rua da Piedade, no caminho do sr. Aníbal (15.000€), a par do apoio à Escola Básica de Venade, na qual se encontram matriculados alunos de Argela, justificou a autarca.
Já nestes primeiros quatro meses do ano, a Junta procedeu a diversas limpezas, incluindo a ponte de Belém e a área envolvente, colocou uma grelha em Bouças e acompanhou a repavimentação do Caminho do Melo e Rua de Picoto. Foram atribuídos números de polícia, tendo sido dado apoio aos CTT para actualização de dados e moradas decorrentes da instalação da nova toponímia.
Sandra Ranhada referiu que se prepara uma reunião (6/Maio) com o pároco e população, a fim de discutir uma eventual intervenção no cemitério, e que se aguarda pelo início das obras de instalação da rede de saneamento em parte da freguesia, cuja data ainda não está definida com precisão.